Eu comecei a escrever na Internet sobre j-music em 2006, com uma coluna chamada Rock Shock num site chamado Anime Pró. Em 2008 mudei a coluna para o site da Rádio Blast! e a transformei num blog, deixando a coisa mais dinâmica, livre e mais pessoal ainda.
De lá pra cá, o blog passou por vários altos e baixos: discussões acaloradas, opiniões polêmicas, coisas engraçadas, coisas estranhas, assuntos bem distantes de j-music, um pau no site da rádio que fez eu perder todos os meus posts de 2008, muita bobagem, etc.
No meio do “muita bobagem”, incluo as várias brincadeiras que fiz aqui, mas também alguns momentos que foram meio chatos. Sim, falei coisas das quais me arrependi (poucas!), expressei opiniões que hoje acho muito radicais ou muito rígidas. Hoje estou mudado, mais light, mente mais aberta (aliás, andei ouvindo muito som ocidental: rock, MPB, samba, pagode, sertanejo, etc). Mas em “muita bobagem” incluo também comentários de alguns visitantes.
O mais importante pra mim é que, na grande maioria das vezes que postei aqui, eu me diverti e me expressei. E é claro, como qualquer ser humano que bloga, eu gosto de alimentar meu ego com o feedback do público, quando vocês se expressam, apoiam, discordam, contestam, zoam, etc. — tudo na boa, claro.
Ainda não tenho cinco anos de blog, mas são cinco anos de j-palpites meus na Internet. Por isso, resolvi separar meus dez momentos preferidos do Rock Shock by iori.
10 - Jogos de estupro japoneses
Gerou aqui a maior polêmica (não façam mais a piada do “mamilos”) e muitas opiniões revoltadas, em especial de mulheres, naturalmente. O mais surpreendente não foi nem algo da reportagem que postei, mas, sim, alguns comentários como os de gente que acha que o estupro é culpa da mulher ou que esse tipo de jogo é resultado de “aspectos normais da cultura japonesa” — o cara usou a palavra “normal” de um jeito bem errado.
9 – Kana (Possivelmente o pior que já ouvi)
Acho que foi em 2008 que Kana lançou o álbum Tsuki no Usagi e que eu o ouvi. Ainda hoje acho que é um dos piores sons com os quais já tive contato. Eu realmente tenho medo de ouvir isso de novo. Mal tenho palavras pra descrever o quão ruim é. Você pode conferir por si mesmo no YouTube. Mas considere-se avisado. Pior do que já é, só mesmo se as mesmas músicas fossem tocadas pelo DIR EN GREY.
8 – Discussões e viagens
O blog, é claro, sempre foi um meio de eu expressar minhas opiniões pessoais. Mas antigamente eu gostava de, algumas vezes, fazer isso escrevendo pra cacete! Mas foi divertido. Alguns exemplos bacanas são os posts sobre música ocidental vs. música oriental, música vs. dinheiro e uma crítica que fiz a um depoimento de Kuniaki Suzuki, da revista Shoxx, sobre visual kei. Hoje em dia posso ter mudado algumas opiniões que emiti em alguns momentos de um artigo ou outro, mas ainda curto a maior parte do que escrevi.
7 – Zuar o DIR EN GREY
Quem lê o que eu escrevo há algum tempo sabe que não perco a oportunidade de zuar o DIR EN GREY. Além de ser uma brincadeira, é também uma vingancinha besta, porque já foi minha banda favorita, mas me decepcionei muito quando eles passaram a tocar coisas barulhentas demais e musicais de menos. Além de algumas montagens que fiz em vídeo, tem dois posts bacanas que fiz só pra zuar os caras: “A coisa mais ridícula que já ouvi” (o link do post, a versão “acústica” de “Agitated Screams of Maggots” ao vivo na turnê The Rose Trims Again, de 2008, foi removido, mas continua no YouTube); e o outro post é mais sério, “Mais uma da máfia do visual kei (com o DIR EN GREY)”, comentando desonestidades da equipe da banda.
6 – Vídeos engraçados
Teve uma época que resolvi fazer uns vídeos/montagens satirizando j-rock. Postei todos aqui e dois dos meus preferidos são “DIR EN GREY — Qual o nome do filme?” e o “Gackt Bravo”, que combina imagens do Gackt com a abertura brasileira do desenho Johnny Bravo, ironizando toda a pose de fodão do cantor. Você pode até não achar graça, mas foi bem divertido fazer!
5 – Revelações do visual kei (parte 1 | parte 2)
O blog de um ocidental vivendo no Japão publicou uma misteriosa entrevista com um suposto ex-integrante de uma gravadora de visual kei metendo a boca no trombone, revelando muitos podres dos bastidores da indústria. Eu, claro, pra chamar atenção, já coloquei um título pra escandalizar, “A verdade sobre o visual kei”, e postei comentários bem irônicos sobre a entrevista, sempre em tom de crítica a esse meio musical. Teve gente que leu a entrevista e meus comentários e tomou tudo como uma verdade revoltante, teve gente que tomou tudo como uma mentira sem fundamento. É claro que não dá pra simplesmente assumir tudo como verdade assim, sem provas. Mas qualquer pessoa que acompanha visual kei há alguns anos e presta atenção deve ter percebido indícios de que muita coisa falada nessa entrevista faz sentido. Indícios que são simplesmente fatos. Sendo alguns:
- Singles que são lançados três vezes ou mais.
- O lançamento de três ou quatro singles por 1200 ienes cada um, em vez de lançar tudo em um álbum de 12 músicas por 3000 ienes.
- Muitas bandas durando pouco e separando com alta frequência, formando novas bandas que têm o mesmo destino — algo incomum em outras cenas musicais (isso normalmente acontece entre bandas bem amadoras, não bandas profissionais, que vendem discos, shows, merchandising, etc., como é o caso das referidas bandas visuais, ainda que pequenas/independentes).
- Comentários diversos Internet afora atestando que as cadeias de roadies (roadie chains) existem. É de conhecimento geral dos fãs que Kuroyume teve roadies que são do DIR EN GREY, que teve roadies que são do Merry, etc. Algumas dessas informações estão em entrevistas dos próprios membros de bandas. Tem músico que até se refere à banda mais antiga ou músico mais antigo como “senpai”.
- Muitas bandas visuais, de uns anos pra cá, soam muito iguais umas às outras. Diferente do que ocorreu até a década de 90, dificilmente surge uma que não simplesmente siga o que está na moda. Não aparecem mais novos músicos na indústria como uma proposta de som diferente. Isto evidencia afirmações na entrevista como:
- Os membros das bandas são moleques inexperientes que sabem tocar algum instrumento mais ou menos e não costumam compor músicas.
- Pessoas que não são membros das bandas são contratadas para compor “suas” músicas, apesar da autoria das canções ser creditada aos membros dos grupos.
- Uma matéria do JaME mostra práticas de senso ético duvidoso no meio visual (vide as partes “Crossing the borders of a fan”, sobre membros de bandas que se prostituem para fãs, e “Monetary expenses of a visual kei artist”, sobre matérias pagas para serem publicadas em revistas).
- Indícios de ligações do GLAY com a Yakuza.
- Escândalos de crimes financeiros envolvendo DYNAMITE TOMMY (dono da gravadora FREE-WILL, do DIR EN GREY). Os links levam a páginas ocidentais que publicaram a notícia das acusações feitas contra TOMMY na própria época. As fontes para essas publicações são artigos de sites japoneses que, curiosamente, foram apagados.
- Escândalos de crimes financeiros envolvendo Kisaki (dono da Under Code Records, dono da antiga gravadora Matina, músico que já tocou com membros do DIR EN GREY, D e outros).
- Uma afirmação na polêmica entrevista diz que DYNAMITE TOMMY comanda o império do visual kei sob a chefia de YOSHIKI. Fato: as principais gravadoras “independentes” de visual kei estão ligadas/subordinadas à FREE-WILL, a gravadora de DYNAMITE TOMMY, incluindo Under Code Records e PS Company.
Estes acima são exemplos de evidências de que várias coisas ditas na tal entrevista misteriosa fazem sentido. Azar de quem quiser ignorar tudo isso e nem mesmo se questionar sobre certas coisas. O que mais interessa aqui é que essa entrevista é muito interessante. Eu mesmo fiquei impressionado. Além das evidências relacionadas acima, eu sempre li coisas estranhas sobre a cena visual por aí na Internet (que, justamente por serem comentários vagos e sem provas, não vou citar). Imagino até que tudo isso daria um filme legal!
Termino aqui a primeira parte deste especial pra deixar a coisa mais organizada. Não sei quantos comentários alguns assuntos acima podem gerar, então deixei o resto (e mais assuntos polêmicos) para o próximo post.
[EDIT] Leia a parte 2!
Publicação original de 03/08/2011. 7 imagens desta publicação não sobreviveram à migração de 2013.