Seguem trechos de uma conversa que tive no MSN há alguns dias. O nome da outra pessoa foi trocado.

Zé: Tô a fim de ir no show do Kiss em abril. Você não?

iori: Lógico, haha!

Zé: Já comprou?

iori: Eu quis dizer “lógico” pro seu “não”. Ou seja, “lógico que não”.

Zé: Ah, tá. Achei que, como fã de visual kei, poderia curtir por associação.

iori : É totalmente diferente. Não curto qualquer banda que use maquiagem. E também não sou fã de visual kei.

(...)

Zé: E a banda, como tá?

iori: Não tá. Tô paradasso com relação a música. Num tem ninguém pra eu fazer uma banda do jeito que eu queria. E você? Ainda tá com banda?

Zé: Tô, mas tô tentando formar outra pra ensaiar com mais frequência.

iori: Cês montam banda com uma facilidade... Mas também, com som ocidental, até eu.

Zé: Pois é. Pra mim, musica é musica. Gosto de muita coisa.

iori: Pra mim, música também é música, mas sou extremamente seleto. Gosto de pouca coisa. Não curto as daqui.

Zé: Daqui do ocidente em geral?

iori: Isso. Curto muita pouca coisa daqui.

Zé: Sei lá. Acho radicalismo isso, mas gosto é gosto, né.

iori: Eu tenho culpa de não gostar? Simplesmente ouço e então gosto ou não. Também não gosto de muita coisa do Japão. Gozado que tem muita gente que não gosta de nenhum som do Japão. Aí, não é radicalismo =)

Zé: Concordo que é, mas tem o fator cultural, né. Mais fácil pra alguém como eu e você ouvir música no idioma japonês, visto que assiste anime, lê mangá... enfim, estamos habituados com a cultura.

iori: Não assisto anime nem leio mangá. E, pra mim, música é música. Então, a pessoa não ouve música, ouve idioma. Eu tô errado por ter meu gosto musical ou a pessoa tá errada por discriminar música pelo idioma?

Zé: Eu não critiquei teu gosto musical. Falei que acho radicalismo não gostar de nada ocidental. Afinal, o próprio som que você ouve do Japão é influenciado pelos músicos ocidentais.

iori: Eu sou obrigado a gostar das músicas dos ocidentais só porque sou ocidental? Você acha que as músicas dos japoneses são a mesma coisa do que as dos ocidentais, sonoramente?

Zé: Não, é um som diferente, pelo menos em boa parte das músicas.

iori: Então, bicho. Eu me identifico com esse som. As músicas que os ocidentais fazem, eu simplesmente ouço e não consigo curtir naturalmente, ao contrário de quem não ouve som japonês por causa do idioma. Não desgosto do som só porque é ocidental, mas por causa das sonoridades em si. No Japão, existem sonoridades com as quais me identifico, que são diferentes das ocidentais.

Zé: Teve uma fase que eu tava assim, só ouvia musica japonesa, praticamente. Mas isso não durou muito e depois comecei a achar repetitivo muita coisa que as bandas japonesas faziam. L’Arc, por exemplo, hoje em dia fica se repetindo há um bom tempo. Já faz um tempo que tô muito numa de ouvir sons mais antigos, ocidentais.

iori: Tá falando de rock antigo?

Zé: É.

iori: Eu acho as melodias e arranjos pobres. Fora que tem uns barulhos e tal. Curto não.

Zé: E o que é que tem melodias e arranjos ricos? Se não é “Eleanor Rigby” dos Beatles, por exemplo, não sei o que é.

iori: La’cryma Christi é ótimo. Mr.Children, uma música mais bonita que a outra. Mas eu acho Beatles chato.


Publicação original de 16/02/2009.

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