Mestres do Universo: nostalgia, humor e uma nova chance para Eternia
Talvez seja impressão minha, mas tenho a sensação de que, atualmente, qualquer filme que chega aos cinemas precisa oferecer algum motivo realmente forte para fazer as pessoas saírem de casa e ocuparem uma poltrona. Alguns apostam em grandes atores, outros em produções com valores astronômicos e há aqueles que recorrem à boa e velha nostalgia; que, via de regra, acaba sendo reimaginada para o público atual.
Talvez este seja justamente o caso de Mestres do Universo.
Para quem já passou dos 40 anos, é fácil lembrar das manhãs em que um determinado grito ecoava pela televisão:
“EU TENHO A FORÇA!”
Infelizmente, a bilheteria mundial não atingiu a meta esperada, e acredito que parte disso possa estar relacionada a uma interpretação equivocada sobre o tom da história, ao marketing e à confiança de que a nova geração entenderia a premissa de um herói dos anos 80 sendo atualizado para os dias de hoje.
Se me permitem dizer, passou longe do que eu tinha ouvido falar que seria.
Acabei não indo ao cinema justamente por causa de algumas críticas que vi. E não digo que isso tenha sido um erro, até porque, particularmente, acho difícil justificar pagar mais de R$ 15 por um filme. Mas, depois de finalmente assistir, confesso que minha impressão foi melhor do que eu esperava.
Uma história simples, mas que funciona
A história de He-Man, de forma resumida, mostra como tudo começou. O príncipe Adam chega à Terra como uma forma de fugir do vilão Esqueleto, mas acaba retornando a Eternia para cumprir o seu destino.
Eu não esperava muito do filme, mas acabei rindo, me empolgando e, principalmente, aproveitando a nostalgia que ele proporciona.
E talvez seja justamente aí que esteja uma das maiores forças do filme.
Mestres do Universo consegue resgatar elementos que remetem diretamente à infância de quem cresceu acompanhando He-Man, mas apresenta tudo dentro de uma proposta atualizada. Não é necessariamente uma experiência revolucionária, mas é uma experiência interessante para quem tem alguma ligação com a franquia.
Mesmo sendo um filme com indicação livre, há uma ou outra piada que, para os adultos, acaba funcionando muito bem. São pequenos momentos que conseguem conversar com quem cresceu com a animação sem necessariamente afastar o público mais jovem.
A nostalgia ainda funciona?
Essa talvez seja a grande questão...vivemos uma época em que remakes, continuações, reboots e adaptações de franquias antigas estão por todos os lados. E, em muitos casos, fica a impressão de que a nostalgia está sendo utilizada apenas como uma maneira de convencer o público a comprar um ingresso.
Aqui, porém, eu senti que existe um pouco mais do que isso.
Talvez o filme não consiga agradar todo mundo, principalmente quem esperava algo diferente, mas para quem conhece He-Man e está disposto a embarcar novamente nessa aventura, existe diversão.
E, no meu caso, foi exatamente isso que aconteceu; eu ri, me empolguei e, acima de tudo, senti aquela nostalgia de uma época em que assistir televisão pela manhã podia significar acompanhar as aventuras de personagens que acabaram marcando uma geração.
E o que vem depois?
Até o momento, o filme aparece entre os mais assistidos da Amazon, apresentando um desempenho expressivo. Isso pode colaborar para definir o que poderá vir a seguir.
E não parece ser por acaso.
O filme possui algumas cenas pós-créditos que deixam claro que existe interesse em continuar essa história. Inclusive, existe a possibilidade de uma continuação envolvendo a She-Ra, o que naturalmente abre espaço para novas possibilidades dentro desse universo.
E eu, particularmente, estou ansioso para ver como isso será desenvolvido.
Às vezes, tudo o que uma produção precisa fazer é conseguir divertir e entregar uma aventura que faça o espectador sair da experiência com um sorriso no rosto, e para minha surpresa, foi exatamente isso que aconteceu comigo.
Agora quero saber de você; será que já passou a época dos remakes ou você está pronto para ver mais aventuras de Mestres do Universo?