A HBO Max liberou no dia 2 de setembro o trailer completo de Harry Potter e a Pedra Filosofal, a série que estreia em 25 de dezembro. São pouco mais de dois minutos com a cerimônia do Chapéu Seletor, os uniformes redesenhados das quatro casas, uma Hogsmeade que não lembra a do cinema e o primeiro olhar decente no trio novo em movimento.

A temporada tem oito episódios, com lançamento semanal atravessando janeiro e fevereiro. Francesca Gardiner assina como showrunner e Mark Mylod dirige parte dos capítulos. Dominic McLaughlin é Harry, Arabella Stanton é Hermione e Alastair Stout é Rony. Em volta deles, John Lithgow faz Dumbledore, Nick Frost faz Hagrid, Janet McTeer é McGonagall e Paapa Essiedu é Snape.

Trailer oficial dublado. Crédito: Divulgação / HBO Max Brasil

A briga não é com a série, é com a lembrança

Em menos de 24 horas o vídeo passou de 2,9 milhões de visualizações só no canal oficial da franquia, e a timeline virou um tribunal. Parece demais com o filme. Parece de menos. A imagem está apagada. O castelo está errado.

Foi aí que apareceu uma leitura que vale mais que o debate inteiro. O espanhol Nanclas, que escreve sobre cinema no X, publicou um fio argumentando que a gente chega nesse trailer com 25 anos de imagens na cabeça e uma certeza pronta sobre como Hogwarts "deve" ser.

O ponto mais afiado do fio é a diferença entre copiar um filme e chegar, partindo do mesmo livro, a imagens parecidas. Tem cena que já vem praticamente desenhada na página. Dá pra trocar a lente, o enquadramento e a luz, mas, como ele resume, a Cinderela vai continuar perdendo um sapato.

Sobre a fotografia mais fria, o argumento é igualmente prático: entre 2001 e agora passaram 25 anos de câmera, etalonagem, HDR e, principalmente, de moda sobre o que a gente entende por imagem cinematográfica. O filme do Chris Columbus pertence ao cinema que se fazia quando ele estreou, em novembro de 2001. A série pertence ao audiovisual que se faz hoje.

Quem vai entrar por essa porta

E é justamente aqui que a conversa fica interessante pra quem escreve sobre cultura pop faz tempo.

A criança que vai fazer 11 anos junto com o Harry dessa série nasceu por volta de 2015. Quando ela nasceu, a saga no cinema já estava encerrada havia quatro anos. Daniel Radcliffe, pra ela, não é "o Harry": é um ator adulto que ela talvez tenha visto em outra coisa qualquer, do mesmo jeito que a gente descobriu que o Sean Connery tinha sido James Bond antes de virar o pai do Indiana Jones.

Ninguém vai precisar substituir o Radcliffe pra essa criança, porque ele nunca foi dela. Ela vai entrar em Hogwarts por essa porta aqui. A gente é que entrou por outra.

Vale lembrar que a franquia já vinha construindo isso longe do cinema. Em 16 de junho de 2023, a Warner abriu em Tóquio o Warner Bros. Studio Tour Tokyo, no terreno do antigo parque Toshimaen, no bairro de Nerima. Uma criança japonesa de 2026 pode andar dentro do Beco Diagonal num sábado à tarde sem nunca ter assistido a um filme inteiro da saga. O castelo virou lugar antes de virar memória de cinema.

O teste de verdade vem depois

Oito episódios pra um livro de 250 páginas soa exagero até você lembrar do que o formato faz de melhor. Não se trata de recuperar cena cortada como quem cumpre lista. Serve pra plantar antes: uma amizade que demora a se formar, uma rivalidade com memória, um personagem secundário que só vai importar daqui a três anos.

Era isso que os livros podiam fazer e o filme de 2h32 não podia. Tornar importante amanhã uma coisa que parecia irrelevante hoje.

A Pedra Filosofal talvez seja o pior livro da série pra medir isso, porque é o mais enxuto de todos. A prova real chega quando as tramas se multiplicarem. Aí essas horas a mais não vão servir pra adicionar, vão servir pra não precisar tirar.

A gente montou uma enquete rápida aqui embaixo, e ela não é sobre qual versão é melhor. É sobre uma coisa que dá pra responder sem discutir: qual Hogwarts aparece na sua cabeça quando você fecha os olhos? A do livro que você imaginou sozinho, a do filme de 2001 ou nenhuma das duas ainda?

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Comentários
3 comentários
Hana1 semana atrás
Eu amo os livros, amo os filmes, e estou bem animada pra série! Muitas cenas importantes tiveram que ser cortadas pela logística, pois não tem como colocar tudo realmente em um filme, e eu vou amar ver isso na série! O novo trio é uma fofura e tenho certeza que vão representar bem! Os filmes, assim como os livros, continuarão aí pra gente revisitar sempre que quiser, e a série é uma nova era que está chegando! Vai ser incrível!
Fhelipe1 semana atrás(editado)
Incrível! para mim com certeza é a do filme . é como se diz o ditado : uma imagem vale mais que mil palavras. tenho fé que a série vai ser boa . entretanto, não irá agradar a galera nostálgica que acompanhou os filmes.
JokeAutor1 semana atrás
Bem isso, se a gente que é fã da era dos filmes ir de mente aberta, acho que iremos curtir a série.