Quando se fala em Homem-Aranha japonês, é comum lembrar de Takuya Yamashiro, protagonista da série de televisão de 1978 que inaugurou o conceito de robôs gigantes combatendo forças do mal — fórmula posteriormente adotada pelos super sentais e, na versão ocidental, pelos Power Rangers. Os mais jovens talvez se recordem também de Peni Parker, a homenagem da Marvel a Evangelion: uma doce garota que pilota o mecha SP//dr nas histórias em quadrinhos e nas animações do Aranhaverso.

No entanto, entre os astros mais conhecidos, existem outros Homens-Aranha japoneses esquecidos pelo tempo. É o caso de Yu Komori, das páginas dos mangás. Diferente de Yamashiro, Komori não possui um robô gigante, nem enfrenta ameaças extradimensionais. E, ao contrário de Peni Parker, não tem aliados com quem dividir vitórias e derrotas.
Origem dentro e fora das páginas
Yu Komori, o Homem-Aranha dos mangás, fez sua estreia na revista japonesa Monthly Shonen Magazine em janeiro de 1970, com publicações mensais até setembro de 1971, sob o título original Spider-Man: The Manga. A obra teve roteiros de Kosei Ono até a sexta história, com Kazumasa Hirai assumindo a partir daí. A arte foi assinada por Ryoichi Ikegami.
No Brasil, duas edições foram publicadas em 1998 pela editora Mythos. Essas mesmas histórias foram relançadas no ano seguinte, em uma edição conjunta com o mangá da versão japonesa dos X-Men.
Assim como Peter Parker, Komori adquire seus poderes após ser picado por uma aranha exposta a altos níveis de radiação, ganhando velocidade, agilidade e força proporcionais às de um aracnídeo. Após o surgimento de vilões fantasiados, Yu decide usar suas habilidades para combater injustiças e proteger sua cidade. No caminho, ele enfrenta versões reinterpretadas de vilões clássicos como Electro e Lagarto, adaptados à estética e narrativa japonesa.

Recepção e esquecimento
As histórias escritas por Kosei Ono adotaram um tom mais sombrio, melancólico e psicológico do que as HQs americanas — características que foram ainda mais intensificadas com a chegada de Kazumasa Hirai. A publicação foi parte do esforço da Marvel para expandir suas licenças ao mercado internacional, mas não conseguiu cativar o público japonês, que já contava com obras de temática semelhante.
Com o tempo, o personagem caiu no esquecimento, apesar de mais tarde conquistar um status cult graças à ousadia e profundidade de suas histórias. Durante o evento Aranhaverso nas HQs da Marvel, em 2014, há uma citação mencionando que versões japonesas do Homem-Aranha ajudaram na luta contra os vilões conhecidos como Herdeiros. No entanto, apesar do uso do plural, é mais provável que a referência diga respeito apenas aos já conhecidos Yamashiro e Peni Parker. Um destino injusto para um grande herói da Teia da Vida e do Destino.
