Dessa vez, vamos trazer algumas curiosidades sobre um dos precursores dos MMORPGS no Brasil. Apesar de na época de seu lançamento já existirem outros jogos, nenhum teve o sucesso avassalador de Ragnarök Online, jogo que apareceu por aqui em setembro de 2004 e conta com mais de 2 milhões de assinantes no Brasil (mais de 25 milhões de assinantes no mundo todo).

Originalmente, Ragnarök era um “Manwha” (o mangá coreano), criado pelo autor Lee Myung-jin e publicado em 1995 na revista Comic Champ, contando a história do guerreiro Chaos e tornando-se o primeiro “Manwha” coreano a virar jogo.

Apesar de sua origem oriental, Ragnarök é um misto de mitologias, sendo a Nórdica talvez a mais facilmente identificada, mas contando com tailandesa, chinesa, coreana, russa entre várias outras, inclusive a brasileira.

Para chegar ao Brasil, a Gravity Corp. (Empresa Coreana) através Level Up Games, contou com uma parceira e tanto, a Tec Toy (velha conhecida dos fãs da Sega), parceria que  durou até 2010, quando a Tec Toy resolveu vender sua parte para a Level UP Games.

Para atingir o público-alvo, a LUG utilizou uma estratégia até então não muito comum no Brasil, você encontrava anúncios em revistas (saudades da EGM), distribuição via cds (até hoje devo ter uns 8 deles aqui guardados), brindes em caixas de cereais e algo até então meio inédito nesse meio, que eram as propaganda em canais de TV.

Como não poderia deixar de ser, o jogo foi sucesso também em lan houses. Não era difícil conhecer quem jogasse através delas (mais da metade do meu clã jogava dessa forma) e a própria LUG estimulava a “galera” com eventos onde presenteava os jogadores com vários brindes.  

O jogo já teve, até hoje, mais de 100 atualizações divididos em 24 episódios no Brasil, sendo 12 classes que podem gerar 56 caminhos diferentes.

Em uma dessas atualizações, um episódio especial foi o “Brasilis”, que trouxe uma cidade inteiramente dedicada ao Brasil, com monumentos e o folclore Brasileiro. O mapa trazia quests com como a “lenda da loira do banheiro” e era recheado de Curupiras, Iaras e Boitatás.

O jogo gerou ainda vários "filhos": Ragnarok Tactics Ragnarok Online, que tem como curiosidade ter sido resultado de um concurso feito via website (celulares), Ragnarok Online DS (Nintendo DS), Ragnarok Tactics (PSP), Ragnarok Odyssey (PS Vita), Ragnarok Odyssey Ace (PS3) e Ragnarök Battle OFFline (RBO), Ragnarök TCG e Ragnarok Online II: The Legend of the Second (PC), apesar de em nenhumas delas ter feito o mesmo sucesso.

Também virou um anime, “Ragnarök the Animation”, que é divertido e carismático, apesar de ser um tanto melancólico.

E não demorou muito para que começassem a pipocar os servidores piratas, alguns como o PBGO, que suportavam mil jogadores conectados e chegavam a ter fila de espera. (Era divertido ver as lendas criadas por quem jogava no server pirata e tentava levar o resto da galera junto, contando como em poucos dias pegou 99, que estava rico e com todos os itens tops e por ae vai).

Uma das maiores pragas enfrentadas no jogo, e que acabou afastado vários jogadores, com certeza são os “BOTs”. E como Ragnarök é infestado deles, robôs pré-programados que são utilizados pra evoluir os personagens, dropar itens e fazer dinheiro mesmo com o jogador ausente do PC. Ainda hoje, esse é talvez o maior problema do jogo, com mapas contendo mais “bots” do que players reais e a LUG não conseguindo tomar providências que realmente resolvam o problema.

Se os “BOTs” eram a parte ruim, a imensa comunidade de players era a parte infinitamente melhor, fazer amigos, formar clãs, fóruns, sites de suporte, como o Necrópole Comercial, que estavam sempre dispostos a dar dicas e ajudar no “up” da galera.

Bônus:
Bem, nem tanto, conheci a Rádio Blast pra ajudar durante as maratonas de Ragnarök. Sempre jogava ouvindo a Blast, e das várias lembranças associadas ao jogo e à rádio, uma das mais engraçadas veio através do dj Jiraya e como ele pirava o cabeção com a paródia "Blacknarok", do MC Iguin e MC ra7o.

 

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