A história não é linear, o que pode causar uma leve sensação de confusão até você entrar na proposta do filme.
A cena do gigante foi bem diferente do que eu esperava. Curiosamente, ela consegue ser, ao mesmo tempo, semelhante e diferente de tudo o que já vimos em animações e adaptações anteriores. Inclusive, houve um momento que me lembrou a piada do Tiago Ventura sobre 300.
Já em relação às divindades, confesso que esperava algo mais grandioso. A representação delas acabou sendo bem menos "mágica" e impactante do que eu imaginava.
Para quem é sensível a luzes piscando, fica o aviso: há uma sequência com muitos flashes que pode incomodar bastante.

Falando em atuações, Lupita Nyong'o fez um excelente trabalho. Considerando o tempo de tela que teve, não vejo motivo para as críticas que surgiram quando sua escalação foi anunciada. Por outro lado, senti falta de um maior desenvolvimento não apenas da personagem dela, mas também de outros personagens, o que, em alguns momentos, acabou me deixando um pouco perdido.
O que realmente faz o filme valer a pena é a forma como seus momentos finais nos fazem refletir. Eles mostram que existe uma linha muito tênue entre aquilo que entendemos como um herói... e aquilo que pode transformá-lo, talvez, no maior dos vilões, tudo em nome do desejo de voltar para casa.
Nunca havia parado para pensar nisso, mas, guardadas as devidas proporções, será que uma das lições da história é nunca aceitar o presente de alguém que acabou de ser derrotado?

Conversando com alguns amigos depois da sessão, a opinião foi praticamente unânime: o filme é fantástico, com ação do começo ao fim, e superou as expectativas deles.
Quem acompanha minhas postagens sabe que eu procuro recomendar apenas filmes, séries e animes que considero realmente dignos do tempo de quem vai assistir. Apesar das críticas que fiz aqui, também levo em consideração aspectos que, para mim, fazem toda a diferença, como a trilha sonora, a qualidade da imagem, a fotografia, a paleta de cores, o cuidado com os figurinos, o design das criaturas e toda a parte técnica da produção. E, nesse conjunto, A Odisseia entrega um excelente resultado. Mesmo com alguns pequenos pontos que poderiam ter sido melhor desenvolvidos, é um filme que certamente vale a pena assistir.
E tem um detalhe divertido para quem é fã de quadrinhos e, assim como eu, dificilmente decora o nome dos atores. Durante o filme, você provavelmente vai reconhecer rostos conhecidos e pensar: "Olha a Mulher-Gato!", "O Justiceiro!", "O Homem-Aranha!", "A Dora Milaje". Além deles, há diversos outros atores que participaram de grandes produções e aparecem aqui, muitos em papéis secundários.
De certa forma, fiquei até com a impressão de que Tom Holland e Jon Bernthal desenvolveram em A Odisseia uma química parecida com a que poderemos ver no próximo filme do Homem-Aranha. Se essa sintonia se repetir nas telonas, há uma boa chance de render ótimas cenas entre os dois...mas você já sabia que essa não é a primeira vez que eles atuam juntos?