Falamemo, queridos ouvintes e leitores da Blast! Hoje eu trago uma pequena reflexão que venho refletindo há um tempo. O que temos perdido com o avanço das tecnologias atuais? O que temos perdido com a facilidade de acesso das coisas? Ficou curioso? Então, bora!!

O mundo nunca foi tão avançado como hoje, não é mesmo? Tudo que queremos está a um clique ou a um toque de nossas mãos, e, mesmo com os abusos tributários do nosso país, hoje em dia conseguimos adquirir praticamente qualquer coisa.

Você aí, que já tá na casa dos 30 ou até mais, se lembra de como era comprar um mangá? Muitas das vezes tínhamos que juntar dinheiro de alguma forma, vendendo latinhas, guardando aquele dindim que ganhávamos de alguém, pra depois sair de casa, ir até a banca e comprar o mangá. E depois repetir o ritual, mas com um agravante: torcer para o tio da banca de revista trazer a edição seguinte, ou até mesmo para a editora terminar de publicar a obra. Sem falar nos animes, que só dava pra ver na TV, e torcer pra emissora trazer ele inteiro.

Ilustração gerada por IA
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O mesmo vale para os games: levantar uma grana, ir até a loja para comprar um cartucho ou uns CDs de Play 1 ou Play 2, ou esperar o dia da feira para poder comprar e, muitas vezes, não encontrar o game que queríamos. Mas, muitas vezes, não tínhamos dinheiro, mas sabíamos de um cara que tinha o videogame. Pegávamos a bike, pedalávamos até a casa do cara e trocávamos ideia no portão até o cara chamar pra jogar.

Agora você deve estar pensando: “Pow, Snow, era um saco esses rolês aí!”. Ou você, que é mais novo: “Caramba, era tão difícil assim jogar um joguinho?”. De fato, era um saco, mas a sensação que tínhamos quando finalmente conseguíamos atingir o objetivo, a sensação de prazer e recompensa, era tão grande que faríamos tudo de novo quantas vezes fossem necessárias!

Ilustração gerada por IA
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E é justamente aqui que chegamos ao ponto da reflexão: hoje é tudo muito fácil, tudo muito rápido, e o que esse rápido e fácil tem roubado? O que se perde enquanto os LEDs piscam? A minha reflexão é de que, por mais sacrificado que fosse conquistar as paradas, a sensação era tão boa e tão grande que ela perdurava por anos! Os mangás da Sakura são um exemplo: demorei para ter a coleção completa, mas, quando completei... eu li, reli, vi e revi o anime, fui atrás de revistas sobre o assunto na época, depois, com a internet, participei de fóruns, falava com amigos e, recentemente, fiz matéria aqui para a Blast sobre uma outra coisa que tinha me passado batido na obra quando era criança.

Hoje a gente fica na ansiedade para ter as coisas, compra com um clique e mal aguenta esperar 1 ou 2 dias pra chegar. Depois fica no maior tédio: a famosa “ânsia de ter e tédio de possuir”. Isso raramente acontecia, e eu acredito que a batalha da conquista não nos dava tédio, e sim prazer.

Ilustração gerada por IA
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Não sou psicólogo e muito menos quero transformar essa reflexão em uma explicação sobre saúde mental. Mas não consigo deixar de pensar em como essa necessidade de ter tudo imediatamente pode afetar a nossa relação com a espera. A ansiedade de querer, receber e já partir para a próxima coisa parece cada vez mais presente na nossa rotina. Por isso, neste Setembro Amarelo, talvez também valha uma pequena reflexão sobre a nossa relação com o tempo. Não precisamos abandonar as facilidades que a tecnologia trouxe, e nem deveríamos. Mas talvez possamos reaprender a esperar, respirar e aproveitar o caminho enquanto aquilo que desejamos não chega.

Ilustração gerada por IA
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Então, da próxima vez que o correio demorar um pouco mais, tente aproveitar esses dias. Leia a Rádio Blast, jogue aquele jogo que está parado, reveja um anime querido. Porque talvez a espera não seja apenas o tempo entre você querer alguma coisa e finalmente tê-la. Talvez ela também faça parte da experiência.

Afinal, enquanto os LEDs piscam, quantas pequenas experiências estamos deixando passar?

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Comentários
2 comentários
Joke2 horas atrás
É um tema bem importante de ser abordado, é papel dos pais manterem essas tradições. Vemos cada vez mais o mundo criando as crianças e está tudo um caos emocional e mental grande parte por essa omissão dos pais em trazer presença e cadência pro dia a dia dos jovens. Ainda temos bancas de jornal com mangás, temos livrarias, temos locadoras, ainda temos tudo que tínhamos quando jovens, só que hoje os pais permitem os jovens terem acesso ao celular muito mais cedo, uma criança de 10 anos com um PS5 já em casa... a diversão nunca esteve somente na tecnologia de ponta, esteve principalmente nos momentos de conquista e de memórias compartilhadas, ainda é possível manter isso vivo.
Las Noches8 horas atrás
Quando me pego comparando o meu agora com o meu eu do passado, na sequencia vem esses momentos onde eu sentava na frente de casa, na calçada, junto com meus amigos e ficávamos falando de histórias de terror, riamos quando era algo muito bobo como o "CD da Xuxa ao contrario" ao contrario (apesar de eu ter muito medo), nos protegíamos quando acontecia algo sobrenatural conosco, de trocar cartucho de mega drive e jogar varias horas me divertindo, correr pra casa porque ia começar Tenchi Muyo....

Um dos vários fatores que me desanima do hoje é o fato que as coisas são tão efêmeras que eu perdi o interesse, isso somado aos problemas da vida adulta e encarar o fato de que nada desses bons momentos vão acontecer novamente, daquele jeito... Isso a luta pra sobreviver mais difícil pra mim porque, apesar de todo esforço, parece que o simples de antes era mil vezes melhor.

Então eu me adaptei, comecei a tentar resgatar esses momentos do jeito mais fiel que é possível: Ir na casa de um amigo jogar um vídeo game de tempos em tempos, chamar um amigo num final de semana pra sentar numa praça para conversar enquanto a gente vê a lua, as coisas que consumo serão consumidas de uma forma mais devagar para eu sentir de fato o prazer de ver/ouvir/jogar aquilo.

Eu sei e sinto como é desanimador pensar em viver num mundo onde é tudo acelerado, raso, sem sentido, parece que a gente não faz mais parte desse lugar, mas eu peço que você continue lutando, porque se você viveu aqueles momentos com tanto carinho e tem saudades deles, entenda primeiro que eles não voltaram exatamente daquele jeito porém você pode resgatar coisas próxima disso hoje em dia, basta você se adaptar e continuar tentando.