Quando eu era mais jovem, me convidaram para participar de um evento de jovens negros e GLBT. Quando me perguntaram o que eu queria ser no futuro, eu disse: “o rei do mundo”. Obviamente ninguém levou a sério. O mais próximo que poderia chegar seria um cargo de presidente, mas às vezes aquilo que parece piada faz com que um erro sistêmico ou social acabe te colocando em uma situação bem inusitada, pois o caso parece até nome de anime: “uma técnica de enfermagem que foi registrada como presidente da República por mais de 24 anos sem saber”.
A Carteira de Trabalho Digital começou sua migração oficial em 2019, integrada ao eSocial, embora o aplicativo já existisse desde 2017. Com a centralização digital dos dados, registros antigos passaram a aparecer automaticamente, revelando inconsistências que antes permaneciam invisíveis em sistemas descentralizados e dependentes de lançamentos manuais.
Segundo as notícias, o erro teria começado em 2002, durante um vínculo de trabalho na prefeitura de Jaboatão, o que sugere que o problema provavelmente nasceu em um cadastro antigo e ficou “adormecido” por décadas até a integração digital tornar tudo mais visível. Isso indica que a Carteira Digital talvez não tenha criado o erro, mas apenas revelado algo que já existia nos bancos de dados públicos.
Mas alguns animes mostram como a sociedade e o sistema conseguem ver você sem sequer te enxergar. The Eminence in Shadow → o mundo inteiro interpreta o protagonista como um estrategista supremo porque coincidências e “evidências” fazem o sistema validar essa mentira sem querer. Akudama Drive → uma garota comum é confundida com uma criminosa lendária porque entrou no lugar errado, e depois o próprio sistema passa a tratá-la oficialmente como aquilo. One Punch Man → o sistema de classificação dos heróis é tão falho e burocrático que o homem mais forte do planeta vira praticamente um desconhecido.
Tanto na ficção quanto na realidade, situações como essa levantam questionamentos sobre como alguém pode passar tanto tempo sem perceber um erro tão absurdo. Além disso, o problema pode ter surgido por falha humana, como erro de digitação, preenchimento automático incorreto, migração defeituosa entre sistemas ou até troca de ocupação, afinal, “Presidente da República” existe oficialmente o código nas tabelas trabalhistas.

Embora pareça engraçado, esse tipo de falha pode gerar consequências sérias, como dificuldades para conseguir emprego, que foi o que aconteceu com ela, problemas previdenciários, inconsistências no INSS, bloqueios em sistemas automatizados e até suspeitas de fraude. E existem diversos filmes, séries e animes que abordam esse tipo de caos potencial.
Fiquei sabendo de toda essa história por conta do Caduardo89, que lendo a matéria, o erro só foi descoberto justamente durante a busca por um novo trabalho. E, diga-se de passagem, pode-se dizer que quem avisou ela foi um bom samaritano, porque não é possível que nenhum RH tenha deixado de ter, no mínimo, uma reação cômica ao ler a ocupação dela na carteira de trabalho.
A digitalização trouxe praticidade, reduziu burocracias e integrou dados nacionais, mas também expôs a fragilidade de sistemas antigos e erros históricos que antes passavam despercebidos. Por isso, o caso parece ao mesmo tempo uma notícia real e algo saído de um anime onde sistemas falhos redefinem a identidade das pessoas sem que elas sequer percebam.
Mas e você, o que faria no seu primeiro dia de mandato como presidente?