Se você acha que Rick and Morty demora para lançar novas temporadas, talvez esteja na hora de conhecer Solar Opposites, uma animação de comédia e ficção científica adulta lançada em 2020. A série acompanha uma família de alienígenas do planeta Shlorp que cai na Terra depois da destruição do próprio mundo. A grande graça da animação vem justamente do choque entre os personagens e o cotidiano humano suburbano dos Estados Unidos. A série foi criada por Justin Roiland e Mike McMahan.

Uma das coisas mais importantes de entender sobre a série é que ela NÃO é simplesmente “um novo Rick and Morty”. Apesar do humor rápido, absurdo e da estética sci-fi caótica lembrarem bastante a outra produção, Solar Opposites possui uma identidade própria e uma estrutura muito diferente.

E se você ainda se pergunta se a série realmente vale a pena, existe um detalhe interessante: Justin Roiland é cocriador das duas animações, enquanto Mike McMahan trabalhou como roteirista e produtor em Rick and Morty antes de criar Solar Opposites.

Dentro da família alienígena, cada personagem representa uma forma diferente de enxergar os humanos. Korvo odeia a Terra e quer ir embora o mais rápido possível, mas esse objetivo constantemente entra em conflito com sua própria relação familiar. Já Terry ama cultura da humana e prova, a cada episódio, que talvez não seja tão difícil assim se adaptar à humanidade, a não ser quando sua própria família resolve causar o caos.

Com Jesse, tentando entender moralidade humana, percebemos que muitas vezes nem nós fazemos sentido. Já Yumyulack enxerga os humanos como experimentos, e isso leva a série para outro nível quando descobrimos um segredo escondido em seu quarto: “The Wall”.

Sem exagero, muita gente começou a assistir Solar Opposites pela comédia e acabou ficando pela história da parede. Dentro dela existe praticamente uma sociedade pós-apocalíptica completa, criando uma mistura de The Walking Dead com Mad Max dentro de uma sitcom alienígena. A trama ficou tão popular que acabou virando praticamente uma “segunda série” dentro da própria animação principal.

E depois de tudo isso percebemos que todo o caos da série é muito bem estruturado. Aos poucos, cada episódio deixa de parecer apenas humor aleatório e começa a construir uma reflexão sobre a própria humanidade de um jeito engraçado, como tem que ser. A animação consegue ser "leve" para quem só quer assistir algo divertido, mas também surpreendentemente profunda para quem gosta de histórias cheias de metáforas e questionamentos.

Os alienígenas começam vendo os humanos como criaturas inferiores, mas aos poucos percebem que estão se tornando emocionalmente humanos também. E é justamente essa transformação silenciosa que torna a série tão interessante.

A própria Hulu divulgou oficialmente que Solar Opposites foi uma das estreias de comédia original mais assistidas da plataforma na época do lançamento.

E quando alguém disser que desenho é coisa de criança, peça para assistir Solar Opposites. Provavelmente vocês vão terminar discutindo sobre humanidade, sociedade, família e até sobre o quanto o caos humano pode ser fascinante.

Mas aproveitando esse tema: o que você faria se um alienígena super inteligente fosse o seu vizinho… e quisesse desesperadamente voltar para casa?

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