Bunraku, de 2011, (trailer) me causa sentimentos ambíguos. Eu fiquei com vontade de falar sobre ele antes de ver e enquanto eu assistia. Depois de assistir, fiquei com preguiça de comentá-lo, porque seria uma tarefa quase tão chata quanto assistí-lo. Então, resolvi fazer isso rápido pra não deixar o blog muito tempo parado, porque, depois deste, tenho um post especial sobre o Gackt pra fazer!
Difícil dizer tudo o que este filme tem de errado. Muito mais fácil falar apenas o que tem de certo: a atuação decente do Woody Harrelson. Fora isso, a coisa é triste.
Os protagonistas Josh Hartnett e Gackt não atuam bem (o que, por seu Moon Child, de 2003, já era esperado). Aliás, todo mundo age estranho, como se fosse um personagem de anime. O que, pra mim, junto com todas as referências japonesas, deixou mais evidente que o filme é uma espécie de fantasia pessoal de um diretor nerd/otaku, no caso, Guy Moshe.
Foi ele quem bolou essa história desinteressante de um mundo que passou por uma terceira guerra mundial. Aí, de algum modo macabro, conseguiu-se desarmar a população. Mas o mundo passou a ser reinado por gangues que vivem brigando entre si por controle de território.
Pipocam elementos que fazem o filme ser levado cada vez menos a sério:
- Um visual exagerado e cartunescamente colorido;
- Montagens estranhas com CGIs e cenários montados em estúdio de aspecto artificial demais;
- Uma narração que não foi bem feita, é fútil e não utiliza a brilhante possibilidade do cinema de você mostrar algo ao invés de precisar falar;
- Sonoplastia por vezes tosca;
- Coreografias de luta fracas.
Este último item em especial é bem incômodo, uma vez que a história ruim não passa de uma mera desculpa exibir cenas de ação na concepção maluca do diretor. As coreografias ficam bem aquém, por exemplo, de outros filmes ocidentais, como O Vencedor (2010), ou de filmes orientais como Era Uma Vez na China (1991). Só pra citar dois dentre inúmeros exemplos.
Guy Moshe parece não saber sequer o básico de um filme de luta: que, se você não tem verdadeiros artistas marciais pra fazerem uma tremenda de uma coreografia, com uma performance incrível, você ainda pode ter o mais importante, a carga dramática que vai envolver o espectador e valorizar a ação.
Um excelente exemplo disso foi deixado por Bruce Lee, quando ele escreveu, dirigiu e protagonizou O Voo do Dragão em 1972. É aquele no qual ele luta contra o Chuck Norris no final. O que você espera de um filme do Bruce Lee? Que nos primeiros cinco minutos ele bata em pelo menos dez caras, certo? Pois nesse ele fez diferente. Num filme de 1h40min de duração, não temos nenhuma luta durante a primeira meia hora. E durante umas duas ou três vezes antes da primeira surra distribuida por Lee, você jura que a porradaria vai começar de vez, mas é só o Bruce te provocando. Essa preparação toda é um dos elementos mais legais de seu melhor filme.
“You sure avout this?” @ 1h57min24s
Aparentemente, Guy Moshe tem muito filme de luta/ação pra assistir e aprender mais macetes. Aliás, muito filme de qualquer gênero. Bunraku é muito ruim, penoso de assistir. Nota zero.
Em breve postarei uma opinião sobre a carreira musical do Gackt, que, naturalmente, nem se compara à cênica.
Publicação original de 30/09/2011. 4 imagens desta publicação não sobreviveram à migração de 2013.