Resenha de Ai o Tomenaide, de Koda Kumi (avex trax, 2011). Nota: 3,0.
Se vez ou outra a expressão “música pop” adquire tons de ofensa é por causa de artistas como a Koda Kumi. Überproduzida, moldada por pesquisas de mercado, como uma margarina ou algum lançamento imobiliário. Vai de vagabunda a recatada em questão de meses. Surpreendente que ela ainda engane alguém.
4 TIMES e POP DIVA (lançados este ano) eram ilustradas pela primeira, e mais comum, versão da moça. Pouca roupa e gestos eróticos com um sex appeal semlhante ao da minha escova de dente. Tudo ao som de um pancadão mabembe. Agora posa de beata na capa de Ai o Tomenaide, uma baba igual a todas aquelas que sua mãe cantarola junto às FMs pela manhã.
Ao menos, livre dos auto-tunes, Koda mostra que realmente tem alguma voz. “Anata Dake Ga”, tanto na versão orquestrada ou na embalada por uma music box, é menos perniciosa justamente pelo seu arranjo dispensar todas as convenções e cacoetes de baladões melosos como os usados na faixa-título.
Como regularmente quando se trata da Koda Kumi, Ai o Tomenaide é música estrategicamente produzida. Moldada por publicitários e agentes para ser mais flexível, insossa, inofensiva e asséptica possível. E nem a analisando estritamente por esse viés fica fácil passar incólume por essa montanha de enganações.
Publicação original de 30/09/2011.