Atenção: esta história contém violência, sexo, conflitos familiares, drogas

Leia antes os capítulos 0, 1, 2 e 3

Declínio, Cap. 4: Descanso sem paz

Alan Rosso, ainda sentindo os sintomas da X-18, preparava a X-19 como se ele não tivesse tempo a perder. Mas, no intervalo de um sintoma a outro, uma gangue liderada por um homem chamado Vallez invadiu o apartamento de Alan roubando todo o estoque que continha as drogas X.

― Mas o que aconteceu? ―, perguntou-se Alan, se lamentando pelo ocorrido.

“Me sinto totalmente perdido, não era para acontecer deste jeito, não foi assim que eu previ”. Sentado no chão da sala, onde antigamente continha todo o trabalho de sua vida, ele pensa em desistir, deita ao chão e se encolhe. “Estou sangrando, minha pressão está no limite, meu coração também não aguenta mais. Quer saber? Não tenho mais motivos para continuar, não lembro da ultima vez que sorri, não lembro da ultima vez que eu estive feliz, meu objetivo se tornou uma obsessão que me levou ainda mais para o fundo do poço, já não aguento mais”, lamentava, se encolhendo com o rosto no chão.

“Mãe, eu desisto, vou deitar aqui e deixar a morte vir...”, Alan se aquieta por cinco minutos e perde a consciência.

Os detetives escondidos no local indicado pelo informante esperam o distribuidor chegar para a negociação. Não foi preciso esperar muito: o carro chegou à porta do bordel, soou a buzina e seguiu para um beco que servia de moradia aos mendigos. Os detetives, posicionados, esperavam uma melhor hora. O “Grande” apareceu, cumprimentou o distribuidor e depois os dois seguiram em direção ao porta-malas. Pouco apressados, conversaram sobre o conteúdo que havia dentro de uma maleta. O “Grande” fez uma pergunta que o distribuidor não sabia responder, ele então pegou o celular e fez uma ligação, no maximo chamou três vezes, mas não teve tempo foram rendidos pelos detetives.

No apartamento, o sangue de Alan lentamente escorre pelo chão inclinado, seus batimentos cardíacos em zero, as extremidades de seu corpo já estão frias e seus olhos semiabertos, sem vida. Mas, mesmo com o corpo totalmente morto, sua boca se movimenta e solta algumas palavras:

― Uffa! Parece que deu certo. ― Alan se levanta com dificuldade e olha para si mesmo.

― Nossa, parece que o corpo já estava no limite faz tempo, o corpo aguentava enquanto ele estava determinado. Mas, assim que Alan desanimou de seu objetivo, seu corpo parou de funcionar. ―, disse um ser anônimo que, no momento, utilizava o corpo de Alan.

― Bom, pelo que me lembro, eu tenho 30 minutos para não deixá-lo morrer, fazer com que ele retome o ânimo, incentivá-lo a usar a X-15 junto com a X-16 além de se livrar dos policiais, será que vai dar tempo?

Utilizando o corpo de Alan como marionete e assoviando uma musica de Mozart, este ser anônimo se locomove livremente até o banheiro do apartamento, sobe no vaso sanitário, remove a tampa da descarga e tira de lá uma caixinha embrulhada por uma sacola plástica. Ainda cantarolando, ele se locomove agora calmamente para o laboratório, se senta em uma cadeira, abre a caixinha e olha três pílulas: a X-15, X-16 e X-08.

― X-16, a droga mais surreal criada por Alan Rosso. Quem não gostaria de dormir e estar totalmente consciente e controlando sua alma no mundo dos sonhos, como se estivesse acordado? Sim, a X-16 tem este incrível poder, chamado “Projeção Astral”. Bom, não tenho tempo a perder, então mãos à obra.

Enquanto isso, os detetives faziam seus movimentos, fiscalizavam todos os pertences do distribuidor e fecharam o Bordel do Grande. Com a ajuda da central, souberam a localização do último número discado do celular do distribuidor:

― Sim, sim, obrigado. ―, respondeu Silas, anotando em seu bloco de notas.

― Conseguiu? ―, perguntou Alex.

― Sim, o número é de um apartamento no bairro Tavares. Está no nome de um rapaz de 21 anos chamado Alan Rosso, chegaremos lá em 30 minutos.

― Estranho! Já ouvi falar deste nome. ―, disse Alex.

Laboratório escuro e silencioso, o soquete da lâmpada balançando e o corpo de Alan deixado ao chão. Um suspiro ofegante para fazer o pulmão trabalhar, seguido de uma tosse com finalidade de limpar o sangue parado na garganta, Alan estava retomando a consciência. Ele, sem se lembrar de nada, olha para as paredes tentando definir onde estava e o que estava fazendo ali. “Me lembro que, há alguns minutos, eu senti a morte me levando, mas agora estou aqui novamente neste inferno. Por que minhas mãos estão queimadas? Por que estou com sintomas de convulsão?”, pensa Alan olhando para suas mãos. “Eu fui eletrocutado, alguém me ressuscitou, deve ter sido isto, não há outra explicação”.

Alan se levantou com dificuldades se apoiando na parede e dirigiu-se ao banheiro. Ele precisava, antes de tudo, olhar para si mesmo no espelho e ver que estava vivo, e que aquilo não era ilusão. Ao chegar ao banheiro, outra surpresa: um bilhete pendurado no espelho que continha a seguinte frase:

E aí, tá melhor? Olha só, não esquenta pelo roubo, não vai atrapalhar nossos objetivos. Presta atenção, daqui a 20 minutos dois policiais estarão invadindo sua casa, se prepare. Agora, o mais importante: em cima da pia, há uma caixinha que contém três pílulas. Eu quero lhe dar uma ideia legal, misture a X-15 com a X-16 e confira o efeito que causa. Bom, boa sorte, até mais. Ah, use a X-08 contra os policiais, acho que será divertido. Ass: Alan Rosso.

“Como assim, um bilhete escrito por mim deixado a mim mesmo? Qual droga que causou isto? Eu estou maluco! Não, pensando melhor, faz um pouco de sentido, sim! O bilhete menciona a projeção astral e também que a X-15 prevê o futuro. Será que a mistura das duas pílulas causa o efeito que eu acabei de imaginar? Interessante, então não vou perder tempo.”

Alan se esforça para vencer o tempo, no laboratório ele dissolve as duas pílulas e da inicio à fusão das substâncias. Enquanto ele espera as gotas caírem do funil para o frasco, ele pensa na possibilidade do efeito. “A X-16 e x-15 são as únicas que não causam efeito colateral se forem usadas moderadamente. Imagino que o efeito desta mistura poderá fazer com que minha alma viaje no tempo, sendo assim não verei o futuro em imagens ou flash de memória, eu estarei consciente, também poderei aproveitar o poder do teletransporte da alma para ver ou escutar qualquer conversa, obter qual quer informação em qual quer lugar no futuro. Seria realmente incrível, como se meu corpo obtivesse o poder do teletransporte e a invisibilidade ao mesmo tempo.”

A nova pílula foi criada, chegou a hora de testar. Alan senta-se na cadeira, prepara um copo de água. Ele respira fundo e a ingere sem pensar duas vezes. Em menos de três segundos, ele está novamente inconsciente.

Continuação todas as sextas-feiras e semana que vem é o penúltimo capitulo.


Publicação original de 27/11/2010. 5 imagens desta publicação não sobreviveram à migração de 2013.

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