Atenção: esta história contém violência, sexo, conflitos familiares, drogas

Leia antes os capítulos 0 e 1

Cap. 3: Feliz aniversário

Um bordel escondido aos fundos de uma confecção estava com um ótimo movimento esta noite. O dono era um dos responsáveis pela distribuição das drogas X. Hoje ele estava sendo pressionado pelos clientes, pois a droga havia acabado. Então, como qualquer materialista comum, decidiu apressar o distribuidor.

Pelo telefone, o dono do estabelecimento marcou o lugar e o horário do encontro, mas não sabia que estava sendo vigiado por alguém.

O detetive, correndo pelos corredores da delegacia, tinha uma boa notícia ao seu parceiro, que buscava qualquer informação fazendo ligações para seus contatos e informantes:

― Temos uma pista ―, diz ele, com um endereço em mãos anotado em seu bloco de notas.

Alan, em seu laboratório, olha fixamente a fórmula da X-18 escrita em sua lousa. Ele apaga tudo e começa uma nova, nomeada como a X-19.

“Estou chegando perto, cada vez mais perto, eu não sei se isto está acontecendo de verdade, pois ainda estou sob os sintomas da X-18, mas não tenho tempo, tenho que terminar, três horas é o meu prazo para acontecer o que a X-15 me fez prever!”

Ele, concentrado e preocupado, escrevendo sua nova fórmula na lousa, escutou risos por suas costas. Ele estranhou, da primeira vez não olhou para trás, duvidou de seus ouvidos, então continuou. A nova fórmula era a mistura de substâncias inimagináveis, ele estava empolgado, acreditava estar alcançando seu objetivo. Ouviu risos novamente, parou por segundos, mas ignorou e continuou a escrever. Foi quando sentiu uma dor forte em sua perna esquerda e uma voz rouca e trêmula surgindo do nada:

― Vou precisar bater de novo, seu menino burro?! Não aprendeu a escrever direito.

Sua fórmula na lousa se transformou em um simples “A, B, C”. Olhou para o lado e viu sua professora do primário segurando uma régua de madeira com uma cara amedrontadora.

― Por que você esta olhando pra mim desta maneira? Seu retardado! Seu burro! ―, dizia a professora enquanto dava vários golpes em Alan com a régua. ― Você pensa que pode ser um herói, um grande cientista? Não passa de um retardado mesmo.

Ele, ao chão, apanhava como criança, enquanto escutava a classe toda rindo dele.

― Mãe! Mãe? ―, chamava a sua mãe e pedia ajuda olhando para a porta de saída da sala de aula.

― “Mãe”? Hahaha, ela não vem te buscar, não, hoje ela não vem. ―, dizia a professora rindo dele.

Céu vermelho, vento quente abafado, no lado de fora da escola estava o pequeno Alan, agora com 8 anos, sentado no balanço escutando os risos felizes das crianças correndo para seus pais.

― Hoje minha mãe está atrasada ―, diz ele, se balançando devagar enquanto olhava para o céu vermelho. ― Tudo bem, eu espero...

“Nuvens alaranjadas, formatos de animais, brinquedos, pessoas... Morte! Vejo o formato de pessoas mortas nas nuvens, será que tenho algo de errado? Era para eu ser mesmo assim?”

Um garoto que passava chutando as pedras do caminho olhou para Alan, que estava cabisbaixo no balanço:

― Ei, retardado! Quem você tá esperando?

― Minha mãe! Ela está atrasada, deve ter ido ao mercado...

Alan se empolgou com a conversa. Ele sempre foi tão solitário, nunca teve amigos. Enquanto Alan falava sobre sua mãe, o garoto se aproximava.

― ...Ela deve estar comprando os doces. Sabe, hoje vai ter festa em casa. Quer ir? É o aniversario da minha mãe. ―, disse Alan, sorrindo.

O garoto então atira uma pedra, acertando o rosto de Alan.

― Não vai ter nada, retardado, sua mãe está morta, você matou sua mãe, sua mãe está morta, você matou sua mãe...!

Juntou então mais de dez crianças repetindo as mesmas palavras e atirando pedras nele.

“Tremedeiras, boca seca, meu coração esta muito acelerado, o efeito da X-18 é incrível! Mesmo com os anticorpos e a vacina que injetei em mim antes de testá-la, ela me toma como se eu não tivesse me prevenido, imagino isto em uma pessoa normal, consome todos os neurônios de uma vez, o efeito já dura quatorze horas. Em duas horas e meia terei visitas, preciso terminar esta que será a ultima e completa X-19 e depois destruir as demais pílulas-teste”

Os detetives se chamam Alex e Silas, eles agora se encontram em um carro seguindo a pista dada pelo informante.

― Este caso esta me dando pesadelos, Alex ―, comenta Silas.

― Não é só a você, Silas. Depois que o filho do prefeito morreu ao usar esta droga, não consegui dormir direito com tanta pressão ― replicou Alex, sentado na direção. ― Estas “Drogas X” estão invadindo o mercado negro muito rapidamente, no início eram apenas algumas drogas com o mesmo efeito do ecstasy, não eram problema.

― Realmente não eram, mas teve que piorar! O criador as nomeia como X e o número em seguida indica a força do estrago que faz ao cérebro, pelo que entendi. Quanto maior o número, mais forte a droga. ―, diz Silas.

― A droga X-07 fez o filho do prefeito morrer sorrindo, qual serão os sintomas dela? ―, pergunta Alex.

― Não faço ideia. Mas isso não é o pior! Se tiver outras drogas com o número mais elevado que a X-07, teremos problemas...

― Vira aqui ―, diz Silas, apontando um beco escuro e cheio de lixo espalhado pelo chão.

― O que tem por aqui? O endereço não é a o bairro Sergalo? ―, pergunta Alex, manobrando o carro para o beco e diminuindo a velocidade.

― Marquei aqui com o informante.

O objetivo dos detetives era chegar ao núcleo do problema: o laboratório. A morte do filho do prefeito gerou uma recompensa pela cabeça de todos os responsáveis. Alan era o principal e eles estavam chegando até ele.

Alan deu uma pausa do trabalho, não conseguia se concentrar com o efeito da X-18 indo e voltando. Decidiu tomar um pouco de água. Enquanto bebia, viu pelo vidro embaçado do copo seu calendário na porta da geladeira com um número circulado em vermelho. Um sentimento nostálgico o toma completamente, trazendo a ele uma vontade de morrer sem ao menos completar o seu grande objetivo. Mas ele não pode se entregar agora, não agora, que esta tão perto. Ele sabe: o jeito é proseguir. Então ele lacrimeja com emoção e pensa: “Feliz aniversário, mãe”.

Continuação todas as sextas feiras


Publicação original de 29/10/2010. 5 imagens desta publicação não sobreviveram à migração de 2013.

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