A Microsoft prepara uma grande reformulação para o Windows 11 após anos de críticas envolvendo desempenho, estabilidade e excesso de recursos de inteligência artificial. Segundo informações publicadas pela Windows Central, a empresa iniciou internamente o projeto Windows K2, uma iniciativa focada em tornar o sistema mais rápido, leve e confiável.
Diferente do que muitos esperavam, o K2 não representa um Windows 12. A proposta é reformular gradualmente o próprio Windows 11, com mudanças distribuídas por atualizações incrementais entre o fim de 2026 e o início de 2027, sem exigir reinstalações completas do sistema.
O projeto gira em torno de três pilares principais: desempenho, confiabilidade e acabamento visual, chamado internamente de “craft”. Equipes específicas foram designadas para componentes como Menu Iniciar, Barra de Tarefas e Explorador de Arquivos, enquanto um quarto grupo trabalha na reaproximação da Microsoft com usuários avançados e a comunidade Insider.
A iniciativa surge após um período turbulento para o Windows 11. Ao longo de 2025, o sistema acumulou problemas envolvendo atualizações instáveis, falhas em webcams, erros de áudio USB, perda significativa de desempenho em jogos e até loops de inicialização causados por patches problemáticos.
A área gamer se tornou uma das prioridades centrais do projeto. Documentos internos citados pela Windows Central apontam que a Microsoft reconhece ter perdido terreno para o SteamOS em benchmarks recentes. O objetivo atual é alcançar desempenho equivalente ao sistema da Valve em hardware idêntico dentro de um prazo de até dois anos.

A promessa pode impactar especialmente usuários de dispositivos portáteis como o ROG Ally e notebooks gamer, onde cada ganho de desempenho faz diferença prática.
Outro alvo importante é o Explorador de Arquivos. A Microsoft trabalha em uma reestruturação profunda do File Explorer, incluindo um sistema de busca instantânea por nome de arquivo inspirado em ferramentas como Everything. O objetivo é eliminar a lentidão histórica da pesquisa nativa do Windows.
O Windows Update também passará por mudanças relevantes. Segundo os relatos, reinicializações obrigatórias serão reduzidas ao mínimo possível, enquanto atualizações de drivers poderão ser aplicadas sem interromper o uso ativo do computador. Usuários também terão mais liberdade para pausar updates por períodos maiores.
A interface visual receberá uma reconstrução significativa baseada no framework WinUI 3. O Menu Iniciar está sendo refeito do zero, com a promessa de desempenho até 60% mais rápido e novas opções de personalização, incluindo ocultar recomendações e reorganizar elementos da interface.
Uma das mudanças mais simbólicas envolve o fim dos anúncios no Menu Iniciar. A Microsoft também pretende reduzir a presença do feed do MSN nos Widgets e devolver recursos clássicos muito pedidos pelos usuários, como mover e redimensionar a Barra de Tarefas.

O projeto K2 ainda marca uma desaceleração na integração forçada de inteligência artificial ao sistema. Depois de expandir o Microsoft Copilot para várias áreas do Windows, a empresa agora pretende limitar o uso da IA apenas a funções consideradas realmente úteis.
Além disso, a Microsoft quer reduzir o consumo de memória em repouso, diminuir o tamanho geral da instalação do sistema e melhorar a experiência em PCs de entrada com 8 GB de RAM e dispositivos portáteis.
Internamente, o K2 também representa uma mudança cultural. A empresa estaria abandonando parcialmente a estratégia agressiva de atualizações rápidas e constantes para priorizar estabilidade e qualidade antes de liberar novos recursos ao público.
A Microsoft retomou inclusive encontros presenciais com membros do programa Windows Insider e ampliou a interação pública de engenheiros e executivos em redes sociais e fóruns, numa tentativa de reconstruir a confiança da comunidade.
Caso o cronograma seja mantido, o Windows 11 26H2 deve ser o primeiro grande marco visível dessa nova estratégia, previsto para o segundo semestre de 2026.