Eu cheguei na Blast por acidente, em 2006. Baixava ROM de Game Boy Advance num site parceiro daqui, e num certo dia começou a tocar uma música que eu nunca tinha ouvido nada parecido. Fiquei ali tentando entender o que era, até que o DJ entrou no ar.

Era o BuddyE, e ele era fã declarado de L'Arc-en-Ciel. Tocava muito. Foi a primeira banda japonesa que eu me lembro de ter ouvido, e gostei na primeira vez.

Vinte anos depois eu li a lista de headliners do Summer Sonic 2026 e tive que conferir a informação duas vezes.

Eles nunca tinham tocado lá

A banda existe desde 1991. É uma das maiores do rock japonês, já tocou em estádio no mundo inteiro, veio ao Brasil. E em 25 anos de Summer Sonic, nunca tinha subido num palco do festival.

A estreia acontece agora, direto como headliner, no ano em que o grupo completa 35 anos. Tocam em Osaka na sexta, dia 14, e em Tóquio no domingo, dia 16.

🎸

Se a conta não fechou: o festival estreou em 2000, mas 2020 foi cancelado e 2021 rolou com outro nome. Por isso 2026 é a 25ª edição e não a 27ª.

E tem uma segunda estreia, que talvez seja ainda maior

Em 25 anos, o Summer Sonic nunca tinha colocado um artista japonês no topo do cartaz. A função sempre foi de banda estrangeira, e o nome nacional aparecia mais embaixo por mais famoso que fosse.

Isso acaba agora com a Ado, que fecha o sábado em Tóquio e o domingo em Osaka. Ela chega depois de ter passado pelo Lollapalooza, e é difícil não ler isso como uma virada de chave sobre quem o mercado japonês considera grande o bastante.

O terceiro headliner é o The Strokes, que fecha a sexta em Tóquio e o sábado em Osaka.

Quem mais está lá

O resto do cartaz

O BABYMETAL tem função dupla: toca e ainda assina a curadoria do palco de metal, escolhendo quem sobe ali.

Do lado do K-pop vêm LE SSERAFIM, BABYMONSTER e a Jennie, do BLACKPINK. A Jennie faz uma coisa incomum: toca em Tóquio na sexta e em Osaka no domingo, duas datas separadas na mesma passagem.

Entre os japoneses aparecem BUMP OF CHICKEN, Sakanaction, Cornelius, MAN WITH A MISSION, Queen Bee, Kitani Tatsuya e Suchmos, esse só em Tóquio. Do lado internacional, Jamiroquai, Kasabian, Suede, David Byrne, FKA twigs, Steve Lacy e Machine Gun Kelly.

Tem também uma despedida no meio: o Kodaline anunciou o fim da banda, e a apresentação de sexta em Tóquio é o último show do grupo no Japão.

Como funciona e como acompanhar

O festival roda em dois lugares ao mesmo tempo. Em Chiba, no ZOZO Marine Stadium e no Makuhari Messe, e em Osaka, no Parque Memorial da Expo 70. Quem toca em Tóquio num dia toca em Osaka em outro, então as duas cidades recebem quase o mesmo cartaz em ordem trocada.

Os ingressos de três dias em Tóquio esgotaram e os de um dia estavam em falta na última atualização. A grade de horários de todos os palcos saiu em 17 de julho e está no site oficial.

Eu não vou estar lá, e provavelmente você também não. Mas tem uma coisa engraçada em saber que a banda que me fez ficar naquele stream em 2006 vai fechar, esse fim de semana, o maior festival do país de onde ela veio. Levou 35 anos pra acontecer.

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