Fala turma! Bão?!
Las Noches aqui e é o seguinte:

Survival Horror é o gênero que mais gosto no terror, e o único que consigo jogar por ser medroso. Seja por causa dos puzzles, que amo, seja pelo backtracking satisfatório, pela ambientação enigmática ou pela possibilidade de lutar contra criaturas ou entidades das quais normalmente você deveria fugir. Sejam quais forem os motivos, esse gênero ficou super popular com Resident Evil e Silent Hill, mas começou antes, com Sweet Home, de 1989, para Famicom em 2D, e Alone in the Dark, de 1992, para PC. Até hoje, continua muito em alta e amado por muita gente.

O jogo que vamos analisar hoje honra muito bem o gênero e serve até como porta de entrada para quem quer experimentar esse estilo de gameplay. Então, sobrevivente, pegue sua mochila, uma lanterna e verifique se seu fusca está com combustível, pois vamos falar de Subversive Memories.

*Essa análise contém alguns spoilers bem pontuais sobre o jogo e nenhum sobre os puzzles, visando não estragar sua experiência.

É um jogo do gênero Survival Horror e terror psicológico, desenvolvido e publicado pela Southward Studio, um estúdio brasileiro, no dia 8 de abril de 2026 para Steam.

"Subversive Memories é um survival horror focado em história, ambientado no Brasil durante a última ditadura militar. Explore os porões de um regime opressor, fuja de presenças sinistras e vasculhe cada canto desse mundo em busca de seu ██████."

O Começo da Busca

O jogo é bem inspirado pelos clássicos do PS1 do mesmo gênero. Você tem um visual 3D retrô característico que funciona muito bem para a ambientação, recursos escassos e o amado backtracking, que consiste em ir e voltar com itens para abrir caminhos e resolver puzzles. Se você procura algo com a mesma vibe de Resident Evil e Silent Hill, aqui você está bem servido. É um jogo relativamente escuro, pois a mecânica principal é a luz, o que proporciona alguns sustos por você ser pego desprevenido.

A Renata, nossa protagonista, é do tipo que começa simples e termina complexa. Isso poderia dar errado e trazer confusão, mas, por causa do tamanho da campanha e de como nos é apresentado seu passado, tudo fica bem amarrado. Junta-se a isso o cenário brasileiro, com muitas referências ao lar e aos costumes da época, como os anos 60, 70 e 80. Quem tem contato com casas antigas ou visita avós vai se sentir bem representado. Porém, como estamos falando de um jogo de horror, também temos o segundo tema principal, além da protagonista e seu passado: a Ditadura Militar, que foi um período muito sombrio da nossa história e foi utilizado de forma muito eficaz no jogo.

A História Sombria

A história começa com um acidente enquanto você vai até a única pista que tem sobre seu passado, uma base de pesquisa militar que agora está abandonada. Quanto mais ela investiga, mais presa a esse lugar ela fica. No começo, achei um pouco confuso e não entendia bem o que estava acontecendo, até o primeiro flashback.

A história é contada por meio de documentos e de flashbacks da protagonista e de algumas vítimas-chave, que você pode acessar usando velas que acalmam esses espíritos. Conforme você acessa mais memórias, vai ficando mais claro o que aconteceu naquele local e qual é sua ligação com ele. Isso facilita para quem não costuma anotar tudo, mas ainda assim recomendo fortemente que anote nomes e informações. Fazer seu próprio quadro de investigação dá ainda mais profundidade e é muito satisfatório descobrir quem é quem na história e qual era seu papel.

Sobre o outro lado da trama, a ditadura militar é retratada de forma bem crua. Não é explícito, mas é bem claro dentro da proposta do jogo. Questões como tortura, manipulação de narrativa e acusações sem base aparecem sob uma visão distorcida de amor à pátria e dever com o povo brasileiro. Para os mais jovens ou estrangeiros, pode ser pesado, mas para quem já estudou ou ouviu relatos sobre o período, a sensação de crueldade fica ainda mais intensa.

O jogo se passa quase inteiramente na base, com alguns momentos em cenários específicos, como a casa dos avós da Renata. Apesar de pouca interação, limitada a objetos-chave, os ambientes são cheios de referências à época, como fuscas na garagem e o clássico filtro de barro. Também há a tradicional sala de save, bem característica desse tipo de jogo. O ritmo depende de sua familiaridade com puzzles, podendo levar em torno de cinco horas ou um pouco mais para terminar, com possibilidade de finais diferentes.

Sobrevivendo à Ameaça Quase Invisível

Puzzles... EU AMO PUZZLES! Desde o primeiro Resident Evil, sempre gostei de encontrar pistas, conectar informações e correr para resolver enigmas. Com o tempo, passei a gostar ainda mais de desafios lógicos, e esse jogo faz uma excelente implementação deles.

Você deve prestar atenção em todos os documentos, pois muitas informações são importantes para resolver enigmas ou entender a história. Prepare um caderno ou sua memória. Inclusive, fiquei preso em um puzzle por bastante tempo por não lembrar de um detalhe próximo. Resolver esses desafios é muito satisfatório, e a dificuldade é equilibrada. Há backtracking, mas nada daquele estilo repetitivo de procurar chave dentro de chave de forma preguiçosa.

A lanterna é a mecânica principal. Ela funciona como arma, fonte de visão e ferramenta para puzzles. Para enfrentar inimigos, que são espíritos atormentados, você usa o flash da lanterna, que causa dano, consumindo bateria. Quando a bateria acaba, ela recarrega até um mínimo, mas nesse período você fica vulnerável. As baterias funcionam como munição e são relativamente escassas, mas não chegam a dificultar demais.

Os inimigos aparecem de forma pontual. Em geral, são lentos, mas têm uma vantagem importante: são invisíveis. Você só os percebe pela sombra projetada pela lanterna. Isso gera sustos interessantes e momentos de tensão.

O jogo conta com um mapa funcional e um inventário confortável, que não limita muito o jogador. Os itens são icônicos, como dipirona para recuperar vida, velas para acalmar espíritos e cartas do jogo do bicho como colecionáveis.

É um jogo mais focado em investigação e horror. Eu gostaria de ver um pouco mais de inimigos para aumentar a sensação de escassez, mas, mesmo assim, funciona muito bem.

O Visual dos Tempos Sombrios

A direção de arte é muito competente. O uso da Unreal Engine contribui para uma ambientação forte, com cenários sombrios e iluminação estratégica. A estética inspirada no PS1 funciona perfeitamente para a proposta e traz uma sensação nostálgica do início ao fim.

Os elementos dos cenários são bem construídos, sem exageros e com um toque minimalista. Porém, há um pequeno problema no sombreamento. Em alguns momentos, mesmo com iluminação, fica difícil enxergar, especialmente em áreas inferiores ou salas específicas. Nada que comprometa a experiência, mas pode incomodar em certos pontos.

O Grito dos Inocentes

A trilha sonora segue a linha dos clássicos do gênero. A música da sala de save é excelente e muito agradável de ouvir. As músicas de combate e ambientação também cumprem bem o papel.

Os áudios gravados são bastante imersivos, com rádios transmitindo notícias da época e televisões exibindo conteúdos que ajudam na ambientação. Já os efeitos sonoros, como o da lanterna, soam um pouco genéricos.

Conclusão

Mais um jogo que honra suas origens e, ao mesmo tempo, constrói sua própria identidade. Apesar de curto e com pequenos pontos a melhorar, é um jogo muito envolvente, daqueles que você começa e não quer parar.

A descoberta da história é satisfatória, e o jogo não trata o jogador como incapaz, permitindo que ele investigue e entenda tudo com dicas sutis. Se você nunca jogou Resident Evil ou Silent Hill e quer começar no gênero, esse jogo é altamente recomendado, até mesmo para quem é mais medroso.

A história é forte, pesada e realista, sem se tornar cansativa. O final pode parecer um pouco ambíguo, mas não chega a comprometer. Para um primeiro jogo do estúdio, o resultado é excelente.

O jogo está disponível na Steam por um preço justo. Coloque na sua wishlist se não for adquirir agora e não esqueça de deixar sua review ao terminar. Isso ajuda muito os desenvolvedores e aumenta a visibilidade do jogo.

Muito obrigado por ler. Me diga, qual jogo desse gênero você mais gosta? Se interessou por esse?

Não se esqueça dos seus equipamentos e das suas anotações. Te vejo por aí... se você sobreviver até lá.

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Comentários
1 comentários
Joke5 meses atrás
Top demais!