Fala pessoal, bão?!
Las Noches aqui e é o seguinte:
2025 ta sendo um ano magnifico para videogames, principalmente jogos indie e AA.
Blue Prince, Clair Obscure: Expedition 33, Hollow Knight: Silksong, Detalrune, R.E.P.O., PEAK e muito mais!
E para nós que amamos games, só ganhamos com isso, ainda mais que os AAA não tem sido lá grandes coisas.
Por isso nessa review trago mais um jogo incrivel que tive a oportunidade de testar e sem seguida zerar, e que pra mim entrou na minha lista de "Jogos Que Vou Sempre Lembrar e Indicar".
Sejam Bem Vindos a Review de Concierge.

*Essa review foi feita com acesso antecipado, então algumas coisas podem ter ficado ainda melhores depois que esse material foi publicado.
**Essa análise foi terá alguns spoilers sobre o jogo mas são coisa bem pontuais, visando não estragar sua experiencia.
CONCIERGE é um jogo estilo Point-and-Click, Mistério com estilo de narrativa Não Linear, desenvolvido pela KODINO Artes e publicado pela Digital Tribe Games no dia 17 de Setembro de 2025, lançado para PC via Steam.
Concierge é uma aventura de suspense desafiante e não-linear que se passa em um hotel abandonado. Descubra sua identidade e explore seu propósito em um mundo surrealista de quebra-cabeças e provações de todo tipo. Aqui, você nunca está só."
— Descrição do jogo na Steam
O jogo te puxa pra um hotel estranho, com memórias enigmaticas e uma busca por algum tipo de resposta, seja ela fisica ou emocional. É sobre se achar enquanto se perde e manter o foco enquanto o mundo a sua volta é um caos...
O Despertar da Confusão
Tudo começa quando você acorda de um sonho estranho em um quarto simples e antigo. Caminha até a janela e vê alguém do lado de fora enquanto neva. Você volta a sentar na cama para pensar no que fazer, e assim a gameplay começa.

O jeito como descrevo não faz jus ao sentimento de presenciar essa cena — e esse, inclusive, é o maior desafio desta review. Essa introdução simples já foi suficiente para capturar minha atenção, pois, além de entregar toda a atmosfera do jogo dali em diante, implanta diversas interrogações na sua cabeça, exatamente como a descrição da Steam promete.
Você começa em um quarto com um quadro de anotações, um caderno que vai sendo preenchido de memórias (possivelmente suas?), sua cama e a chave do quarto. A partir daí, explora o hotel no sistema de point-and-click, coleta itens, encontra chaves de outros quartos e vasculha documentos em busca de respostas.
O jogo não traz tutoriais com caixas de diálogo expositivas, setas amarelas ou bússolas. Com apenas a chave inicial e o quarto, você já entende completamente como ele funciona. Um ótimo exemplo de level design, senhoras e senhores.
Logo você encontra a mecânica principal: a Filmadora Parasonik (entendeu a referência?). Com ela, é possível enxergar o que os olhos não veriam — revelando bizarrices que introduzem o aspecto do horror surrealista. A câmera abre outra camada do mesmo ambiente e também acessa os Mundos dos Hóspedes, desbloqueados conforme a investigação avança. Esses mundos funcionam como minigames que aprofundam a personalidade de cada hóspede investigado. Ao vencê-los, novas peças da história se revelam.
E se puzzles não são o seu forte, não se preocupe: os devs incluíram uma forma de ajuda — por um preço. Logo você encontra um telefone, e discando o número certo, recebe uma dica para o enigma atual. O custo? Uma moeda, recurso limitado encontrado na exploração. Isso adiciona a dúvida: “Será que gasto agora?”
Esse é o fluxo: explore, resolva puzzles, entre nos minigames, descubra mais da história. A estrutura é simples, mas o ritmo é tão bem trabalhado que você só percebe isso perto do final. Outro ponto positivo é a progressão não linear: você pode avançar no seu ritmo, com apenas alguns pontos-chave obrigatórios (os minigames). O jogo recompensa intuição e até tentativas “malucas”, rendendo cenas extras divertidas e inesperadas.
A Melancolia de um Lugar Abandonado
A ambientação é absurdamente bem feita. Cada cômodo transborda personalidade, mesmo com simplicidade. Isso graças à composição detalhada: salas, sons ambientes, efeitos sonoros e a arte pintada à mão criam uma atmosfera de melancolia, estranheza e até paranoia.

Concierge não precisa de monstros nem jumpscares baratos. O medo vem do desconhecido e do incompreensível.
O áudio é, sem dúvida, o meu aspecto favorito. Em entrevista à Rádio AMC, os devs explicaram que usaram sons gratuitos retrabalhados e também gravaram áudios originais para maior coerência. E valeu a pena: ferro, madeira, plantas, vidro — tudo tem efeitos sonoros próprios, com variações como madeira oca ou maciça, adicionando profundidade à imersão.
O ambiente sonoro é perturbador: piso rangendo, passos atrás das paredes, uma vitrola velha tocando… tudo incrível. A trilha sonora entra pontualmente para reforçar momentos específicos, com direito até a uma valsa e uma música brasileira inesperada.
Uma História Sobre Arte
A parte mais difícil desse texto é essa, falar sobre a história é muito difícil sem spoilers e por alguns fatores, um deles é principalmente o princípio da narrativa: você montar ela e interpretá-la à sua maneira. Então farei o meu melhor.

Como disse anteriormente e agora com mais detalhes, em Concierge controlamos um homem idoso e misterioso que desperta no enigmático quarto 6 de um hotel abandonado. Sem respostas sobre quem é ou como chegou ali, resta apenas a visão de um dia chuvoso pela janela, que marca o início de uma jornada cercada de dúvidas.
A atmosfera pesada se impõe desde o começo: o vento cortante, a nevasca intensa e a mensagem inquietante “Eles estão aqui” revelam o tom sombrio da narrativa, onde você logo pensa "mas... eles quem?". Buscando por respostas, o protagonista parte para explorar os quatro andares do hotel, cada um repleto de segredos e fragmentos de memórias. Corredores estreitos que exibem símbolos enigmáticos, portas trancadas escondendo mistérios perturbadores e sons sutis sugerindo presenças invisíveis. O hotel assume quase o papel de um personagem, transpirando solidão, estranheza e incerteza entre realidade e delírio. Enquanto você? Você vai ligando os pontos, vai sendo mais engolido pelo passado e, quanto mais descobre sobre si mesmo, mais sente que está se afogando na mente de um homem cheio de defeitos, de labirintos emocionais e de desejos não saciados.
Durante a jornada eu senti medo, ansiedade e angústia. Eu tomei sustos, ri, contemplei e bati um papo com o Hoteleiro sobre a vida... ou será que era comigo mesmo? E quando cheguei no fim, além da busca pessoal, fui espectador e ator de um subtexto (pelo menos na minha visão) sobre Arte e se expressar, sobre fazer o que você sente que tem que fazer e não o que lhe rende mais, mas encarar as consequências amargas desse caminho. Eu adorei como foi conduzida a história e a ousadia de como ela foi imposta a mim.
Conclusão
“Nos pequenos frascos se acham os melhores perfumes” — é essa a frase? Não sei, mas este jogo esconde mais do que mostra à primeira vista. Você pode ver o point-and-click, o sistema de inventário minimalista e não dar nada ao jogo... o que seria um grande erro. Concierge te instiga a investigar, a anotar, a tirar fotos, a parar para pensar e a se deixar perder; essa é a graça do jogo, e quanto mais você entra nessa brincadeira, mais é recompensado, gerando um forte fator de replay. Na minha opinião, você deve jogar este jogo num dia tranquilo, sem pressa de zerar e com papel e caneta em mãos, porque vai se divertir e refletir muito. Eu terminei o jogo com um sentimento bem satisfatório e com vontade de voltar — garanto que você também terá.
Super recomendável, ultrabarato em comparação ao que proporciona e com muito carinho envolvido, um ótimo jogo por fim.
Se você gostou dessa review, experimente dá uma olhada nas outras postadas, pode dar sua opinião sobre o que achou do jogo e a gente vai debatendo aqui!
Adiquira o jogo pela Steam Aqui
Muito obrigado por ler e tenha uma ótima estadia.