Quando penso em como conheci a Rede Blast, percebo que minhas lembranças já não são tão nítidas quanto eu gostaria. Minha memória guarda fragmentos de uma época em que eu, como tantos outros jovens apaixonados por animes e cultura geek, procurava um lugar onde pudesse me sentir representado.
Se a memória não me trai, meu primeiro contato aconteceu durante um evento de anime e cultura geek realizado na faculdade. Acredito que a trilha sonora do evento fosse da Rede Blast, embora eu não possa afirmar isso com absoluta certeza. O que sei é que, pouco tempo depois, comecei a procurar aquela programação e encontrei muito mais do que uma rádio.
Naquela época, ouvir músicas de animes, games e da cultura japonesa não era algo tão simples. A Rede Blast oferecia exatamente aquilo que eu procurava, mas logo percebi que ela não era apenas uma programação musical. Ela reunia pessoas apaixonadas pelos mesmos interesses, mostrando que aquele universo, muitas vezes tratado apenas como um hobby, também podia ser um espaço de convivência, amizade e pertencimento. De certa forma, a Blast representava uma resistência cultural, provando que existia espaço para quem vivia essa paixão.

Com o passar do tempo, deixei de ser apenas um ouvinte. Tive a oportunidade de fazer parte da equipe, escrever matérias, compartilhar recomendações, produzir conteúdo e apresentar o Cerejeira Cast, um projeto pelo qual tenho um carinho enorme e que espero, sinceramente, voltar a apresentar um dia. Na época, dividia a apresentação com minha amiga de longa data, Cris Lewer, que, assim como eu, continua atuando na redação da Blast.
Entre tantas experiências, uma permanece muito viva na minha memória: o especial de Dia dos Pais. Naquele programa tive o privilégio de entrevistar o meu pai. Durante nossa conversa falamos sobre National Kid, e foi emocionante descobrir detalhes da infância dele que eu desconhecia.
Na infância, a família do meu pai não tinha televisão. Por isso, ele assistia à série na casa de um amigo cuja família era japonesa. Felizmente, essa realidade mudou com o passar dos anos. Lembro que, quando a TV por assinatura chegou ao nosso bairro, fomos uma das primeiras famílias a tê-la. Para mim, isso significou a oportunidade de assistir a muito mais desenhos. Diferentemente dos dias de hoje, em que basta acessar a internet para assistir ao que queremos, naquela época era preciso decorar os horários da programação para não perder um episódio. Pensando bem... acho que essa lembrança denuncia um pouco a minha idade! 😂🤣😂🤣

Brincadeiras à parte, aquela conversa com meu pai me fez perceber que talvez minha aproximação com a cultura japonesa tenha começado muito antes do que eu imaginava, influenciada pelas experiências que ele viveu quando criança e que, de alguma forma, acabaram chegando até mim.
Mas a Rede Blast me proporcionou muito mais do que boas lembranças diante de um microfone.
Com isso também conheci parceiros de trabalho e vivi experiências que talvez nunca tivesse imaginado. Entre elas, participar de um ensaio fotográfico e atuar como jurado em um desfile de moda representando a Blast. Ter a oportunidade de apresentar esse universo para pessoas que normalmente não faziam parte dele foi incrível. Sempre acreditei que a cultura geek não deve existir apenas dentro da própria comunidade. Também é importante apresentá-la para quem ainda não a conhece, quebrando preconceitos e aproximando pessoas.

Tenho orgulho de dizer que acompanhei parte dessa caminhada quando muitos eventos ainda reuniam apenas algumas centenas de participantes. Hoje eles recebem milhares de visitantes, e é gratificante olhar para trás e perceber que estive presente durante esse crescimento. Ver essa comunidade se fortalecer ao longo dos anos é motivo de alegria.
Entre todas as lembranças, existe uma que ocupa um lugar muito especial no meu coração: a oportunidade de apresentar um programa ao lado do meu filho.
Quando eu era criança, tive a oportunidade de ver meus pais trabalhando. Essas lembranças ficaram guardadas comigo. Anos depois, foi a vez do meu filho acompanhar um pouco daquilo que faço. Ele já me viu escrevendo matérias, livros, compondo músicas e realizando diferentes trabalhos e projetos. Poder compartilhar também esse momento na Rede Blast teve um significado enorme.
Atuar na Blast foi a realização de um sonho. Um sonho que tive a oportunidade de dividir com meu filho, com minha família e com meus amigos. Espero que, no futuro, ele se lembre desses momentos com o mesmo carinho que guardo das lembranças dos meus pais. Talvez esse seja um dos maiores legados que possamos deixar: mostrar que vale a pena dedicar parte da nossa vida àquilo que realmente amamos.

Ao olhar para trás, percebo que a Rede Blast foi muito mais do que uma rádio ou um portal de notícias. Ela foi um ponto de encontro, um espaço onde fiz amigos, aprendi, cresci, compartilhei ideias e vivi momentos que levarei para sempre comigo. Cada matéria escrita, cada programa apresentado, cada conversa e cada projeto fizeram parte da pessoa que me tornei.
E, para terminar, como de costume, gostaria de deixar uma recomendação.
Parei para pensar no que realmente gostaria de indicar. Espero que você não se espante, mas acho melhor deixar a maioria das recomendações para outro momento. Afinal, sempre que termino uma lista de animes de que gosto, lembro de mais um... e depois de mais outro! 🤣😂😂🤣
Mas, pensando especificamente nesta matéria, gostaria de recomendar The Ossan Newbie Adventurer, Trained to Death by the Most Powerful Party, Became Invincible, especialmente o quarto episódio.
Existe uma frase nessa obra que considero muito especial:
"Por que deveria importar quantos anos você tem se você quer começar uma coisa nova?"

Essa mensagem conversa profundamente com tudo o que vivi.
Nem sempre as pessoas conseguem realizar exatamente o sonho que carregam no coração. Algumas possuem talento natural. Outras precisam estudar mais, treinar mais ou encontrar caminhos diferentes. Há também quem descubra que pode contribuir de outra maneira, sem abandonar aquilo que ama.
O importante é não desistir apenas porque o caminho parece difícil ou porque você acredita que começou tarde demais.
E, se os seus sonhos forem simples, isso também está tudo bem. Nem toda felicidade precisa nascer de grandes ambições. Às vezes, basta fazer aquilo que nos faz bem, sempre procurando agir de um jeito que permita ao nosso eu do futuro agradecer pelas escolhas que fazemos hoje.
Porque, no fim das contas, essa talvez seja a pergunta mais importante de todas, o seu eu de hoje está tomando decisões das quais o seu eu do futuro terá orgulho?