VOCÊ TAMBÉM ESPEROU A SUA CARTA DE HOGWARTS? Se a resposta for sim, prepara o coração, porque o papo de hoje foi feito sob medida para você! Eu tive a honra de entrevistar a incrível Priscila Tostes, a mente brilhante por trás da saga nacional de romantasia que está conquistando todo mundo: Filha da Alquimia! Conversamos sobre as inspirações por trás do Instituto Cornelius Agrippa, os bastidores reais (e as várias reescritas!) dos protagonistas, e como uma ideia que nasceu às 3h da manhã se transformou em um universo rico baseado em pesquisas reais sobre Hipócrates e a história da alquimia.
Antes de ler a entrevista completa aqui embaixo, dá o play no vídeo para ouvir o recado especial que ela deixou para vocês!
A partir de agora você entra em um território perigosamente incrível, mas que pode ter spoilers! Boa leitura!
HANA ENTREVISTA: PRISCILA TOSTES
[Hana] Priscila, como nasceu sua paixão pela escrita e pela fantasia?
[Priscila Tostes] Minha paixão pela escrita nasceu no momento em que aprendi a ler. Sempre fui uma leitora ávida desde criança, em parte por crescer sem uma televisão em casa, e escrevia vários textos pequenos desde sempre. Mas foi só aos 15 anos, quando comecei a escrever Fanfics que percebi que realmente gostava de ser escritora e, aos 25, foi que senti que esse era o meu propósito.
[Hana] Quando você teve a ideia inicial para a saga Filha da Alquimia?
[Priscila Tostes] Quando senti que ser escritora era o meu propósito. Eu estava no meio de um ano sabático, tinha várias formações e cursos, mas não conseguia exercer nenhuma por muito tempo. A ansiedade já estava me consumindo porque eu sentia que precisava de construir uma carreira, mas nada do que eu tentava me fazia realmente feliz. Até que voltei a escrever fanfics para relaxar e um dia, às 3h da manhã a ideia de Filha da Alquimia praticamente me acordou. Anotei tudo juntando elementos e assuntos que eu tinha aprendido e colecionado conhecimento ao longo da vida como: alquimia, teoria dos quatro temperamentos e minha paixão por Harry Potter e no dia seguinte os primeiros capítulos de Tocada Pelo Ar nasceram. Dali em diante eu soube que queria escrever a sério e original meu.
[Hana] Por que escolheu a alquimia como pano de fundo da sua história?
[Priscila Tostes] Quando eu tinha 9 anos de idade li um livro nacional chamado “Marvin – O Aprendiz de alquimista” e dali em diante o tema se tornou um hiperfoco. Sempre tentei escrever histórias com esse tema, mas nunca sentia que estava realmente preparada até Filha da Alquimia chegar.
[Hana] Na saga, somos apresentados ao Instituto Cornelius Agrippa. Teve alguma inspiração real ou literária para a construção da escola de Alquimia?
[Priscila Tostes] Nenhuma em específico. Eu sempre amei enredos colegiais e queria trazer essa vibe para minha primeira história.
[Hana] Você realizou alguma pesquisa histórica ou filosófica para construir o universo da história?
[Priscila Tostes] Muitas! Principalmente sobre a história da alquimia. Tudo o que eu crio na fantasia tem um fundo de verdade e alguma explicação lógica dentro daquele mundo. Para desenvolver essa saga precisei ir á fundo em assuntos como: alquimia, teoria dos quatro temperamentos, alquimia como religião e até alguns artigos de medicina e filosofia sobre Hipócrates e outros filósofos. Tudo para conseguir explicar com coerência como os poderes elementais funcionam em um organismo alquimista ou como foi “possível” criar um homúnculo nos dias de hoje.
[Hana] A Verônica é uma protagonista forte e que lida com muitos conflitos internos. Como foi construí-la?
[Priscila Tostes] O desafio foi enorme. Verô foi minha primeira protagonista a sério e ela tem muito de mim, então quando alguém não gosta dela, provavelmente está julgando algum medo ou fraqueza que tenho ou já tive na adolescência. Também foi difícil criar uma protagonista que não despertasse a raiva ou a indiferença dos leitores, como normalmente acontece. Até o momento deu tudo certo, espero que as pessoas continuem entendendo e acolhendo ela mesmo em seus momentos imperfeitos.
[Hana] A relação entre Verônica e Dorian é envolvente e cheia de tensão. Como você desenvolveu essa conexão entre eles?
[Priscila Tostes] Precisei de 3 reescritas para essa relação funcionar. Quando se é uma escritora iniciante é muito fácil cair em clichês de filmes dos anos 2000, já que foi o que crescemos lendo e assistindo. E leva um tempo e muito estudo de escrita e desenvolvimento de personagens para se desconectar dessas referências. O Dorian das versões anteriores era convencido, insistente quando ouvia um “não” e fazia o estilo do garoto que faz uma aposta para levar a protagonista ao baile. Por sorte, tive tempo para estudar a reação dos leitores, descontruir minhas referências e recriar algo que leve uma influência saudável para as meninas mais novas que estão lendo a saga. Nessa versão oficial tudo deu certo, sinto que a construção deles como casal segue a imagem que eu queria contruir e os leitores entendem isso perfeitamente.
[Hana] Qual foi o seu maior desafio com a escrita da saga até agora?
[Priscila Tostes] Lidar com a Síndrome do Impostor e me sentir segura com minhas decisões no enredo.
[Hana] Existe algum personagem que seja seu favorito pessoal?
[Priscila Tostes] Não consigo escolher só um porque tenho vários xodós nessa saga, mas diria que Verô, Dorian e o Esquadrão Jujuba são os meus protegidos (isso não significa que vão chegar vivos até o fim da saga kkkk)
[Hana] A saga já tem um número de livros definido, ou está sendo construída conforme a história se desenrola?
[Priscila Tostes] São 5 livros contando a história da Verô, um para cada elemento, alguns contos de casais secundários que sempre vou publicando no intervalo entre um livro e outro. Talvez venha um spin-off de outra personagem com livro único entre o lançamento dos livros 3 e 4.
[Hana] Como está o processo de escrita do terceiro livro? Pode nos dar um gostinho do que vem por aí?
[Priscila Tostes] No momento estou de férias de FDA, publicar um calhamaço de 700 páginas cansa haha. Enquanto descanso, estou me dedicando a um projeto novo que é livro único e tem fantasia também. Em setembro começo a escrever o livro 3, mas já tenho os principais pontos dele planejados. Só digo uma coisa: o que veio até aqui foi só o aquecimento, se preparem para algumas revelações de cair o queixo, temos plot twists desde os primeiros capítulos até o último.
[Hana] Como é o seu processo criativo? Você escreve com planejamento ou deixa a história te surpreender?
[Priscila Tostes] Sou o que chamam de escritor paisagista, metade jardineira que não planeja nada e metade arquiteta que planeja tudo. Eu preciso ter uma base para saber para onde a história vai e uma construção de mundo e personagens minimamente definidos, mas esse planejamento não pode ser muito engessado ou não consigo evoluir.
[Hana] Tem alguma rotina ou ritual na hora de escrever?
[Priscila Tostes] Normalmente escrevo à noite, de preferência de madrugada, acendo uma vela aromática para os deuses da escrita e deixo um chocolatinho do lado para me incentivar.
[Hana] Você tem autores ou livros que te inspiraram na construção desse universo? Quais?
[Priscila Tostes] Estou constantemente me inspirando em escritores diversos, nacionais e gringos. Mas não tenho um em específico, gosto de pensar que a cada livro que leio aprendo um pouco com a técnica do autor que o escreveu e isso impacta em minhas próprias histórias.
[Hana] Como tem sido o retorno dos leitores desde o lançamento do primeiro livro?
[Priscila Tostes] Maravilhoso! Sou muito grata por ter uma comunidade de leitores que me apoia e sonha junto comigo. Muitos deles não costumavam nem comprar ebooks da Amazon, mas sempre estão lá nos lançamentos de FDA. São os melhores leitores do mundo!
[Hana] Como você enxerga o cenário da fantasia nacional hoje? Você enfrenta ou enfrentou algum desafio sendo autora brasileira?
[Priscila Tostes] Enfrento o desafio básico de todo autor nacional: muita gente não da nada para o livro por ser nacional e depois se surpreende. Sempre escrevem isso nas resenhas. A verdade é que enfrento mais desafios por ser uma mulher escritora. É aquela história: nem todo homem, mas sempre um homem. A partir do momento em que você escolhe escrever fantasia, principalmente um tema como a alquimia sempre tem algum escritor que não leu meu livro, não me conhece, mas quer me ensinar a escrevê-lo seguindo as regras do último anime que ele assistiu com o mesmo tema. Também já ouvi algumas frases como: “Se eu fosse mulher como você, venderia meu livro fácil. Era só ser bonito e aparecer de roupa curta no Tiktok.” Felizmente já aprendi a me blindar desse tipo de abordagem e contato, então agora tem sido menos frequente.
[Hana] Se pudesse descrever a saga em uma frase para convencer um novo leitor, qual seria?
[Priscila Tostes] Se você foi uma criança que esperou ansiosamente por uma carta de Hogwarts que nunca veio, então essa saga é para você!
[Hana] Você pretende escrever outros gêneros ou continuar no mundo da fantasia?
[Priscila Tostes] Gosto muito de ficção científica e distopia, tenho alguns projetos engavetados com esses e pretendo lançá-los futuramente.
[Hana] Pode nos contar alguma curiosidade dos bastidores que ainda não foi revelada?
[Priscila Tostes] A primeira versão da Verônica era uma bruxa que virava vampira e tinha que caçar quem a transformou para que ela voltasse a ser humana e aceita em seu clã. E é óbvio que ela se apaixonava pelo vampiro que ela achava que a tinha mordido e entrava em um dilema, principalmente quando descobria que eles se amavam de outras vidas e ela sempre morria e reencarnava enquanto ele continuava imortal procurando por ela. Nessa versão os alquimistas eram bruxas curandeiras e não passavam de figurantes.
[Hana] Adorei!! (risos) E que conselho você daria para jovens escritores e leitores que sonham em publicar?
[Priscila Tostes] Aprendam a empreender. Estudar escrita é muito importante, mas saber sobre marketing e vendas é essencial para que seu livro realmente alcance as pessoas certas e saia do anonimato. A maioria dos escritores são extremamente talentosos, mas pecam por não enxergar seu livro e a si mesmo como uma marca. Nesse mercado, infelizmente não basta só ser um bom escritor.