Eu fiz pré-venda do No Man's Sky. Comprei antes de sair, joguei desde o primeiro dia e coloquei alguma coisa perto de 150 horas naquela primeira versão. Aquela mesma que a internet inteira estava chamando de fraude.
E olha, eu gostei. Sabia de todas as promessas que não tinham sido cumpridas, sabia que faltava metade do que foi anunciado, e mesmo assim tinha uma coisa ali que me prendeu.
O jogo completou dez anos no dia 9 de agosto.
O que eu escrevi aqui em 2016
Em 25 de novembro daquele ano, eu publiquei uma notícia nesta mesma Blast sobre a Hello Games finalmente dar as caras depois de semanas de silêncio. O anúncio era de um update chamado The Foundation, que ia trazer construção de base, uma das coisas que todo mundo esperava desde o lançamento.
No fim do texto eu escrevi isso:
Eu confesso que estou resabiado depois de tudo que a Hello Games fez, mas vamos aguardar, né, pois mesmo com isso, acredito que o jogo tem muito potencial e que, se a empresa se dedicar e trouxer tudo o que faltou, será um grande jogo.
Dez anos depois, o placar está assim: aquele The Foundation foi a primeira das 40 atualizações grandes que o estúdio entregou. Todas de graça.
Uma década de update, sem cobrar por nenhum
A lista é longa e cada nome desses é um pedaço grande de jogo novo: Foundation, Pathfinder, Atlas Rises, NEXT, Beyond, Origins, Waypoint, Worlds, Voyagers, Remnant, Xeno Arena, The Swarm. E tem dezenas de patches menores no meio.
Pelo caminho entraram construção de base, exocraft, assentamentos, mechs, bichos de estimação, naves vivas, expedições, pesca, multiplayer de verdade, VR. O universo do jogo foi reconstruído do zero mais de uma vez.
Só em 2026 a Hello Games colocou uma arma de gravidade, um sistema de batalha de criaturas que lembra Pokémon e uma raide contra uma colmeia alienígena. No décimo ano. Sem cobrar nada.
Ele também foi parar em praticamente toda plataforma que existe: PC, Xbox One, Xbox Series, PS5, Switch, Switch 2, VR e PSVR.
O NEXT foi quando virou outro jogo
Pra mim, o divisor de águas foi julho de 2018.
O NEXT trouxe câmera em terceira pessoa e o multiplayer de verdade, aquele que tinha sido prometido e não existia no lançamento. Aquilo não foi atualização, foi outro jogo. Voltei com tudo e joguei absurdamente naquela época.
Depois disso veio tanto conteúdo, mas tanto, que eu confesso que não consegui mais me engajar direito. Toda vez que eu pensava em voltar, tinha mais três sistemas novos pra aprender.
Pra dimensionar a virada: no lançamento, o jogo tinha 37% de recomendação da crítica no OpenCritic. Hoje as avaliações no Steam estão em "Muito positivas".
Os números do aniversário
O Sean Murray, cofundador da Hello Games, publicou uma carta aberta pra comunidade e soltou alguns dados que dão a dimensão da coisa.
O jogo teve em 2026 o maior número de jogadores desde o lançamento. Dez anos depois. Ganhou o prêmio de melhor jogo em evolução no The Game Awards e no BAFTA. E a maior parte do time que trabalhou na versão de 2016 continua no estúdio, o que é raríssimo numa indústria em que gente troca de emprego a cada dois anos.
Mas o número que eu achei mais impressionante é outro.
Teve também um momento de comunidade que merece registro: no dia 9, fãs se organizaram por conta própria pra entrar no jogo todos no mesmo horário e tentar bater o pico de jogadores simultâneos do dia do lançamento, em 2016.
E aí vem o Cosmos
No fim do vídeo de aniversário e da carta, a Hello Games soltou o nome da próxima atualização: Cosmos.
E só. O nome e mais nada.
Não tem detalhe de conteúdo, não tem data, não tem sequer confirmação de plataforma. O Murray disse apenas que faz parte de coisas grandes que estão por vir e que mais informação chega depois. A expectativa é que não saia ainda em 2026.
O que já dá pra afirmar, olhando os dez anos anteriores, é que vai ser de graça pra quem já tem o jogo.
Ele mencionou também o Light No Fire, o próximo projeto do estúdio, anunciado no The Game Awards de 2023 e ambientado num único planeta do tamanho da Terra. Continua previsto para PC, sem data, e sem substituir o desenvolvimento do No Man's Sky.
Eu vou voltar
Aquele cara resabiado de 2016 estava errado, mas errou pro lado certo. Ele escreveu que o jogo tinha muito potencial e que, se a empresa se dedicasse, seria um grande jogo. A empresa se dedicou por uma década inteira.
Dependendo do que vier no Cosmos, eu pego de novo. É um jogo incrível e tem uma comunidade muito legal em volta dele, dessas que ainda organizam mutirão pra bater recorde de jogador simultâneo dez anos depois, isso me lembrou o que a comunidade de Destiny 2 tentou fazer recentemente e que eu estava junto.
Se você comprou em 2016 e largou, talvez valha a pena instalar de novo. O jogo que está lá não é o mesmo que te decepcionou.