No domingo, 13 de setembro, o compositor australiano Mick Gordon publicou um vídeo na conta dele no X. Sem legenda, sem emoji, sem uma palavra. Só o cinematic de anúncio do novo StarCraft, que a Blizzard tinha soltado no dia anterior na BlizzCon.

Até o fechamento desta matéria, o post estava em 1,6 milhão de visualizações e 17 mil curtidas. Nas respostas, a comunidade já tinha decidido sozinha o que aquilo significava: se o Mick postou, o Mick está no jogo. E se o Mick está no jogo, o jogo vai ser bom.

Antes que isso vire fato consumado: a Blizzard não creditou compositor nenhum em nenhum material oficial do anúncio, e o Mick não confirmou coisa alguma. O que existe é um vídeo repostado sem contexto.

O que a Blizzard anunciou de verdade

Na abertura da BlizzCon 2026, em 12 de setembro, a Blizzard revelou que StarCraft volta como jogo de tiro em mundo aberto, em terceira pessoa, acompanhando um único fuzileiro Terran. Nada de construir base e administrar mineral. A previsão é primavera de 2030 no hemisfério norte, para PC e Xbox Series X|S.

Quem lidera o projeto é Dan Hay, que passou anos como produtor executivo e diretor criativo da série Far Cry, com AnaLee Haertling na direção associada. Em conversa com a Kotaku, Hay resumiu a ambição de tom como um "Deadwood no espaço", referência à série da HBO sobre um vilarejo onde todo mundo depende de todo mundo e se detesta ao mesmo tempo.

O cinematic se chama Dominion, tem pouco mais de três minutos e segue um recruta do treinamento até o desembarque, que termina em cima de uma investida zerg. Zero gameplay. É a terceira vez que a Blizzard tenta um jogo de tiro no universo de StarCraft. 

StarCraft: Ghost morreu em 2014, depois de doze anos rodando entre estúdios, e o Project Ares foi cancelado por volta de 2019.

O cinematic Dominion, publicado pelo canal oficial de StarCraft. Crédito: Divulgação / Blizzard Entertainment

Quem é Mick Gordon

Michael John Gordon nasceu em Mackay, no estado australiano de Queensland. Foi guitarrista de jazz e blues na adolescência e entrou na indústria em 2006, fazendo design de som na Pandemic Studios.

O nome colou com Killer Instinct, em 2013. Depois vieram a trilogia Wolfenstein entre 2014 e 2017 (a última dividida com Martin Stig Andersen) e Prey, em 2017.

E veio Doom, em 2016. Aquela trilha levou prêmio do D.I.C.E., do SXSW Gaming e reconhecimento no The Game Awards, e reescreveu o que se espera de um jogo de tiro na parte sonora. A de Doom Eternal (2020) ganhou o Steam Awards de melhor trilha sonora do ano. Em 2023 ele assinou Atomic Heart.

Fora dos games, produziu e participou de disco do Bring Me The Horizon, do Motionless in White e do 3TEETH. Por isso muita gente do metal conhece o nome sem nunca ter passado do primeiro nível de Doom.

Por que o nome dele carrega tanto peso

Só a lista de créditos não explica o tamanho do surto. O que explica é o que aconteceu depois de Doom Eternal.

Em 9 de novembro de 2022, o Mick publicou no Medium um texto longo com a versão dele sobre a produção. Ele afirma que a trilha foi anunciada na E3 de 6 de junho de 2019, com pré-venda de edição de colecionador aberta na sequência, sem que ele tivesse contrato para produzi-la. Diz ter passado onze meses de 2019 sem receber pagamento. E conta que o contrato da OST só chegou em 18 de março de 2020, 48 horas antes do jogo ser lançado, com prazo de 29 dias para entregar 12 faixas.

O texto respondia a uma carta aberta que Marty Stratton, diretor da id Software, tinha publicado no Reddit em 5 de maio de 2020, atribuindo a ele a culpa pelos problemas da trilha. O Mick afirma ainda ter recusado duas propostas de acordo na casa dos seis dígitos, ambas condicionadas a silêncio.

A Bethesda respondeu em nota chamando as alegações de injustas e de distorção da verdade, e se posicionou ao lado da id Software. As duas versões nunca foram reconciliadas.

O saldo prático: Doom: The Dark Ages, de 2025, foi assinado pelo estúdio Finishing Move, e o Mick não voltou a trabalhar com a id. Para boa parte da comunidade ele deixou de ser o cara da trilha de Doom e virou o compositor que apanhou da estrutura e recusou dinheiro para engolir. É esse acúmulo que faz um vídeo sem uma palavra escrita valer 1,6 milhão de visualizações.

A agenda dele já tem Gundam

Se a ideia é apostar em onde o Mick Gordon está agora, o dado mais concreto não vem da Blizzard.

No Summer Game Fest de junho deste ano foi anunciado Gundam: Rogue Orbit, com trilha assinada por ele. Um Gundam com o som de quem fez Doom. O jogo tem data marcada, 5 de março de 2027, para PS5, Xbox Series X|S e Steam. Ele também está em Defect, shooter cyberpunk do estúdio emptyvessel, e vai tocar a trilha de Doom de 2016 acompanhado de orquestra no festival RADAR, em 2027.

Aqui na redação a empolgação é real e mesmo assim é difícil não olhar torto para 2030. Anunciar um jogo quatro anos antes, sem gameplay e sem ficha técnica, é deixar a comunidade montar o jogo na própria cabeça. O episódio do Mick é o primeiro exemplo disso, e levou menos de 48 horas para acontecer.

A pergunta que fica é essa: se a Blizzard confirmar o Mick Gordon na trilha, isso muda alguma coisa para você, ou um StarCraft de tiro em terceira pessoa já nasce torto independente de quem cuida do som? Vota na enquete e conta nos comentários.

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Comentários
1 comentários
Fhelipe2 dias atrás
Ajuda, más não decide ! existem muitos jogos que tem trilha épica porém o jogo deixa a desejar.