Terror psicológico é um gênero parecido com o terror de sobrevivência, onde o personagem enfrenta situações turbulentas, possui poucos recursos e deve sobreviver mediante os desafios que surgem em seu caminho. A diferença principal é que em um terror psicológico você se depara com outro tipo de realidade, onde as coisas nem sempre fazem sentido.

Este é o gênero de Alan Wake, um game que ficou aproximadamente cinco anos em desenvolvimento, recebendo um roteiro de primeira e sendo um título de destaque, lançado inicialmente com exclusividade para o Xbox 360 e, mais tarde, para PC.


“My name is Alan Wake. I’m a writer.”

A história inicia quando a esposa do escritor Alan Wake o leva para sua antiga cidade natal, Bright Falls, para que ele possa relaxar e recuperar a sua criatividade. Porém, quando eles chegam à cidade, Alice desaparece misteriosamente. Coisas estranhas começam a acontecer enquanto o escritor procura por sua esposa, dando a ligeira impressão de que ele está sonhando ou vivenciando uma história de ficção: Alan começa a encontrar páginas de um livro que nem ao menos se lembra de ter escrito e, para sua surpresa, os eventos que escreveu começam a se tornar reais.

Sendo um game de estilo ação em terceira pessoa, Alan Wake precisa enfrentar inimigos que mais parecem ter saído de uma de suas histórias. Os Takens são seres possuídos por um tipo de escuridão, formando uma espécie de armadura, que precisa ser destruída com a luz de uma lanterna antes deles serem atingidos. Algo que pode colocar o jogador em uma situação difícil é quando a lanterna fica com as baterias fracas, valendo mais nessas horas fugir do que lutar. Além de servir como arma, a luz (elemento principal da mecânica do jogo) também faz a energia do personagem aumentar após ele ter sofrido algum tipo de dano.


Use a luz como arma

No início, você começa com apenas um revólver, mas depois encontra outros tipos de armas, como um sinalizador, um rifle, uma espingarda, granadas de luz, entre outras, que compõem um pequeno, porém, variado arsenal. Algumas vezes, você poderá ficar sem munição, tendo que economizar balas, mas o ponto positivo é que mais delas podem ser encontradas no mapa do jogo, junto com outros itens colecionáveis. Quando o jogador consegue se esquivar de forma perfeita de um dos ataques dos Takens, efeitos de câmera lenta são exibidos na tela, dando ao game um toque especial.

Os gráficos são de primeira, como não menos esperado do Xbox 360. A beleza do game pode ser notada em cada parte do cenário, nas texturas, nas sombras dos personagens, na neblina e na atmosfera noturna, que foi muito bem explorada em conjunto com a iluminação. Mais do que um gráfico bonito, uma arte muito bem caprichada.

A história ocorre em episódios, lembrando uma série de TV, e foi escrito pelo roteirista Sam Lake, que buscou inspiração nas obras de Stephen King, autor conhecido por seus livros de terror e por influenciar outras obras do gênero.

O game conta com músicas instrumentais e vocalizadas, trazendo composições de Petri Alanko e a participação de artistas como Black Angels, Poe e Poets of the Fall. Não sei dizer se todas elas se encaixam perfeitamente no clima do jogo, pois confesso que não joguei até o fim. A maior parte eu acompanhei através de gameplays de outros jogadores, o que é uma verdadeira tortura quando você deseja muito jogar um game, mas não consegue. Contudo, posso dizer que a trilha sonora em si é muito boa, além de recomendar para aqueles que curtem game music.

Alan Wake ainda conta com as DLCs The Writer e The Signal que expandem um pouco do seu universo. Outro conteúdo adicional é uma minissérie que foi criada para promover o game na época de seu lançamento. Cada episódio contém poucos minutos de duração e mostra os eventos estranhos que acontecem com Alan enquanto ele está em Bright Falls.

Uma sequência chamada Alan Wake’s American Nightmare havia sido anunciada anos atrás, dando foco em uma versão dupla e assassina do escritor, Mr. Scratch, que vai atrás de Alice para matá-la. American Nightmare está disponível apenas via download através da Xbox Live Arcade, para Xbox 360, e do Steam, para PC, diferente do primeiro título, que possui mídia física.


Mr. Scratch; a aparência do personagem Alan Wake foi inspirada no ator Ikka Villi

Seguindo a mesma linha de jogos de terror psicológico que apresentam um cenário confuso, fazendo com que o jogador questione a realidade a sua frente, existe também as séries Silent Hilll e Fatal Frame. Curiosamente, as duas trazem um enredo que gira em torno de sonhos lúcidos tidos pelo personagem principal: Henry Townshend, em Silent Hill 4: The Room e Rei Kurosawa, em Fatal Frame III: The Tormented. Alan Wake pode ser uma boa opção para aqueles que procuram por um game com um estilo diferenciado. Fica a dica e até a próxima!

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