A Bungie publicou na quinta-feira (17) um texto assinado pelo novo chefe do estúdio, Poria Torkan, e por Josh Deane, diretor de produto e responsável por Marathon, com o anúncio que a comunidade de Destiny 2 pede há quase seis anos: o conteúdo que foi para o cofre vai voltar. Campanhas, destinos e raids removidos desde 2020 vão ser recolocados no jogo, disponíveis para todos os jogadores.

É uma virada completa. Quatro meses atrás, a mesma Bungie tinha avisado que Destiny 2 receberia sua última atualização de conteúdo e seguiria só em modo de manutenção.

Vídeo da Bungie que acompanha o anúncio sobre o futuro de Destiny e Marathon. Crédito: Bungie

O que a Bungie prometeu

O trecho central do anúncio é curto: o estúdio diz que está começando o trabalho de trazer de volta ao jogo as campanhas, os destinos e as raids que foram para o cofre, e que tudo isso vai ficar disponível para todos os jogadores de Destiny 2.

Imagem: Destiny 2 Red War
Imagem: Destiny 2 Red War

Não tem data. A própria Bungie avisa que trazer esse conteúdo de volta "não é tão simples quanto restaurar arquivos antigos". Iluminação, encontros, inimigos e sistemas precisam ser refeitos para funcionar no jogo de hoje, e os detalhes ficam para os próximos meses.

Junto com isso veio a frase que dá o tom do resto do texto: Destiny é "fundamental para o futuro da Bungie". O plano é restaurar o passado da série e, em cima dessa base completa, voltar a contar histórias novas nesse universo. A franquia que parecia encerrada em junho voltou para o centro da mesa.

Por que o cofre pesa tanto

Pra quem não acompanhou: em novembro de 2020, com a expansão Beyond Light, a Bungie criou o Destiny Content Vault, o tal cofre de conteúdo. A justificativa era técnica, o jogo tinha ficado grande demais para manter e atualizar. Na prática, quem tinha pago por expansões viu áreas inteiras sumirem.

Saíram destinos como Io, Titã, Mercúrio e Marte, raids como Leviathan e, com o tempo, campanhas inteiras. A história original de Red War foi embora, e depois foi a vez de Forsaken, uma das expansões mais queridas da série. Quem começava a jogar nos últimos anos entrava numa história com metade dos capítulos arrancados.

Esse buraco virou a reclamação que nunca saiu da pauta da comunidade, ano após ano.

Do "acabou" ao "vamos voltar" em quatro meses

O caminho até aqui foi duro. Em 8 de maio, a Sony, dona da Bungie desde 2022, registrou uma baixa contábil de cerca de US$ 765 milhões no estúdio, puxada em grande parte pelo desempenho de Marathon. Duas semanas depois, em 21 de maio, a Bungie anunciou o fim do desenvolvimento ativo de Destiny 2: a atualização Monument of Triumph, lançada em 9 de junho, seria a última, e as expansões planejadas para o ano 9 foram canceladas.

Em 25 de junho vieram as demissões. Foram 292 funcionários, cerca de metade do estúdio, e a troca no comando: Justin Truman, que tinha assumido menos de um ano antes no lugar de Pete Parsons, saiu, e Poria Torkan, 11 anos de casa, virou o chefe da Bungie.

É essa nova liderança que agora assina o recuo.

A comunidade fez barulho, e funcionou

O texto da Bungie não esconde de onde veio a mudança. "Quando anunciamos que Monument of Triumph seria a última atualização de conteúdo de Destiny 2, vocês responderam com força", escrevem Torkan e Deane. E seguem: "a voz de vocês importou".

O tom também é diferente do que a Bungie costumava usar. A nova direção admite que a remoção de conteúdo feriu a experiência, diz que confiança não se reconstrói com um blog, um vídeo ou um lançamento, e fecha com um pedido raro vindo de estúdio grande: "não estamos pedindo que vocês confiem no que dizemos hoje". O recado final é para a comunidade continuar cobrando.

A Sony não aparece no texto. Mas é difícil ler o anúncio sem lembrar que, em maio, era a própria PlayStation que contabilizava o prejuízo. Reabrir o cofre e recolocar Destiny como prioridade é uma decisão de investimento, e numa empresa que pertence à Sony, uma mudança desse tamanho dificilmente acontece sem o aval da dona. A pressão dos jogadores não mudou só o plano de um estúdio, ela entrou na conta de quem assina os cheques.

E Marathon?

O outro jogo da Bungie também ganhou espaço no anúncio. Marathon saiu em 5 de março para PS5, Xbox Series X|S e PC, e o estúdio reconhece o que todo mundo viu: a recepção foi boa, a comunidade que ficou é dedicada, mas o jogo não alcançou o público que se esperava.

A resposta é mudar o jogo por dentro. A Bungie quer expandir Marathon para uma experiência de sobrevivência mais profunda, com mais formas de o jogador encarar aquele mundo alienígena hostil. O caminho passa por um Nightfall Refresh em outubro e pela atualização Symbiosis em dezembro, com atenção a PvE cooperativo, PvP competitivo e PvPvE.

Se você também largou o Destiny 2 quando o cofre levou a sua campanha favorita, conta pra gente qual delas você quer ver voltar primeiro. A enquete está aberta aqui no site.

O anúncio completo, em inglês, está no site oficial da Bungie.

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Comentários
1 comentários
Lujon1 hora atrás
Esse Destiny eu não cheguei a jogar, mas considerando que é da mesma produtora de Halo deve valer a pena! Vou ficar de olho nele🤔