Halo Campaign Evolved é o remake do primeiro jogo da franquia que completou 25 anos em 2026. É curioso que durante todo esse tempo eu ainda não tinha tido contato com o jogo e só agora com esse remake tive a oportunidade de finalmente jogar.
Na época em que o primeiro Halo foi lançado eu não tinha Xbox ou PC Gamer, e só agora, depois de assistir a série Halo da Paramount, é que eu fiquei interessado em conhecer os games da franquia, embora tenha notado que o jogo seja diferente em alguns aspectos do que mostraram na série de TV, enquanto em outros a série se esforçou para trazer a essência do jogo para as telas.
Para fazer essa análise eu joguei Halo Campaign Evolved e dei uma olhada nos gameplays do clássico Halo Combat Evolved para entender quais melhorias foram feitas nesse novo jogo. Hoje vamos analisar se Halo Campaign Evolved vale a pena o seu investimento!
Ficha Técnica
- Jogo: Halo Campaign Evolved
- Gênero(s): FPS de ficção científica, ação, survival
- Lançamento: Julho/2026
- Plataforma(s): PC, PS5 e Xbox Series S/X
Narrativa
O jogo começa com um ataque da raça alienígena Covenant à nave Pilar do Outono da UNSC, uma organização militar que é responsável pela segurança do planeta Terra. Aqui assumimos o papel do Master Chief, um soldado de elite do programa Espartano e temos a missão de proteger a Cortana, uma IA super avançada que guarda dados estratégicos muito importantes, incluindo a localização secreta da Terra, que não pode cair em mãos erradas.
Durante o ataque à nave somos obrigados a fugir em um módulo de emergência e acabamos indo de encontro a uma estrutura planetária em formato de um anel gigante, conhecida como Halo, que tem uma vegetação parecida com a da Terra, mas com construções avançadas que sugerem ter sido criadas por uma tecnologia alienígena.
Mais a frente descobrimos que a raça Covenant acredita que Halo é algum tipo de arma e somos advertidos pelo nosso comando que não podemos permitir que os alienígenas usem ela contra a humanidade, porém à medida que vamos avançando na história descobrimos que a verdade é muito mais perturbadora.
Caso você não tenha jogado ainda, tenha em mente que Halo tem um um plot twist incrível. Não vou entrar muito nos detalhes aqui sobre a história porque não quero dar spoiler e estragar a sua experiência, mas se você é um veterano da série, já deve saber do que estou falando.
Gameplay
Eu pessoalmente gosto de jogar jogos de FPS com teclado e mouse. Foi um costume que adquiri desde a época do Counter Strike 1.6 quando eu jogava nas lan houses. Até tentei jogar Halo pelo joystick no PC, mas não achei tão legal assim.
Pessoalmente acho que o controle funciona muito bem para jogos de ação em terceira pessoa, ou games de luta, ou de corrida, mas quando se trata de FPS a experiência é muito melhor com teclado e mouse na minha opinião, mas isso é uma questão de gosto e vai de cada um.
O sistema de combate de Halo Campaign Evolved é muito divertido. Você vai conseguindo acesso a uma variedade de armas bem grande que consegue coletar nas fases, com direito a usar a arma do próprio adversário ou trocar sua arma com alguns dos marines - os fuzileiros navais -, cada uma trazendo um design bem diferente e em alguns casos bastante exótico, como acontece com a Needler, famosa pelo seu visual rosa cristalino. São várias opções, desde rifles, espingardas e pistolas até armas de plasma, metralhadoras e granadas.
O combate é fluído, mas em alguns casos é meio atrapalhado, principalmente quando estamos lidando com vários inimigos ao mesmo tempo que nos cercam surgindo por todos os lados. E fugir é uma alternativa viável quando o combate parece difícil demais.
Não sei se só aconteceu comigo, mas eu tive uma experiência bem ruim ao usar o carro de combate Warthog, o tanque Scorpion e a nave Banshee. Controlar essas máquinas para tentar ir para qualquer direção foi bem frustrante, mas isso se deve ao ao fato de eu ter jogado usando teclado e mouse. No controle analógico a experiência de usar os veículos é bem melhor.
Uma dica que eu dou caso você prefira jogar usando teclado e mouse é alternar para um controle quando precisar controlar as máquinas mais pesadas, isso vai deixar sua experiência mais agradável.
Nova Interface e Som
Uma melhoria que foi aplicada na interface do jogo é a informação sobre armas e munições que agora conta com um visual mais limpo localizado no canto inferior, sendo que a barra de vida do Master Chief e a bússola também foram reposicionados em outro lugar da tela, sem falar que agora o objetivo da missão fica sempre visível no canto superior esquerdo, o que não acontecia no Halo de 2001. E essa interface nada mais é do que o visor do capacete do nosso traje de combate.
O som das armas também parece diferente, com uma qualidade melhor do que a do jogo original, o que faz total sentido né, já que hoje a tecnologia é bem mais avançada do que naquela época em que Halo Combat Evolved foi lançado originalmente.
Gráficos e Física
Não há dúvidas que em relação ao clássico, o remake de Halo deu um salto em qualidade gráfica graças ao poder da Unreal Engine 5 e ao uso de texturas mais sofisticadas que deixaram os gráficos mais realistas, algo que podemos notar não só nos cenários, que estão visualmente mais enriquecidos, mas também na modelagem dos personagens e das armas.
Uma coisa que me incomodou em Halo foi a iluminação um pouco escura presente nas primeiras fases, em que você tem dificuldade de enxergar até mesmo o detalhe dos personagens e o caminho que vem pela frente.
Por outro lado, os efeitos de luz do sol e sombra nos mapas abertos são bem caprichados. Você também consegue perceber detalhes como o efeito do vento soprando em uma árvore, a água correndo pela cachoeira e o alto relevo de rochas gigantes de um jeito bastante natural, algo que faz a gente se sentir como se estivesse dentro do jogo.
Outra coisa que me chamou muito atenção foi a paleta de cores bastante colorida que é usada no design das armas dos alienígenas que dá um visual rico à gameplay.
E o mais interessante é que embora o remake traga gráficos mais aprimorados, a identidade visual do game original foi preservada com algumas diferenças sutis, o que faz com que fãs do Halo original se identifiquem na mesma hora com o jogo de 25 anos atrás.
As texturas são impressionantes. E eu acho que é o grande diferencial quando você bate o olho no jogo e compara com o Halo de 2001. Cada detalhe do solo, das paredes e de objetos do cenário parecem ter sido refeitos com bastante capricho. Tudo isso é realçado pelos efeitos de luz e sombra que são gerados graças ao uso do Ray Tracing e das Mega Lights da Unreal Engine 5 que permitem adicionar vários efeitos de luz simultâneos em uma única cena sem afetar a performance do jogo.
Sem sombra de dúvida uma das imagens mais marcantes é a do próprio Halo que você consegue ver sobre sua cabeça ao formar um anel gigantesco no horizonte, o que dá uma impressão muito legal de saber que estamos dentro dessa estrutura, com o espaço estrelado e outros planetas ao redor. Foi uma ideia genial e nunca havia visto esse tipo de coisa em outros jogos!
Level Design
Eu achei o level design de algumas fases um pouco confuso, mas tenho plena convicção de que isso foi feito de forma intencional. Você passa um bom tempo andando por corredores escuros ou regiões entre montanhas sem muito senso de direção tentando chegar em algum local alvo onde o combate acontece ou para completar a missão
Tem horas que a progressão é interrompida, simplesmente por haver muitos inimigos, ou porque você acabou tomando uma decisão errada. Por exemplo, na missão Duas Traições eu precisava pegar uma nave Banshee para conseguir atravessar uma plataforma e chegar do outro lado, mas a nave estava destruída e fiquei com minha progressão bloqueada, uma vez que não tinha como pular e não tinha como conseguir outra nave na plataforma. Voltar para o último checkpoint não era uma opção e minha única saída foi reiniciar a missão inteira.
Mas tem outras horas que a progressão flui super bem, inclusive em momentos em que você esperava encontrar mais dificuldade você consegue progredir sem grandes problemas.
Por um lado, se a progressão é um pouco difícil devido ao design das fases ou a quantidade de adversários que encontramos pela frente, por outro o visual de cada uma delas é único e muito legal.
As fases trazem a mesma estrutura do Halo Combat Evolved, com praticamente os mesmos cenários só que redesenhados. Os objetivos das missões torna a progressão linear, mas os mapas são grandes e você consegue explorar de certa maneira o mundo de Halo até descobrir qual direção deve seguir, algo que quebra um pouco aquela sensação de estar sendo conduzido de um ponto A até um ponto B.
Fases icônicas como as das missões O Cartógrafo Silencioso, Assalto à Sala de Controle e a Biblioteca estão de volta no remake, com uma qualidade visual sensacional.
A campanha principal tem as 10 missões clássicas refeitas, além de 3 missões bônus inéditas que servem de prévia antes da história principal começar. Há missões de resgate em que precisamos entrar dentro de uma nave alienígena para resgatar o capitão Keys, missões de fuga de locais hostis, missões para proteger os marines, missões para localizar um centro de controle ou para desativar sistemas de defesa.
Na primeira missão - Pilar do Outono - os adversários são bem fáceis de derrotar, mas não demora muito pro jogo elevar o nível de dificuldade e tornar os combates cada vez mais desafiadores nas próximas missões. Em alguns casos é bem comum você morrer várias vezes seguidas ao ser emboscado por vários guerreiros da raça Covenant. Aqui, os inimigos são bem espertos e conseguem se esconder e desviar dos nossos ataques tornando o combate mais difícil.
Há diferentes tipos de inimigos, alguns usam escudos, outros ficam invisíveis e outros são muito engraçados, como os Grunts que emitem alguns sons cômicos como se estivessem desesperados quando nos aproximamos deles, o que deixa a atmosfera do jogo bem mais divertida.
Alguns inimigos são mais fracos e outros são mais fortes, o que ajuda a balancear a gameplay, mas quando estamos rodeados por eles se torna bem difícil em alguns casos conseguirmos progredir, a não ser após várias tentativas. Isso é bom para quem gosta de um desafio a mais, porque sendo bem sincero: Halo não é um jogo muito fácil de zerar.
Um balanceamento interessante é que, embora você enfrente hordas de inimigos, o jogo quase nunca te deixa desamparado. Quando um personagem morre e cai no chão, a arma dele fica disponível pra você pegar caso a sua fique sem munição ou você queira experimentar uma arma diferente.
Outro ponto curioso é a sua barra de vida, você tem um traje ultra tecnológico que possui um escudo que te dá uma pequena vantagem adicional, que permite restaurar sua energia depois de alguns segundos sem sofrer novos danos, algo que te permite durar mais tempo no combate, sem falar que alguns adversários são automaticamente repelidos pelo escudo do seu traje.
Ambientação
Em Halo Campaign Evolved você se sente explorando um planeta desconhecido quando está dentro do anel, embora a vegetação e as paisagens sejam bem familiares as da Terra. Quando olhamos para o alto conseguimos ver estruturas planetárias e satélites completamente diferentes do que conhecemos no nosso sistema solar e aquilo dá uma sensação bem legal de que estamos em uma galáxia distante em algum lugar do espaço.
Durante as missões somos acompanhados pela Cortana, a Inteligência Artificial, que nos oferece apoio tático sobre o que está acontecendo e o que fazer em seguida. Também ouvimos as vozes dos marines pelo rádio ao longo da campanha, o que ajuda a aumentar a imersão de que fazemos parte de um exército e que estamos no meio de uma guerra.
De fato, a experiência de pertencer aos marines é algo que foi cuidadosamente explorado no jogo, em que na maior parte do tempo estamos acompanhados de um pelotão, recebemos ordens do capitão Keys, podemos dirigir carros de combate e somos transportados por aeronaves.
Quando achamos que já vimos de tudo o jogo te surpreende fazendo você mergulhar cada vez mais fundo dentro do Halo e o estilo do jogo parece que sofre uma transformação e acaba flertando com o terror de sobrevivência, tanto na narrativa quanto na ambientação, ao introduzir o Flood.
A iluminação se torna mais escura, os cenários mais sujos, você avança por instalações subterrâneas sem o apoio dos marines e a trilha sonora abre espaço para um tom mais tenso e ameaçador. Contudo, algo que eu achei muito positivo foi a moderação no nível de violência presente no jogo, o que não gerou desconforto com essa mudança surpreendente de gênero que aconteceu durante a gameplay.
Essa mudança foi a parte que mais me chamou a atenção em todo o jogo. É a primeira vez que vejo um game que muda o gênero durante a gameplay, e os designers conseguiram fazer isso de uma forma extremamente natural ao longo da narrativa sem que você se desse conta, até que em algum momento você percebe que tem algo diferente acontecendo.
E embora a Bungie tenha tido essa sacada brilhante lá em 2001 em Halo Combat Evolved, a iluminação da Unreal Engine 5 deu um valor sensacional para criar a atmosfera de survival com uma qualidade incrível. É como se na compra tivéssemos levado dois jogos em um: Halo Campaign Evolved valeu cada centavo!
Trilha Sonora
A trilha sonora de Halo é muito especial. Ela foi composta por Marty O'Donnell e Michael Salvatori. Ela traz uma mistura de canto gregoriano com música eletrônica e orquestra, o que reforça a ideia de algo antigo, sagrado e, ao mesmo tempo, futurista.
As músicas fazem uso de instrumentos de percussão de forma intensa com vocais marcantes ao fundo, o que cria uma atmosfera grandiosa e sofisticada para os combates ajudando você a ficar focado na ação.
Mas à medida que o gênero do jogo vai se aproximando do survival, a trilha sonora também muda: aquela orquestra e percussão estridentes cedem lugar a um fundo sonoro mais opressor e distópico.
Conclusão
Eu gostei muito de Halo. É um jogo que me surpreendeu. Eu já tinha ouvido falar dele antes, mas achava que era só mais um FPS e fiquei muito feliz de ter me enganado sobre ele. É engraçado que o que me despertou a curiosidade de finalmente experimentar o jogo foi ter assistido a série da Paramount que conta a história do Master Chief sob um ponto de vista diferente.
Quando joguei Halo e cheguei na parte do Flood até as instalações subterrâneas, eu fiquei fascinado com a genialidade da Bungie de ter mudado o estilo do jogo durante a gameplay e me encantei com o brilhante trabalho que o pessoal da Halo Studios conseguiu entregar nesse novo remake, mantendo a essência do game original em muitos aspectos.
Mas eu devo ser sincero aqui nessa análise e falar que a quebra de progressão causada em alguns trechos do jogo foi algo que me incomodou, na qual se torna difícil derrotar alguns inimigos e avançar pelas fases, principalmente quando estão em bando, obrigando você a várias tentativas até conseguir progredir. Além disso, a dificuldade para controlar os veículos de combate, pelo menos jogando no PC, foi algo que não teve como passar batido.
Contudo, isso não foi algo que diminuiu minha admiração pelo jogo e não reduz o seu valor, pois a ambientação, a história e as mecânicas de combate certamente me fazem querer jogar novamente e querer conhecer outros títulos da série. Halo é bom demais! Espero que a Halo Studios continue fazendo novos remakes da franquia e que sejam tão legais quanto Halo Campaign Evolved foi.
Gostou da análise? Este artigo é uma adaptação do vídeo publicado no meu canal LDevGamer que você pode conferir abaixo. Se você curte ensaios sobre game design e quer ajuda para decidir se um jogo vale o seu investimento, se inscreve lá!