Você já sentiu alguma dificuldade que fez você ficar desanimado e, às vezes, o obstáculo parecia tão desafiador que te deu vontade de desistir? Refletindo sobre isso eu cheguei a conclusão de que a vida é como um roguelike ou roguelite, que são gêneros de jogos que contam com títulos como Rogue e Hades.

Hades, Roguelike/Roguelite desenvolvido pela Super Giant Games
Hades, Roguelike/Roguelite desenvolvido pela Super Giant Games

Nesses jogos o nível de dificuldade é bastante elevado e bem acima da média, sempre que o jogador perde ele precisa voltar do início e começar novamente, não importando em que nível ele esteja, e as fases mudam de forma aleatória deixando tudo mais desafiador, sem falar das armadilhas que encontramos nas dungeons que torna a nossa progressão ainda mais difícil.  

Mas tem uma coisa interessante nisso tudo: a cada nova derrota o personagem se torna mais forte e ganha mais experiência, conseguindo nas próximas tentativas (que chamamos de runs) chegar cada vez mais longe do que da última vez.

Se analisarmos algumas dificuldades que enfrentamos no dia a dia, vamos perceber que a vida às vezes se comporta exatamente como um roguelike ou um roguelite.

Muitas vezes precisamos lidar com demissões, problemas de saúde, término de relacionamentos, perdas e frustrações que drenam a nossa energia, nos causam insegurança e ansiedade com relação ao futuro, mas após algum tempo cansados daquela situação nossa mente se esforça pra buscar uma solução pros problemas e nos impele a agir para conseguirmos transformar a realidade a nosso favor e, embora possa levar algum tempo, é possível virar o jogo e fazer aquela fase ruim ficar pra trás. 

Talvez você esteja se perguntando sobre os termos roguelike e roguelite. A diferença entre o roguelike e o roguelite é que no roguelike quando você perde você literalmente tem que começar do zero, sem nenhum progresso acumulado; já o roguelite seria um subgênero do roguelike, com algumas características parecidas, mas com algumas particularidades, sendo a principal delas o acúmulo de experiência que te torna mais forte e capaz nas próximas vezes que você volta pro jogo e tenta outra vez.

A vida real funciona como um verdadeiro roguelite: você pode perder a run (o emprego, o relacionamento, um projeto), mas a experiência acumulada, a maturidade e o conhecimento técnico não sumiram. Você nunca volta ao ponto zero do mesmo jeito que começou pela primeira vez. 

Dito isso, não significa que as coisas serão mais fáceis daqui em diante, mas fazer essa analogia permite ter uma visão mais otimista do assunto, tirando aquela sensação de que muitas vezes não conseguimos sair de algum lugar e que estamos estagnados, mas que na verdade a cada nova tentativa estamos dando um passo à frente, subindo um degrau na escada de cada vez e evoluindo sem que as vezes a gente sequer perceba.

As vezes é normal e saudável fazer uma pausa de vez em quando para recarregar as energias e são nesses momentos que temos tempo para pensar e reorganizar as ideias. O que não podemos é desistir! Desistir não é uma opção! Às vezes se o caminho que estamos traçando não está nos levando para onde gostaríamos talvez seja a hora de refletirmos e mudarmos a rota, pedirmos ajuda e buscarmos conhecimento mesmo que isso signifique recomeçar e ter que se esforçar um pouco mais para conseguir atingir algum objetivo.

Dá próxima vez que você jogar um roguelike ou roguelite procure perceber essa semelhança com a vida real e como o personagem ao enfrentar desafios e obstáculos pode servir de reflexão para nossa própria vida para que continuemos seguindo em frente sem nunca desistir, sabendo que a cada nova run ficaremos mais fortes, mais experientes e mais preparados para o que vem em seguida, não importando o quão difícil e pesado o fardo pareça às vezes.

O jogo que me serviu de inspiração para fazer essa analogia foi o Hades da Super Giant Games, lançado em 2020. É um jogo indie em que você assume o papel de Zagreus, filho de Hades, que está tentando a todo custo sair do submundo, tendo para isso que lidar com muitos obstáculos e inimigos difíceis de derrotar, mas que conta com a ajuda dos deuses do Olimpo e de outros personagens da mitologia grega para conseguir fugir. 

Por ser um roguelike/roguelite ele se enquadra nessa categoria de ser bastante desafiador, mas é bastante divertido e tem uma curiosidade: a cada derrota sofrida, além de ficar mais forte, você fica com vontade de tentar mais uma vez. É um jogo muito bem construído com uma gameplay bastante agradável de jogar e que nos ajuda a traçar esse paralelo com a vida real para conseguirmos entender a importância dos desafios que surgem no nosso caminho e a necessidade de sermos persistentes para conseguirmos superá-los. 

Quem disse que não aprendemos nada com os games? 😉

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