Para Inaugurar nossa novíssima coluna sobre jogos antigos, resolvi falar um pouco sobre Star Wars Episode I: Racer. Esse é um clássico de 1999 que está sendo revivido com o lançamento de Star Wars: Galactic Racer, novo game de corrida da franquia desenvolvido pela Fuse Games.

Mas essa nova aventura em alta velocidade talvez nunca visse a luz do dia, se não fosse seu antecessor do século passado, que surfou na onda do primeiro filme da trilogia prequel de Star Wars, A Ameaça Fantasma. Mas como um game inteiro de corrida conseguiu ser feito baseado em uma única sequência de ação do filme e, ainda sim, ser bom? 

Bom, é para isso que estamos aqui, meu jovem padawan. Para quem jogou relembrar um pouco e quem nunca jogou conhecer um pouco mais de Star Wars Episode I: Racer.

Não é só baseado no filme, foi criado em conjunto!

Um ponto interessantíssimo sobre a criação de Star Wars Episode I: Racer é que esse game não foi feito após o lançamento de Star Wars - Episódio I: A Ameaça Fantasma nos cinemas. Na realidade, o jogo começou a ser desenvolvido ao mesmo tempo em que o filme entrava em sua pós-produção, antes do seu lançamento também em 1999.

A antiga Lucas Arts concebeu a ideia para o game provavelmente durante as filmagens e seu desenvolvimento começou ainda na pós-produção do episódio 1. Com isso, o game foi lançado inicialmente para Nintendo 64 e Windows em maio de 1999, exatamente o mesmo mês que o filme chega aos cinemas nos EUA. Em dezembro de 1999 uma versão do game chegava para GameBoy Color enquanto no ano seguinte o Dreamcast recebia seu port. 

Cena de Star Wars - Episódio I: A Ameaça Fantasma
Cena de Star Wars - Episódio I: A Ameaça Fantasma

O interessante do jogo, como muitos games baseados em filmes da época faziam, é que ele expandia uma parte do universo que era apresentado no filme, mas que não era devidamente aprofundado ali. Com isso, mesmo que no filme vejamos a icônica corrida de pods em Boonta Eve, no famoso planeta Tatooine, fica claro que aquela corrida rola em vários lugares da orla exterior da galáxia de Star Wars.

E é a partir de um mero diálogo do filme que o game expande o universo e a mitologia da franquia, mostrando toda a liga de corrida de pods, vários planetas diferentes com pistas distintas (muitas delas muito mais difíceis do que a de Tatooine, diga-se de passagem) e, principalmente, a opção de escolher diversos pilotos diferentes. Muitos deles, inclusive, presentes na corrida que aparece no filme, como figurantes.

Corrida do jogo, em um planeta glacial
Corrida do jogo, em um planeta glacial

A jogabilidade certeira

Olhando de hoje, dá pra perceber que o que fez Star Wars Episode I: Racer fazer o sucesso que fez, foi a combinação do hype em cima de uma das melhores cenas de ação da franquia com a jogabilidade acelerada que traduziu muito bem isso para os videogames. 

Ora, no filme é dito pelo personagem Qui-Gon-Jin (Liam Neeson) que só alguém com reflexos de Jedi conseguiria correr em uma corrida de pods. Servindo de gancho para o arco do personagem Anakin Skywalker, que viria a se tornar peça central na história e na franquia como um todo. Desse modo, o jogo não poderia entregar menos do que uma corrida ultra veloz e cheia de desafios, não é mesmo?

Cena do filme em "primeira pessoa" de Anakin correndo em seu Pod. A sensação de velocidade é incrível!
Cena do filme em "primeira pessoa" de Anakin correndo em seu Pod. A sensação de velocidade é incrível!

Felizmente foi exatamente isso que foi entregue, já que a sensação de velocidade do título bebia muito da fonte de F-Zero X, jogo de corrida de naves icônico da Nintendo, lançado para N64 em 1999. Parece que a galera da Lucas Arts entendeu muito bem o que precisava fazer para aumentar o nível de desafio do jogo na medida para os fãs mais exigentes, mas mantendo o jogo acessível para quem só queria vivenciar no controle o que viu no filme.

Para isso, temos no game um sistema de dificuldades baseado em três níveis: amador, semi-profissional e circuito galáctico, além de um modo personalizado. A diferença entre eles envolve o tamanho das pistas, o nível de expertise dos adversários e o nível das curvas presentes no circuito. Fora isso, a imersão também é invejável, com comandos rápidos e simples e câmeras que imitam ângulos que vemos nas cenas do filme.

Câmera em "primeira pessoa" do jogo, com a mesma sensação de velocidade do filme!
Câmera em "primeira pessoa" do jogo, com a mesma sensação de velocidade do filme!

Imersão é a palavra certa

As mecânicas do jogo lembram um pouco o formato arcade com as corridas, níveis de dificuldade, quantidade de corredores e as 25 pistas disponíveis. Mas o que chama mais a atenção olhando para ele 27 anos depois é a imersão de algumas de suas mecânicas. 

Isso porque, no filme, fica claro que os participantes das corridas, em sua maioria, utilizam verdadeiras sucadas supersônicas para tentar a sorte nas corridas. Além do fato que é muito comum a maior parte dos adversários nem chegarem a completar o circuito inteiro, explodindo ou se chocando antes disso. Além dos próprios corredores fazerem a manutenção e reparos dos pods logo antes da corrida numa vibe meio "gambiarra" como vemos com Anakin.

No game você pode ver em três dimensões todos os pods livremente, uma novidade pra época.
No game você pode ver em três dimensões todos os pods livremente, uma novidade pra época.

Bom, no jogo é exatamente a mesma coisa! As corridas são difíceis e desafiadoras o suficiente para a maioria dos pilotos baterem e explodirem no decorrer do trajeto, incluindo muitas vezes nós, jogadores. Além disso, no modo carreira, fazemos manutenções e melhorias constantes em nosso veículo, melhorando seus atributos e podendo comprar peças novas ou usadas para isso.

Assim, quanto mais vitórias você consegue, mais dinheiro você acumula. Com o dinheiro, você investe em peças novas (melhores, porém mais caras) ou usadas (mais baratas, porém não tão boas) e torna seu veículo melhor, para tentar ganhar mais dinheiro nas vitórias das corridas e, assim, ir repetindo o processo progressivamente.

A icônica pista de Boonta Eve é a primeira do jogo, para facilitar a identificação dos jogadores.
A icônica pista de Boonta Eve é a primeira do jogo, para facilitar a identificação dos jogadores.

A mesma sensação de velocidade quase 30 anos depois

Recentemente foi lançado Star Wars: Galactic Racer, game de corrida baseado na franquia desenvolvido pela Fuse Games, ninguém menos que os mesmos responsáveis pela franquia Burnout, que ficou famosa na época do PlayStation 2. E ao que tudo indica, o jogo é praticamente um sucessor espiritual da jogabilidade rápida e desafiadora de Star Wars Episode I: Racer.

Hoje em dia, remasterizações do título foram lançadas para diversas plataformas, estando disponível nos consoles originais da época: Nintendo 64, Game Boy Color e Dreamcast; mas também em versões atualizadas e remasterizadas para PCs (via Steam), PlayStation 4, Xbox One e Nintendo Switch, funcionando em consoles mais novos como o Switch 2, PlayStation 5 e o Xbox Series via retrocompatibilidade.

Pod do icônico Sebulba (rival de Anakin no filme) no novo Star Wars: Galactic Racer.
Pod do icônico Sebulba (rival de Anakin no filme) no novo Star Wars: Galactic Racer.

Mas agora queremos saber de vocês! Já jogaram Star Wars Episode I: Racer? Gostam do icônico jogo de corrida? E o novo Star Wars: Galactic Racer, pretendem jogar? Tem outros jogos antigos que vocês gostariam de ver a gente falando aqui na Rede Blast?Deixem seus comentários e vamos trocar ideia sobre!

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