Eai turma, bão? Rodrigo Las Noches aqui e é o seguinte:

Quando fui à BGS 2025 (a minha primeira), testei muitos jogos indie. Hoje venho trazer para vocês um dos que mais me chamou a atenção (junto com um RE-like com protagonista cadeirante e um God of War-like com um coelho furry).

Prepare a tocha, os equipamentos de acampamento e de cozinha, pois vamos em busca de um tesouro misterioso enquanto fazemos pratos incríveis em Deep Dish Dungeon.

Ele foi desenvolvido pela Behold Studios (Knight of Pen and Paper +1 Edition) e publicado pela Raw Fury (Blue Prince), lançado no dia 13 de outubro de 2026 para PC via Steam, Xbox Series X|S e no Xbox Game Pass.

Deep Dish Dungeon é, como a descrição da Steam já spoilou, um survival com exploração, puzzles e metroidvania: TODOS OS GÊNEROS QUE ADORO JOGAR EM UM SÓ JOGO!

Um jogo de sobrevivência e exploração onde você navega por uma masmorra cheia de quebra-cabeças, cuidadosamente criada com elementos de construção e metroidvania. Revele os enigmas das profundezas, solo ou no modo multijogador cooperativo online.

Descrição da Steam

Que surpresa agradável, cara! No primeiro momento, você já dá de cara com a mecânica principal do jogo: cozinhar. Um bom level design, devo dizer. Tudo posicionado para te induzir a tentar e já aprender o que fazer e o que acontece quando você come o que cozinhou, mostrando que tiveram muita atenção ao modo como você vai encarar o resto do game.

D.D.D. vai te atiçar a voltar aos lugares sempre que você pega um novo item importante e, como o jogo não conta com um mapa, você tem que memorizar os lugares para voltar e pode acabar se metendo em uma nova área sem querer, fazendo tudo ser uma aventura imersiva.

Você pode passar um bom tempo resolvendo um puzzle, o que pode ser uma barreira para você, mas confie em mim: basta olhar ao seu redor, ler os documentos e usar um pouco da sua criatividade, e tudo passa a se tornar mais rápido.

E tem combate para você que gosta da pancadaria, mas ele não é focado nisso, então pode sentir que ele é menos preciso do que um jogo de ação, mas não é um problema grande. O quanto você vai durar explorando ou combatendo vai depender dos seus equipamentos e, principalmente, do alimento que você comeu, então também tem gestão de recursos.

Bom, antes de ir mais a fundo na análise, se você ficou tentado a jogar, apenas vá! Junte uma galera, se quiser, já que tem um modo multiplayer, ou vá no modo solo. Aqui não vou dar spoiler, como em todas as reviews que faço, mas é tão bom você descobrir as coisas nesse jogo que até as mais básicas é legal descobrir apenas jogando.

Comer aqui é a mecânica principal. Ela aumenta seus status base de vida e vigor. Dependendo dos ingredientes que você usou para o prato e da complexidade dele, esses atributos podem subir muito ou pouco, mas também podem surgir outros benefícios, como andar mais rápido. É muito divertido ir atrás dos ingredientes e fazer algo para ver o que vai dar. Caso não coma e beba, você começa a sentir fome e sede, o que faz sua vida e stamina descerem gradualmente. Mas é tão pouco e demora tanto que nunca morri de fome. MAS acabei morrendo porque estava com fome, tomei uma mordida do morcego e morri, pois minha vida estava muito baixa.

Ah, tem vários jeitos de fazer alimentos: grelhados, fritos na frigideira, sopas, no forno... Para isso, você deve craftar mesas, fornos e outros lugares para cozinhar, e adorei isso. É um jogo em que sou a Ana Maria Braga que decidiu explorar dungeons.

Explorando, você vai dar de cara com portas trancadas e bloqueios diferentes que trazem o elemento metroidvania. Esse jogo é feito para você fazer muito backtracking, e isso pode dividir um pouco a opinião, mas eu gosto de como fizeram aqui, porque, sempre que você volta, acaba percebendo uma coisa nova, ainda mais se você é do tipo que olha todos os cantos e lê/ouve tudo o que tem nos documentos.

Isso afeta também como você encara os puzzles. Tirando os opcionais e um ou outro principal, todos são de boa para resolver caso tenha prestado atenção em tudo. Já as exceções exigem bastante do seu conhecimento do jogo (inclusive, eu fico pensando neles até agora, depois que terminei o jogo, e tem uns que nem consegui fazer ainda), pois ele não pega na sua mão e te leva para os objetivos. Ele exige que você ande por aí, preste atenção e tente de tudo.

Claro que tem combate também. Você enfrenta morcegos, caveiras e outros monstrões de uma DG medieval de fantasia, com direito a boss fight. Só que é um pouco desengonçado bater aqui. Confesso que, de começo, eu não tinha gostado, mas é porque sou do tipo de player que quer bater em tudo que se move quando tenho uma arma. Aqui, você pode bloquear ataques com escudo, deixando os combates mais rítmicos. Tem um sistema de atenção no topo da tela que indica o quão visível você está, te dando a opção de stealth para evitar combates em situações perigosas. Se eu tivesse explorado melhor esse sistema, não teria passado o sufoco que passei nem morrido tanto. Depois que me acostumei com o combate e aprendi a dar mais valor ao arco e flecha, a vida melhorou MUITO! Inclusive, morrer faz você dropar tudo, menos os itens essenciais/itens-chave.

O modo co-op é muito divertido. Existe chat de voz no game e alguns pontos onde há megafones que você pode usar para se comunicar de longe com seus amigos. Dá para jogar com até 4 pessoas, mas eu só testei com mais uma pessoa. Tem opção de servidores de jogadores, mas eu terminei o jogo no single-player.

Os gráficos pixelados e em estilo PSX são muito bem feitos e, com um bom trabalho de iluminação, deixam tudo bem imersivo. Você sente que está lá, explorando um lugar soterrado pelo tempo (se você der mole e esquecer de pegar uma tocha nova antes de a sua acabar, vai sentir o terror de estar na completa escuridão). Tudo isso, somado ao trabalho de sound design, que mandou muito bem, faz a experiência ser muito gostosa.

De problema, eu só tive um: uma vez, explorando a última área do jogo, em um lugar onde tinha algumas raízes, eu estava procurando coisas para resolver um enigma e, por estar abaixado nessa parte da sala que descrevi, acabei passando pelas raízes e ficando preso entre elas e a parede. Tentei de tudo, mas não conseguia sair e dei Alt+F4 para sair sem morrer, pois não queria dropar nada naquele ponto do jogo e bugar ainda mais minha run.

Outro ponto que não é necessariamente um problema: no puzzle opcional na Cripta, o jogo quer que você o resolva usando como dica um símbolo que está no chão. Porém, como é usado o estilo PSX de gráficos, não tem como entender como o símbolo se forma corretamente (tive que passar usando brute force). Mas é totalmente corrigível se melhorarem o desenho usando um pouco de sombras nos lugares certos para entender o que está por cima e o que está por baixo no desenho. Mas é um puzzle opcional, então fique tranquilo.

Esse jogo ficou grudado na minha mente desde que joguei na BGS, porque ele junta todos os meus gêneros favoritos e faz um game muito interessante e viciante. Mesmo depois de terminá-lo, você quer voltar a explorar, ainda mais porque ele tem um true ending. Ele é punitivo para quem só quer andar e bater, mas muito recompensador para quem gosta de um bom game de puzzle. Jogar com os amigos eleva muito a experiência também. Uma ótima pedida para os amantes de enigmas.

Caso tenha te convencido, já coloca o game na sua wishlist da Steam, pois imagino que teremos espaço para mais conteúdo no futuro desse jogo.

Espero que tenha gostado, explorador. Muito obrigado por ler e, quando descer na masmorra, espero que encontre o que você está procurando. Ah, e, se puder, guarda um pouco de comida para mim. Até mais!

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