Nos últimos anos, o metal nacional acompanhou o crescimento de várias bandas, cada vez mais consolidadas dentro e fora do país. Dentre estas bandas, sem dúvidas uma das que mais têm recebido (e merecido) destaque é o Shadowside, banda santista que acaba de lançar o excelente álbum Inner Monster Out.
Com dez anos de carreira, o Shadowside vem aumentando os esforços e colhendo os frutos de um trabalho cada vez mais respeitado e reconhecido dentro e fora do país.
Sem medo de ser feliz, a vocalista Dani Nolden nos cedeu uma entrevista para falar do começo da banda, o lançamento do novo álbum e os acontecimentos marcantes para a banda ao longo desses anos.
Shadowside
Brasil in Metal: O Shadowside começou no underground nacional. Qual a melhor e a pior lembrança dos shows no começo de carreira?
Dani Nolden: A pior lembrança é aquela que acontece até hoje (risos). Organizadores de shows tentando empurrar qualquer coisa, tanto para o público quanto para a banda. Nós queremos que nosso público escute um bom som, tenha uma experiência agradável e se divirta, o que nem sempre é possível, e temos que fazer o melhor com o que tem disponível. As melhores lembranças sempre são as reações do público... Quando se está começando, não dá pra ter ideia de como as pessoas vão receber a banda. Quando você vê aquelas pessoas curtindo, vibrando com você, a sensação é incrível. Parte da minha performance é “culpa” do público. Eu me alimento da energia deles e raramente me esqueço das imagens em cada lugar dos fãs com os punhos para cima!
Brasil in Metal: Em dez anos de carreira, qual foi a barra mais difícil de contornar que a banda enfrentou? Como superaram essa fase?
Dani Nolden: Sem dúvida, foi logo que começamos e assinamos com a primeira gravadora. Inicialmente, eles fizeram de tudo para forçar uma mudança radical de direcionamento da banda. Eles queriam nos transformar em algo mais pop, queriam tirar quase todo o metal de nós, queriam proibir que usássemos bateria com dois bumbos e contrataram dois produtores que tinham obrigação de dizer não para quase todas as ideias da banda. Chegaram a misturar algo meio dance music com a música “Queen of the Sky”, do primeiro álbum Theatre of Shadows. A banda estava quase se desintegrando com essa confusão toda. Então essa gravadora faliu antes mesmo de colocar qualquer CD no mercado e não tivemos dúvidas... regravamos tudo! Porém, ainda estávamos presos ao contrato com eles e o lançamento atrasou quase quatro anos. Foi um período complicado, em que não sabíamos se no mês seguinte teríamos uma banda. Continuamos em frente porque gostamos demais da música que fazemos, e a ideia de não ter mais a banda era pior do que o que estávamos enfrentando.
Brasil in Metal: O novo álbum, Inner Monster Out, traz peso e melodia aliados a uma ótima produção. Ele traz um clima denso do início ao fim. Vocês já tinham planos de como seria o álbum de modo geral ou foram fazendo música a música até fechá-lo e este foi simplesmente o resultado final das composições?
Dani Nolden: Nós fomos simplesmente fazendo. Sem pensar, sem planos específicos, apenas queríamos o melhor trabalho da nossa carreira até hoje, sem seguir qualquer uma das nossas influências pessoais. Queríamos colocar tudo que nós gostamos de uma forma que todos nós gostamos. A vontade, dentro da banda, era criar algo que todos nós pudéssemos curtir, tanto escutando quanto tocando. Acabou saindo assim: pesado, nervoso, porque essa é a nossa característica... Se tocarmos pop, vai ser o pop mais pesado do mundo (risos). Nós nos divertimos do começo ao fim do processo de composição e fizemos as músicas sem qualquer pretensão, queríamos apenas orgulhar a nós mesmos. É um álbum bem honesto e espontâneo.
Brasil in Metal: Nos últimos anos, a banda vem cada vez ganhando mais reconhecimento. De todos os acontecimentos mais recentes, como excursionar com grandes bandas e gravar em estúdios fora do país, qual vocês destacariam?
Dani Nolden: Excursionar, sem qualquer dúvida! É claro que foi legal gravar lá fora, experiências novas como trabalhar com um produtor como Fredrik Nordström ensinam muita coisa, mas minha atividade favorita dentro da música é estar no palco. Não tem algo melhor que fazer show todos os dias, cada dia em um país diferente. Essa é a vida ideal para mim, dentro de um tourbus!
Brasil in Metal: De todos os grandes músicos que vocês conheceram ou excursionaram, quais deles vocês destacariam? Houve algum conselho, comentário, elogio ou crítica que de alguma maneira foi mais marcante?
Dani Nolden: Tudo é sempre muito corrido. Sempre existe muito pouco tempo para conversar, então, quando esse tempo aparece, o último assunto em pauta é música (risos). Ao menos não nossa própria música! Falamos de outras bandas, das diferentes culturas, outras atividades. Eu acredito que, quando uma banda é chamada para ser a banda de apoio ou convidada especial, os músicos mais experientes assumem que você sabe o que está fazendo, afinal eles não chamariam alguém que não sabe para tocar com eles e acompanhá-los na turnê, então existe sempre muito respeito. Os conselhos sempre vieram mais de outros profissionais da indústria, como donos de gravadoras, jornalistas. Elogios, eu costumo não lembrar, não sei por quê. Talvez porque eu pense que, quando eu acreditar em um elogio, vou parar de evoluir. Esse foi um dos poucos e, sem dúvida, o melhor conselho que recebi de um músico. “Aproveite, mas não acredite”, que escutei do Michael Weikath do Helloween.
Brasil in Metal: Como vocês veem o cenário nacional do metal? Quais bandas vocês lembram de terem começado com vocês e quais bandas nacionais vocês mantem um contato mais próximo?
Dani Nolden: Eu lembro de bandas que já existiam quando começamos, como Torture Squad, Claustrofobia, mas não sei quem começou junto conosco. Hoje alguns dos contatos são com o Ivan, do Dr. Sin, o próprio Torture Squad e as bandas mais novas, como Imbyra, Pleiades. Tem muito talento por aqui. O que falta é organização do underground para que as bandas que ainda não tiveram oportunidade de se destacar aparecerem para o grande público.
Brasil in Metal: Quais assuntos vocês priorizam ao compor as letras?
Dani Nolden: Vida... e todos os aspectos dela. Tudo o que acontece comigo, com meus amigos ou que me inspira de alguma forma vai acabar em uma letra. No Inner Monster Out, eu fiz algo bem introspectivo, sobre a persona oculta que todos nós temos, sobre medos, personalidades e desvios dela, escapismo, perversões, tudo que existe de bom e ruim na natureza humana. Ele pode ser visto como um álbum meio obscuro, mas acredito que, na realidade, ele mostra como todos nós somos meio perturbados se analisados a fundo, e isso não é necessariamente ruim.
Brasil in Metal: Com o novo CD, o próximo passo é a turnê. Quantos shows vocês estimam que será possível fazer no Brasil até o final dela?
Dani Nolden: É difícil estimar quantidade, especialmente porque estamos começando a agendar a turnê agora. Já temos um show marcado em Penápolis como atração principal do Plis Rock e conversas bem adiantadas para Minas Gerais, Rio de Janeiro e algumas boas possibilidades para o Nordeste, capital e interior de São Paulo. Se possível, vamos agendar shows em todas as regiões do Brasil, afinal sei que temos um bom público em Manaus, por exemplo, e faz muito tempo que não vamos para o Sul. Nosso país é tão grande que dá pra tocar algumas dezenas de shows e ainda não vamos ter visitado tudo... então quanto mais, melhor!
Brasil in Metal: Muito obrigado pela entrevista e sucesso com a nova turnê. Espero que muitos brasileiros tenham a chance de ver um show desse que, na minha opinião, é o melhor álbum da banda até o momento.
Dani Nolden: Muito obrigada! Fico realmente contente que você tenha gostado tanto, nós colocamos todo nosso coração e energia nesse álbum. Espero que todos curtam e o toquem bem alto! Até mais!
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Publicação original de 28/09/2011. 2 imagens desta publicação não sobreviveram à migração de 2013.