Resenha de WORLD’S END BENEVOLENCE E.P., de MiD DERACINE (Clown of chaos div., 2011). Nota: 10,0.
A imagem em tons escuros de um fim do mundo soturno que adorna a capa de WORLD’S BENEVOLENCE E.P., terceiro maxi-single do MiD DERACINE, parece oferecer uma visão de agonia e melancolia que muito se aproximam do que as próprias músicas representam.
Enquanto o material em KLAGELIEDER E.P., TODESTRIEB E.P. e SOMBRE DIMANCHE tratavam de uma tristeza projetada no convívio das relações humanas, estas canções olham por um universo maior refletido na percepção de um indivíduo. O que não tornou as coisas nem um pouco menos pessimistas.
Foca-se num mundo natural, a vasta paisagem de interconexão com todas as coisas, que parece colapsar em total benevolência às catástrofes de todas as ordens da mesma forma que cada protagonista do mesmo tende a ruir frente às mazelas do dia-a-dia.
O cinismo herdado da escola de Nagoya, aquele de quem tem algumas verdades brutas para dizer, mas não economiza elegância, é a base para “JUDAS”. O tom confessional que Kagerou e deadman dominavam com maestria.
Os moldes jazzy ganham odor de cabaré barato em “SERENDIPITY”. Remu, Itsuki e Rina exibem controle total da guitarra, baixo e bateria (respectivamente) com fraseados técnicos sem em nenhum momento arruinar o teor pop da faixa. Cada lick e levada passa longe da masturbação estéril.
“AN OVERTURE TO EACH FUTURE” é daqueles momentos que só o visual kei é capaz de produzir — mesmo que o acusem de ser uma fábrica decadente de produtos em série. Musicalmente, a maciez e a exuberância das texturas só poderiam atingir o estado de arte que alcançaram através da voz grave, dramática e de timbre incomum (para os padrões ocidentais) de Hibari. Melodias embargadas e libertadoras que só possuem as cores vivas que têm pelas vozes que as cantam.
Seja lá quais são as suas esperanças para uma sobrevida da existência do visual kei, da sua ou do planeta, elas foram exponencialmente aumentadas após o surgimento do MiD DERACINE. WORLD’S BENEVOLENCE E.P., como os lançamentos anteriores do quarteto, é de uma honestidade comovente.
Publicação original de 28/09/2011.