Outro dia estava eu fuçando sites sobre j-music, caçando assunto pro blog, quando me deparo com alguém em situação semelhante. Gordon, do JrockNYC, postou um artigo explicando porque não falava de j-rock com a mesma frequência de antigamente, descrevendo a situação atual de seus ídolos antigos e recentes.

Resolvi copiar a ideia na cara dura e cá está este post. Estou dando uma olhada pra ver como estão as bandas e artistas que eu tanto ouvia há alguns anos (muitos ou poucos). Considerando, claro, os que ainda estão em atividade.

abingdon boys school

Projeto praticamente congelado neste ano enquanto Takanori dá ênfase à sua carreira solo de cantor. O último álbum, ABINGDON ROAD (2010), não impressionou tanto quanto o primeiro, autoentitulado, de 2007. Quem sabe até 2013 não temos mais um e, tomara, apresentando significativas melhoras quanto ao segundo. Capacidade pra isso, eu acredito que eles têm.

Bank Band

É o que o Kazutoshi Sakurai faz de vez em quando, mas folgas do Mr.Children. Então eles não estão sempre lançando mesmo. Todo ano ainda rola seu festival pró-meio-ambiente (e agora pró-vítimas dos desastres no Japão) “ap bank fes” com gente do porte de GLAY, the pillows, Hotei, ASKA e Keisuke Kuwata (Souther All Stars). Mas lançamento novo mesmo, nunca se sabe.

BUCK-TICK

Toda banda com essa idade diminui seu ritmo de atividade. Mas dentro em breve teremos novidades pra comentar com o início das comemorações de 25 anos desde o debute major. Com direito a novo álbum, o novo selo próprio Lingua Sounda (????) e tudo mais. Baseando-se nos últimos trabalhos, podemos esperar qualidade aí.

BUMP OF CHICKEN

Banda que está “normalzinha” do ano passado pra cá, lançando aí seus singles e álbum que não são surpreendentes, mas também não são ruins e apresentam material que se aproveite. Provavelmente devem se manter assim.

B’z

Curti bastante durante um período. Atualmente, não tenho mais pique pra ir atrás de seus lançamentos, só escuto os dois, três álbuns e mais algumas músicas às quais me acostumei. O estilo deles é muito repetitivo. As músicas novas são parecidas demais com outras suas pro meu gosto.

DIR EN GREY

Aff, precisa falar?!?! Hahaha! Aguardo com um mínimo de expectativa o próximo capítulo da novela que é a carreira da banda.

DuelJewel

A banda era boa em sua fase realmente independente, sem contrato, até mais ou menos 2006. Depois disso, desandou. Virou só mais uma banda visual “bonitinha” e, hoje em dia, pouco me lembro de procurar suas novidades.

Gackt

Ganhou recentemente aqui no blog um artigo inteiro sobre sua tragetória musical e, de bônus, muito destaque para o vergonhoso fato de que ele vive fazendo playbacks em shows.

GLAY

Ficou muito chata de 2009 pra cá. Atualmente, não consegue lançar uma música realmente boa. Tomara que seja só uma fase ruim na carreira deles. O último álbum antes dessa sua era das trevas, LOVE IS BEAUTIFUL (2007), foi bom, depois de 13 anos de carreira profissional. Eles são muito talentosos e espero que consigam se recuperar artisticamente.

Ikimono-Gakari

Descibri esse pessoal em 2008. Gostei do último álbum, Hajimari no Uta, de 2009, e do último single, “Waratteitanda”, deste ano. Seu sucesso na indústria major japa é meio recente, eles podem ainda estar caminhando pro seu auge e lançar músicas ainda mais bacanas. Se eles vão fazer isso ou aderir ao pop industrializadão e repetitivo, depende das suas aspirações artísticas e/ou da boa vontade da gravadora.

LUNA SEA

O primeiro single lançado depois do retorno e também última novidade do grupo, "PROMISE", não me atraiu de início, mas me conquistou recentemente. É um som bacana, mas é muito pouco pra quem curte rock japa e está quase órfão de bandas boas, como eu. Lança mais coisa ae, LUNA! Seus trampos solo de cada membro são muito chatos!

L’Arc~en~Ciel

Outra banda que naturalmente diminuiu seu ritmo com relação há alguns anos. Como os caras lançam muita coisa solo ou em projetos paralelos, imagino que os motivos variem entre renovação artística pessoal e até preservação da posição do L’Arc no mercado (ou seja, pra banda não saturar no gosto do povo). Pelo último single, “X X X”, dá pra sacar que eles ainda têm coisa boa pra mostrar.

MERRY

Passou anos numa fase muito chata, tanto que desanimei de acompanhar. O último — Beautiful Freaks, deste ano — deu um baita dum “up” que mais parece o lançamento do Viagra. Tão bom que arregaçou! E me deixou com vontade de ouvir mais!

Miyavi

Na verdade, só gosto de uma música ou outra dele. Mas o fato é que ele sempre está fazendo um som bom, interessante e está sempre se inovando dentro do seu próprio estilo mutante. Sem dúvida, um cara artisticamente de destaque especial na música japa hoje.

Mr.Children

Em plenos 20 anos de carreira, Mr.Children conseguiu mais uma das vez, pra variar, lançar um disco bom e de grande sucesso comercial, SUPERMARKET FANTASY (2008). Já o último álbum, SENSE (2010), tem músicas bem mais fracas. Talvez por isso eles não tenham vendido mais de um milhão de cópias de um álbum pela primeira vez desde 2000 — ano em que saiu o Q. O single digital deste ano, “Kazoe Uta”, também não empolga. Vamos aguardar pra ver o que acontece, porque esses caras não são de brincadeira.

MUCC

Como constatado com a ajuda do último post, a banda também entrou numa era das trevas, da qual eu não sei não se vai ter volta. Eles não sabem mais o que fazer com o próprio estilo e não têm laçado músicas boas. A capenga começou há pouco tempo, em algum momento entre 2009 e 2010. Dos álbuns, o triste mesmo foi Karma, do ano passado. Talvez seja preconceito meu, mas algo me diz que o grupo não vai conseguir se salvar nesse turbilhão tão volátil que é o mercado japonês. Talvez seja só desânimo por causa do último single, “Arcadia” (2011), em que a música é ruim, o clipe não presta e o visual dos membros é vergonhosamente apelativo e tosco.

Tomoyasu Hotei

Mais uma vez caímos na situação de alguém que tem muito tempo de carreira e lança músicas com bem menos frequência. O que temos de inéditas do Hotei recentemente são “STILL ALIVE” (2010) e “PROMISE” (2011), dois singles que não são ruins, mas também não empolgam. O último álbum é de 2009, GUITARHYTHM V — bacana, no padrão Hotei. Fora isso, ele tem se concentrado em projetos especiais e comemorativos: disco de covers, disco de músicas suas regravadas com parcerias, coletâneas de 30 anos de carreira. Mas pode confiar, mais dia, menos dia, Hotei vai lançar mais inéditas boas, como tem feito desde sempre.

X JAPAN

Também figurinha carimbada e “amada” aqui no RSI. Na verdade, o maior problema não é a banda, é o YOSHIKI. Ele é, ao mesmo, a solução e o problema. Solução porque continua criando músicas muito bacanas. Problema porque ele se dedica pouco a esta atividade e gasta muito mais tempo com marketing. Eu, pessoalmente, também quero ganhar dinheiro. Mas, como apreciador do X, me sinto frustrado em ver promessas não cumpridas de lançamento de álbum. E, apesar de não ir aos shows, também acho chato ver que eles são a única grande banda japonesa de rock a eventualmente cancelar apresentações ao vivo sem mais nem menos, além de ter um cantor que perdeu tanto de sua capacidade vocal. Pra um grupo que alguns clamam ser “a maior” banda de rock do Japão, estão devendo.

Percebam que a maioria dos que estão mandando bem não estão lançando com frequência. Aí fica difícil caçar assunto pro blog. “Tempo bão, não volta mais, saudade”, como diria o velho Lilico!


Publicação original de 09/11/2011. 19 imagens desta publicação não sobreviveram à migração de 2013.

Compartilhar
Comentários
0 comentários