Assistir ao filme Bunraku me deu vontade de falar sobre o Gackt. Aproveitando ainda os 11 anos de lançamento do álbum MARS. 11 provavelmente é um número importante pro Gackt. Acho interessate toda a trajetória dele até agora. Alguém poderia dizer que o que ocorreu foi bem comum, mas acho que o caso dele tem uns micos em especial.
Conheci o cantor em 2001 e me aprofundei na sua obra em 2002. E até então, a obra dele/do que ele havia participado era incrível. De 1996 a 1998 no MALICE MIZER, integrou a época mais original da banda. Começa solo em 1999. O primeiro álbum, MARS (2000), é supreendente. Várias músicas muito boas e um estilo ainda mais original do que o da banda anterior. No MALICE, você consegue identificar as influências: rock visual, música clássica, eletrônica... Se você se informar a procurar fontes, até descobre outras perdidas por ali, como música francesa e “trilhas sonoras de antigos filmes italianos de terror” (não lembro onde li isso). Mas o trampo solo do Gackt, você pode classificar genericamente como rock e pop japoneses — e realmente é algo que você ouve e idenfica facilmente como japonês, mesmo sem ouvir as letras. Mas nem no Japão você acharia coisa muito parecida.
O que veio em seguida manteve a qualidade. REBIRTH (2001) não é tão bacana quanto seu antecessor, mas é bem legal. E fico na dúvida sobre qual seria o melhor álbum da carreira do homem, MARS ou MOON (2002), que aliás tem minha música preferida dele, “LU:NA”, genialmente apresentada ao vivo em Gackt Live Tour 2004: The Sixth Day & Seventh Night (Final) (2004). Se o Gackt realmente bolou todo esse som sozinho, estaria facilmente entre os melhores músicos japoneses, eu diria, e deveria estar entre os maiores e mais famosos.
Apesar de que, por esses trabalhos, Gackt talvez mereça mais reconhecimento, ele já tem bastante fama, chegou a tocar no Tokyo Dome, já fez muito comercial e tal. Acho que ele só não tem mais por causa de todo esse jeitão gay dele. Ou será que, sem isso, ele seria menos reconhecido? Ou será que pra ele ficar mais famoso só precisava pronunciar as palavras direito enquanto canta? Coisas da indústria... Voltando ao assunto principal, agora...
Depois, em 2003, Gackt chegou a lançar Crescent, um álbum não tão legal quanto os três anteriores, mas ainda assim bom. Dois anos depois, Love Letter foi uma surpresa controversa. Um álbum só de baladinhas, músicas calminhas e que deu origem ao clipe mais tosco dele até então, “Arittake no Ai De”. Eu, particularmente, achei o disco bom.
Ainda em 2005, o cantor lançou DIABOLOS, mantendo seu estilo mais tradicional, mas aqui começaram os problemas em termos de composição. De repente, não mais que de repente, a fonte secou, e suas músicas ficaram cada vez mais chatas. Muitos singles foram lançados nos anos seguintes. Basicamente, a maior parte dos lados-a que saíram entre 2005 e 2009 foi juntada no disco Re:Born (2009), em que a única música realmente boa é “Ghost”. Fora isso, pouca coisa é ouvível, como “Jesus” e “Suddenly” (o que não quer dizer que seja memorável).
Tudo isso até agora é chato, porém normal de acontecer com um artista. Paralelamente, ocorreu algo muito mais estranho. Gackt sempre foi ótimo cantor. Eu, pelo menos, sempre achei que, além da técnica, ele tinha uma voz única e cheia de carisma e estilo. No Japão, especialmente no rock, era um dos melhores. Mas logo no início de sua carreira solo deu pra perceber que ele começou a fazer playback.
Quando um cantor canta ao vivo pra valer, não é difícil perceber pequenas imperfeições (não necessariamente erros) na duração das notas, afinação às vezes etc. E encontramos vários momentos do Gackt em que dá pra ver que é um puta dum playback:
- Gackt Live Tour 2002: Kagen no Tsuki (Seiya no Shirabe) [2002]
- Gackt Training Days 2006 Drug Party [2007] (Tenho aqui outra grande suspeita. Além de a voz estar perfeita demais, muito artificial entre efeitos e duração das notas, os sons dos instrumentos às vezes não parecem combinar com os movimentos dos músicos.)
- Visualive Arena Tour 2009 Requiem Et Reminiscence II Final Chinkon To Saisei [2010]
- Reparem e comparem em “U+K” a entonação da voz do Gackt, as durações das notas, cantar no tom certinho — durante a parte a cappella do começo do vídeo e no meio do vídeo. Reparem também que o grito de Gackt, em 1min57s, destoa bastante do resto do seu vocal na música, até na textura da voz.
- Em “Ghost”, temos não apenas um playback descarado do Gackt cantando, mas também da banda toda, desta vez fica bem claro. O número, a princípio, é lindo, mas um grande detrimento da arte musical em nome do show.
“Fia da...”
Pra vocês verem como não é mera implicância minha, a discussão existe internet afora. Se Gackt nunca tivesse feito playback nos próprios shows de turnês, esse assunto não seriatão abordado. Só não é mais difundido por causa de fãs idiotas que preferem se cegar para o assunto e/ou arrumar desculpas esfarrapadas pro Gackt — como se ele fizesse grandes favores pro público — por causa de seu fanatismo fútil, como podemos ver no meio das discuções.
Depois de ver coisas assim, qualquer apresentação do Gackt é suspeita pra mim. A única que tenho certeza de que não é playback é MARS Sora Kara no Homonsha: Kaisō (2000). E tenho quase certeza de que Gackt Live Tour 2004: The Sixth Day & Seventh Night (Final) (2004) não tem problema desse tipo, se não me lembro mal. Por sinal, neste último vídeo linkado, “LU:NA” nesse show de 2004, Gackt realiza um número maravilhosamente coreografado e executado enquanto canta ao vivo de verdade.
Mas depois, o Gackt ficou assim, cheio de músicas chatas e, pior, cheio de playbacks. Um cara que era tão bom e tinha uma carreira tão legal mergulhou na mediocridade. Ele deve achar seu público é idiota.
Mas algo me diz seu público realmente pode ficar devendo inteligência. Sei lá... É preciso entender de música tanto assim pra sacar que aquela “Ghost”, ao vivo nesse DVD Visualive Arena, de 2009, é playback? Porque as minas que comentaram coisas no vídeo como (sic) “Just SPECTACULAR!”, “okay, this is my fav live of anything!~ <3 GACKT is perfect!!”, “See?! This is why I love him! He can sing amazingly AND dance kick-ass-ingly!” e “It is live. GACKT always sing live, and I don't see a reason why he shouldn't; he sounds way better live”.
Reforçando minha teoria de que o fã é um bicho dos infernos.
Se você é acha que o Gackt nunca fez playback, provavelmente acha também que ele gosta de mulher.
Publicação original de 13/10/2011. 3 imagens desta publicação não sobreviveram à migração de 2013.