Resenha de Hameln, de MERRY (FIREWALL DIV., 2011). Nota: 8,5.

Adotando o tradicional conto medieval do Flautista de Hamelin, famoso na versão dos Irmãos Grimm, o MERRY nos dá através desse single comercializado somente em shows mais uma pista de como Beautiful Freaks, seu próximo álbum, deverá soar.

Ainda desrespeitando qualquer fronteira entre o jazz, punk, rockabilly e pop japonês dos anos 60, o quinteto dispara em “Hameln” um torpedo roqueiro com toques do passado. A faixa é urgente como os lançamentos dos últimos anos, mas possui doses cavalares de melodias hipnotizantes como as do primeiro álbum da banda (que muito combinam com o próprio conceito da música).

Ela pode ser um pouco difícil de assimilar nas primeiras audições. Não pela sua complexidade, mas pela intensidade máxima com que Nero e seus parceiros tratam as composições que criam. Coisas que os fãs já estão devidamente habituados.

No fim, é aquele campo que a banda habita e domina com competência única. Riffs circenses de guitarra, levadas velocíssimas de bateria e um vocal quase em tom de discurso. Os resultados são até aparentemente desleixados, mas um olhar atento revela um background cultural fortíssimo servindo a uma invejável criatividade musical.


Publicação original de 06/07/2011.

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