Resenha de Dai-hakken, de Tokyo Jihen (EMI Music Japan, 2011). Nota: 9,0.

Os singles e previews davam pistas incertas do que viria a ser o novo álbum do Tokyo Jihen. Um rock depressivo, um jazz padrão, um grande número big band e um rock recheado por camadas de barulhos. A rigidez de Ringo e seus comparsas em seguir conceitos formais parecia ter sido deixada de lado. E realmente foi. Dai-hakken é o disco mais cordial e descompromissado já lançado pela banda.

Como os lançamentos pré-álbum previam, há uma grande variedade de estilos explorados. Pode até parecer que eles procuraram atender a todos os gostos, porém sem qualquer traço da descartabilidade que essa afirmativa possa induzir. Trafegando entre terras totalmente opostas, do experimentalismo da brilhante “Kinjirareta Asobi” ao R&B tradicional de “Osorubeki Otona Tachi”, a banda apresenta uma maturidade artística irrefutável.

A falha do álbum Variety não é repetida. As faixas são diversas, mas não parecem filhas exclusivas de quem as compôs. Basta ouvir a tocante balada “Denki no Nai Toshi”, precedida pelo peso da guitarra da quase anime song “Atarashii Bunmei Kaika”. Na verdade, o Tokyo Jihen nunca soou tão uniforme quanto agora.

Até mesmo a simetria no tracklist ficou para o passado, optando agora por uma constância na quantidade de caracteres que reflete o clima igualitário que permeia todo o álbum. Com diversas dinâmicas e sinuosidades melódicas, Dai-hakken é um recomeço fresco para o Tokyo Jihen.


Publicação original de 04/07/2011.

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