Resenha de VIVA! AMERICA, de Inugami Circus-dan (Kimendai Records, 2010). Nota: 9,5.

Há alguns anos, li uma entrevista com Minoru Niihara, vocalista do LOUDNESS, para o site americano Metal Sludge. Em meio às muitas perguntas sacanas que caracterizam os questionários da página, uma era especialmente engraçadíssima. O entrevistador caçoava o engrish de Minoru em frases como “CRAP YOUR HANDS, EBULYBODY” (num inglês correto: “Clap your hands, everybody”). Bem humorado como sempre, o lendário cantor respondeu que é uma estrela do “Loki ’N’ Loll”. O som do Inugami Circus-dan é exatamente isso, Loki ’N’ Loll purinho!

VIVA! AMERICA começa com “Memento Mori”. Dedilhados misteriosos, bateria contida e frases em japonês recitadas em tom de ordem. Até que o negócio descamba para um suingue infalível enquanto a banda faz coro para cada chamada de Inugami Kyouko: “Genzai? GENZAI! Sex? SEX! Rock? LOKI ’N’ LOLL!”. Mais carismático impossível!

“Memento Mori” é a primeira do conjunto arrasa quarteirão que inaugura o novo álbum da banda. “DEAD END KIDS” já era clássico desde o single; rápida, empolgante e sem frescuras. Os mais aprofundados terão uma grata surpresa ao saber que o PV foi dirigido por KIBA, do Gargoyle. A faixa-título começa com uma pequena citação para “The Star-Spangled Banner”, hino nacional dos Estados Unidos, e depois emenda numa Kyouko cantando feito uma doida varrida. Mais uma vez, é endossada em seu discurso insano por toda a banda em coro.

“Karei ni Mae!” e “Seiyaku” são um pouco mais emocionais, mas não ache que a banda pisou no freio. Eles só dão descanso para o ouvinte na sutilmente bela “Jiai”. As influências de enka afloram numa letra sobre amor e misericórdia. Os solos e floreios de Inugami Jouji ni-gou dão um toque dramático a toda carga depressiva da faixa. Aliás, o cara é o guitarrista mais underrated de todo o Japão. Sua capacidade em criar riffs malandros e solos certeiros deveria ser estudada com afinco.

“NEW CREATURE” é mais uma amostra da eficiência do cara. Jouji martela um riff eficiente enquanto Akira faz a cama para os vocais. O talento do Inugami Circus-dan em transformar coisas simples em petardos maliciosos é o grande barato da banda. O refrão de “Kurutta Sekai” (pelo nome já da para imaginar as letras) é cativante na medida e Zin saca um groove gorduroso do seu baixo para a levada suingada que surge no meio da música.

Agora, “CRAZY CAT LADY” já é ótima só pelo título, mas os caras conseguem compor uma letra insana e combiná-la com um instrumental quase heavy metal. Sério? O que eles comem?

O resto do disco é igualmente lindo. Faixas como “Yōjo Ningyō”, “Ikiryō”, “Shisa no Uta” e “Yūrei Kitan” confirmam todo o arsenal de adjetivos que metralhei ao longo dessa resenha. O Inugami Circus-dan consegue trafegar com excelência de um rock deliciosamente cafajeste à melodias altamente refinadas.

Os únicos pontos negativos são “Fuhai” e “Jihai”, faixas menores que não tiram o brilho do álbum. Afinal, são quinze músicas no total. Os caras têm o direito de dar duas pequenas mancadas compondo tantas pepitas num álbum só.

O Inugami Circus-dan é uma banda extremamente talentosa individualmente e soam poderosos quando reunidos. A força da unidade desse grupo é tão grande que fica difícil imaginá-los separados. Se duvidar, até eles mesmos percebem isso. Quando tentaram gravar um som diferente, só criaram o nome Angelique, mantendo todos os integrantes originais. O resultado? É óbvio que foi muito legal.

Estão juntos desde 1994, sem nenhuma troca de integrante e com uma proposta única. Vai dizer que você não queria fazer parte dessa banda? Ah, como eu queria...


Publicação original de 10/02/2011.

Compartilhar
Comentários
0 comentários