Olá a todos leitores da Rádio Blast! Este post tem uma curiosidade. Eu estava lendo um outro blog sobre cinema e acabei escrevendo muito e pensei: isso dá um post. Então vou escrever outras duas ou três coisas a mais aqui e publicar.
Sei que o filmes da Sofia Coppola não fazem muito o estilo de vocês, mas gostaria de saber: quem já viu os filmes mencionados aqui embaixo? E quais?!
Me chamaram para assisti Um Lugar Qualquer e eu nem sabia que era da Sofia Coppola. Fui meio que despretensiosamente, principalmente porque as péssimas sinopses que circulam por aí fazem com que eu goste menos dos filmes e eu fico na expectativa. O filme fala sobre um ator muito famoso e sua filha. Eu gostei muito, achei que a direção de arte utiliza bem os tons pálidos e neutros durante o filme, nas roupas, nos objetos, nos móveis que reforçam a idéia de vida insossa do personagem Johnny Marco.
A fotografia usa travellings/zooms muito lentamente de uma maneira que fica delicado e não brega. Travelling é um movimento da câmera num trilho, a diferença para o zoom é que o zoom o que mexe é a lente, no travelling é a câmera. A cena em que o personagem está com a cabeça coberta para fazer um molde tem zoom in. Essa cena, em particular me deixou muito ansiosa, porque tem o barulho da respiração do personagem e é constante, e o take foi demorado e foi lentamente aproximando, dando a sensação de que algo pode vir a acontecer. Só que nada acontece e reforça a ideia de vazio interior do personagem, por exemplo.
Gostei muito também da atuação da Elle Fanning, ela consegue ser básica, simples e ainda ser uma boa atriz. Sua personagem poderia ter ficado exageradamente feliz ou madura, mas a ela conseguiu balancear de forma com que o resultado ficasse muito bom. Um exemplo disso é a cena em que ela está na mesa com uma amante do pai, onde ela faz 'caras e bocas' para o pai, mostrando que não está gostando nada da visita da amante.
Em um geral, eu gosto dos filmes que a Sofia Coppola faz. Todos falam meio que sempre de uma mesma coisa, de vários pontos de vista diferentes, As Virgens Suicidas (1999) também fala do vazio interior dos personagens, porém tem mais ação e não é tão parado quanto Encontros e Desencontros (2003) que, por sua vez, também trata de personagens/ícones decadentes que nem Maria Antonieta (2006) e Um Lugar Qualquer (2010).
Mesmo ainda sendo filmes sobre o mesmo pensamento, acredito que sejam filmes bem distintos. O primeiro com mais cara de hollywoodiano, e o último, mais experimental. Não acho que ela deva mudar de estilo, como já vi pessoas comentarem, eu gostaria de ver outro filme na mesma linha, ainda mais maduro e mais experimental.
Publicação original de 10/02/2011. 2 imagens desta publicação não sobreviveram à migração de 2013.