Resenha de WHAT’S MY NAME? e.p., de MIYAVI (Sony Music Japan, 2011). Nota: 3,5.

O MIYAVI é um saco. Detentor de um bom-mocismo para lá de piegas, protagonizou um dos momentos mais embaraçosos da música quando, ao anunciar que estava saindo do antigo agenciamento para abrir um escritório próprio, criou um drama ridículo com frases para lá de cômicas. Vou selecionar os melhores pedaços:

Eu olhei para o céu e horizonte que se estendia por cima do mar em Okinawa pela primeira vez em todos estes anos (...). Pensei em mim mesmo como artista, como tratar os fãs e as pessoas que me apoiam. Pensei, pensei e me cansei. Tirei uma soneca, pensei e pensei. Tomei um banho, pensei e pensei. Fiquei com fome, comi uma refeição leve, pensei e pensei. Andei pelo mar, pensei e pensei.

Então, antes que eu percebesse, já era de manhã. Eu vi o sol nascer de dentro do mar e, sem pensar, eu espontaneamente comecei a chorar.

Sério, não é uma das coisas mais ridículas que você já leu? Mas acalme-se. O cara é chato, mas o público é pior ainda. Quando se casou, as fãs promoveram um caça às bruxas cheio de mensagens de ódio pelas muitas mídias sociais. O negócio chegou a um nível tão absurdo que tanto o MIYAVI quanto a esposa tiveram que pedir desculpas publicamente. Causo digno de manchete do TV Fama.

Mas o exímio guitarrista não vive só de factoides, pilhas de lançamentos já foram postos no mercado.

O início de carreira foi sofrido. Álbuns pavorosos como galyuu e gagaku são tiros à queima-roupa no bom gosto. Para a alegria geral, o cara lança desde 2005 — exatamente a partir do single “Kekkonshiki no uta/Are you ready to ROCK?” — CDs não menos do que ótimos. O resultado dos álbuns 7 SAMURAI SESSIONS -We’re KAVKI BOIZ- e miyavi-THIS IZ THE JAPANESE KABUKI ROCK- é irrepreensível.

WHAT’S MY NAME? e.p. é o novo EP do rapaz. O nome desanimador obviamente vem da faixa-título do último álbum, mas tão broxante quanto é o tracklist. Quatro versões diferentes para a mesma música! Diferenças? Só o baixo de cada uma delas.

Na faixa, aqui requentada, MIYAVI e sua guitarra são acompanhados por uma bateria suingada. Não é um dos melhores momentos do álbum original e continua pouco interessante com o passar do tempo.

A primeira participação é de Ichirō Yoshida do ZAZEN BOYS, com um desempenho técnico impressionante, mas musicalmente medíocre, transformando o instrumental num barulho só. Hama Okamoto do OKAMOTO’S e Hidekazu Hinata do Nothing’s Carved In Stone se deram um pouco melhor, mas, a essa altura, você não vai aguentar tudo de novo.

A música não ajuda, os slaps que MIYAVI faz na sua guitarra afinada em tons graves preenchem a canção e não dão espaço suficiente para os baixistas adicionarem qualquer coisa significativa.

WHAT’S MY NAME? e.p. é uma tentativa de espremer os últimos centavos daquele dinheirinho que você ganhou da sua vó no Natal. Preguiçoso, MIYAVI só reciclou uma música manjada e apostou na fidelidade cega de seus fãs para engordar um pouco mais a sua conta bancária. Um lançamento tão descartável quanto às fraldas das duas crianças que ele tem em casa.


Publicação original de 08/02/2011.

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