Resenha de V-ROCK Disney , de Vários (Walt Disney Records, 2011). Nota: 3,5.
Se já houve uma ideia que não merecia a mínima atenção, é a que deu origem a este V-ROCK Disney. Uma coleção de artistas do visual kei tocando covers de canções originalmente compostas como trilha-sonora para filmes da Disney, V-ROCK Disney é o exemplo perfeito de álbum completamente construído por uma empresa.
Pior que o NIGHTMARE até engana e faz parecer que o negócio tem algo de promissor com as suas “The Sorcerer’s Apprentice” de Fantasia e “Friend Like Me” de Aladdin, versões competentes com a cara da própria banda e um toque das originais. “Chim Chim Cher-ee” de Mary Poppins pelo Plastic Tree também não é dispensável.
Porém, todo o resto das faixas aqui soa esquálido e pouco inspirado quando não completamente horroroso. O PENICILLIN com “Hawaiian Roler Coaster Ride” de Lilo & Stich é exatamente o samba-de-crioulo-doido que esta combinação sugere antes mesmo que você ouça a faixa. O CASCADE parece uma banda de festa de aniversário com “Heigh-Ho” da Branca de Neve, enquanto Aoi baixa o cantor de karaokê de bar em “Can You Feel the Love Tonight” de O Rei Leão.
No quesito crime contra a humanidade, o DASEIN relembra o melodrama da sempre terrível “You’ll Be in My Heart” de Tarzan. Ryūichi Kawamura, que não perde uma oportunidade de assumir sua pieguice, canta uma “Beauty and The Beast” new age, tema de A Bela e a Fera, claro. Já os caras do NINJAMAN JAPAN deveriam ser presos perpetuamente pelo que fizeram à “When You Wish Upon a Star” de Pinóquio. Em algum lugar do interior dos Estados Unidos, as orelhas de Leon Redbone esquentaram. Tudo tão ridículo quanto o Mickey travesti usando salto alto no encarte do CD.
Essencialmente, V-ROCK Disney é um exercício comercial de reciclagem que só deve agradar gente que vive intensamente esse revival Disney que infesta lojas de roupas, papelarias, bancas de jornal e salas de cinema. Para quem tem prazer em gritar para todos os mundos que já assistiu Cinderela cinquenta e quatro vezes só este ano. Tenha respeito aos neurônios que ainda lhe restam e passe longe.
Publicação original de 15/09/2011.