Estou vivo! E andei ouvindo uns breguetes aê. Tipo:
BOAS
DuelJewel - Noah (2002)
Nos tempos que DuelJewel prestava (por sinal, quando era realmente independentes, sem gravadora e tal), eles soltaram Noah. Seguramente, um dos melhores discos de rock’n’roll já lançados. São oito faixas. Fora a primeira, uma daquelas introduçõezinhas de barulhinhos dispensáveis, e a última, muito barulhenta, as outras seis vão de bom a ótimo. Mostram muito bem a capacidade musical e criativa da banda, são envolventes, variam bem. E soam como música do visual kei sem parecer clichê ou forçado. Dá pra ver claramente a “alma” da banda ali. Destaque pra faixa-título e seu solo de duas guitarras ao mesmo tempo (tocando linhas diferentes) — muito bonito. Atualmente, os membros do DuelJewel resolveram ganhar dinheiro e, afinal, viver de música vestindo as fantasias de bonecas de plástico da indústria underground do visual kei e não fazendo mais músicas assim.
Kaela Kimura - 5years (2010)
Pra quem não conhece, a Kaela não é só uma moça muito bonita que usa cortes de cabelo escrotos. Ela é também muito boa cantora e tem caras talentosos compondo pra ela. Nesta coletânea, tem vários singles muito bons reunidos, como “Butterfly”, “Yellow”, “Snowdome” e “Forbidden Fruits”, só pra citar alguns exemplos. Normalmente eu destacaria do trampo dela sempre as músicas de pop rock agitado, sua especialidade, mas a melhor do álbum é, de longe, a belíssima “Doko”. No mais, tudo aqui é bem, produzido, bem arranjado. Pedida muito boa pra quem curte esse tipo de som japa com vocal feminino.
shiki∞project ~Kokozorashi no Inbō~ - “Rasasakura” (2011)
Mania de japa do VK de dar nome enorme pras bandas... Mas tudo bem. Dessa vez passa, porque é o Ishii. E não vou ser bonzinho só porque ele morreu, mas, sim, porque ele lançou algo bom como o Kagrra (aquela merda daquela vírgula do nome da banda atrapalha de se escrever decentemente em português, caramba) não lançava há muuuuito tempo. Na real, não gostei do lado-a, mas as outras duas músicas do single, “Kanashi Urameshi Ana Itoshi” e “Shirakuen” são bacanas. É o mesmo estilo de seu antigo grupo, só que feito decentemente. Com uma produção independente e bem inferior, porém com composições bem mais inspiradas. Este trampo foi bem melhor destrinchado na resenha do nosso caro Vini.
BOMBAS
ASIAN KUNG-FU GENERATION - World World World, Mada Minu Ashita Ni e Surf Bungaku Kamakura (2008)
Eles estavam passando por uma época de excessos. Só em 2006, já haviam soltado dois álbuns. Dois anos depois, soltam um álbum, depois um miniálbum e então outro álbum, tudo num espaço de sete meses. É música demais em pouco tempo. O pior é que eu acho que a única coisa realmente aproveitável desses três lançamentos é “After Dark”, a única música realmente boa dos três discos. Cumprir algum contrato absurdo, pressão da gravadora pra aproveitar o grande momento da banda — posso imaginar diversas razões pra esse exagero. Mas com certeza a maior impressão é a de que foi tudo feito forçosamente e sem inspiração. Em 2010, eles se saíram proporcionalmente melhores, apenas com o Magic Disk.
My Little Lover - discografia (1995-2010)
Verdade seja dita, a banda tem umas músicas excelentes — algumas delas estão entre as mais lindas que já ouvi. Mas a maior parte de seus trabalhos é um j-pop mecânico que não vale uma ouvida. My Little Lover era Akko no vocal, Takeshi Kobayashi (lendário produtor e pianista do Mr.Children) no teclado e um cara aí pouco relevante na guitarra. Akko e Takeshi foram casados de 1996 até 2008, quando ela descobriu que ele meteu uma galha nela com uma novinha. Aí a banda virou praticamente sua carreira solo. Mas tudo de importante que eles produziram até 2008 está reunido nas coletâneas Singles (2001) e Self Collection: 15 Currents (2004). A vasta maioria das músicas são composições de Kobayashi. Depois disso, My Little Lover usou dos serviços de diferentes compositores e soltou dois álbuns originais: Identity (2008) — muito interessante e, na real, o melhor álbum de estúdio deles, com a música mais linda, “Ai to Heiwa”; e Sora no Shirushi (2009), quem tem algo que se aproveite. As coletâneas e estes dois álbuns não são “bombas”, são “boas”. O resto é resto — até, quem sabe, que lancem mais coisas.
Publicação original de 27/12/2011. 7 imagens desta publicação não sobreviveram à migração de 2013.