Acho que agora cheguei ao momento mais “tr00” deste blog. Escrever sobre bandas desconhecidas como Kneuklid Romance e Blüe, é uma coisa que não se vê por aí em grande quantidade, falar sobre o underground atual é fácil também, informação hoje não é como há cinco ou dez anos. Mas falar de Gargoyle é trabalho difícil, pois não existem muitas bandas tão ame-ou-odeie quanto eles. Mas eu gosto, e espero que consiga fazer mais pessoas gostarem deles.
Primeiramente, é bom saber que Gargoyle é uma daquelas bandas que nunca saíram do underground, e parecem que não fazem muita questão disso, sentem-se bem nessa casa. A banda começou em algum ponto na segunda metade da década de 80, não arrisco dizer números exatos, mas há registros de demos deles em 1984. É mais provável que nessa época tenha nascido alguma coisa que geraria a banda. A formação clássica da banda consiste no vocalista Kiba, no guitarrista Kentaro, no baixista Toshi e no baterista Katsugi. O mais interessante de tudo é que eles se mantêm ativos até hoje, nunca pararam, e mesmo sem grande projeção possuem um gama fiel de fãs. Hizaki é fã assumido, Kiyoharu já disse que Gargoyle foi uma das coisas mais geniais de sua época, e até Sex Machineguns já homenageou os caras.
Deu pra perceber o peso que a banda tem em toda a geração visual kei (rótulo que eles, inutilmente, negam), e foi um dos responsáveis pela grande onda de bandas de heavy metal que povoaram a cena naquela época. No entanto o som de Gargoyle é algo único, é aquilo que os torna diferentes de qualquer coisa que saída do heavy meatal. Primeiro, a principal influencia foi, é, e sempre será, GASTUNK e thrash metal — quem ainda não percebeu, KIBA é um anagrama para Baki, ma homenagem ao vocalista do Gastunk. Então você pode esperar batidas velozes na bateria, riffs rápidos de guitarra e bate-cabeça até estourar. Além disso, eles sempre experimentaram, usavam de melodias barricas na guitarra, que era um dos elementos que os tornavam únicos. E para amarrar tem a voz nada comum de Kiba. É estranha e espanta a maioria dos ouvintes de primeira. A mim sempre me lembrou uma pessoa com calo na garganta tentando cantar. Mas não se deixe enganar, este é apenas mais um dos charmes da banda, e depois de um tempo você não consegue imaginar o que seria deles sem o carismático Kiba.
Como indicação, trago o miniálbum Kaikoroku, lançado em 1992, quando a banda desfrutava do auge da fama (nada muito alto), e que, para mim, é a síntese de toda a proposta da banda. São poucas músicas, mas que esbanjam criatividade. Não se espante em notar semelhanças em algumas composições de bandas da década de 90, mesmo aquelas que não puxavam para o metal. Se servir como incentivo para que este miniálbum incrível não passe em branco, foi daqui que Hizaki tirou a música “Hunting Days”, é um dos covers mais legais da época do Schwardix Marvally.
Agora eu fiz a minha parte, espero que gostem de Gargoyle. E divulguem. A banda, como eu já disse, continua ativa, e precisa de todo apoio e respeito dessa nossa geração nyappy perdida. Esse ano tem CD novos deles, e podem ter certeza de que ele irá dar as caras aqui.
[1992.05.xx] Kaikoroku
- Hunting Days
- Kuro
- Ja’aku
- Dying Message
- Crazy Sadism
Publicação original de 08/08/2009. 1 imagem desta publicação não sobreviveu à migração de 2013.