Dia 8 de novembro de 2009. Um dia que ficará marcado não só para mim, mas também para muitas pessoas que presenciaram um show emocionante e tecnicamente perfeito. Sim meus caros, preparem-se porque a rasgação de seda será muito grande neste “Live report” com cara de diário de acontecimentos.

Lembro como se fosse ontem quando comprei meu ingresso do Maquinária para assistir uma das minhas bandas favoritas na adolescência, o Faith no More. Alguns dias depois, quase fui atropelado indo para o serviço quando peguei um jornal e vi que o Dir en grey estava negociando sua vinda para a segunda noite do Festival. Quando veio a confirmação então, nem se fala, só não fiz xixi nas calças de tanta alegria porque não tenho mais idade pra isso!

Faltando uma semana para o show, começaram várias promoções para conhecer os integrantes. Fiquei várias madrugadas acordado, mas infelizmente não ganhei nada, porém muitos amigos meus conseguiram e tiraram fotos, autógrafos... sem contar que um deles pediu para o Shinya autografar o braço, dia seguinte fez uma tattoo linda por cima.

Domingo, horas antes de começar, estava a olho nu a tensão e ansiedade das pessoas na fila. Eu mesmo não conseguia ficar parado, saía da fila para conversar com um grupinho, ia cumprimentar outro... Quando liberaram a catraca, aquele caminho de quase um quilômetro parecia não ter fim e, ao chegar ao palco, todo aquele grupo gigante da fila começou a se separar, procurando os melhores lugares.

Depois de mais de duas horas, o Duff Mckagan’s Loaded subiu no palco com um repertório bem agitado, mas confesso que só me empolguei quando vi o Duff pegando o baixo (ele é o vocal/guitarra base da banda), relembrando seus tempos de Guns N’ Roses e Velvet Revolver e quando tocaram “So Easy”, um clássico de sua ex-banda. Era engraçado ouvir o povo gritando a cada aparição dos integrantes do Dir en grey no canto do palco!

Enfim, o momento tão esperado!!! “Sa Bir” tocando enquanto Kaoru, Toshiya, Shinya, Die e Kyo assumiam seus postos. A expressão do Kyo era hipnótica, fiquei absolutamente imóvel até o momento que começou a “Shokubeni”, aí sim desandei a gritar, pular que nem um maluco! Foi nessa hora que, por estar sem cinto (tiraram na entrada por ser de rebite), minhas calças caíram e boa parte fiquei de cueca, alienado ao povo gritando: “Manooo, levanta essas calças :D!!!”. Na sequência, veio “Repetition of Hatred” e “Agitated Screams of Maggots”, com um Toshiya totalmente insano em palco, ia de um canto para o outro, rodava, chamava o povo para agitar junto com eles, levantava seu baixo... A “The Final” foi um dos auges, o público inteiro cantando junto, até mesmo fãs de Panic! e Evanescence deram o braço a torcer e agitaram junto. Nessa hora, foi a primeira vez que senti o choro preso na garganta, mesmo estando super empolgado, meu comportamento não se comparava com de vários amigas e amigos meus, que estavam em prantos antes mesmo do show, o que era lindo de se ver, pois entendia muito bem o sentimento deles.

“Vinushka”, malandro!!! O que diabos foi ouvir “Vinushka” ao vivo, Kyo mostrando e dando um tapa na cara de todos os babacas que dizem que ele não possui técnica nenhuma, que só sabe gritar. Foram dez minutos de êxtase, eu ficava alternando momentos em que pulava e cantava, outros disparando fotos uma atrás da outra. Nessa hora, também houve uma tensão com o pessoal que estava esperando as outras bandas, começaram a gritar para desligarem o som e algumas ofensas, não consegui me controlar e fiquei puxando o braço de uns para irem lá atrás, fiquei falando que não fazia sentido de ficarem ali na grade se não gostavam da banda. Mas o stress foi por pouco tempom porque logo em seguida veio “Obscure”, descarreguei todo meu ódio em cotoveladas e coices. Como estava bem na frente do Kaoru, delirei quando pegou sua guitarra cor de abacate e ficou sacudindo a cabeleira. Infelizmente não prestei muita atenção no Die, pois estava na outra ponta, mas pelo pouco que vi dava para ver sua alegria estampada no rosto. Na “Reiketsu Nariseba”, foi engraçado ver as pessoas espantadas por causa dos berros do Kyo, a cada curvada e tremida nas pernas dele, eu gritava como um maluco também. Não tenho muita certeza, mas acho que foi depois dessa música que teve uma a cappella do Kyo, e mais uma vez fiz uma força tremenda para não chorar. Logo em seguida começou aquela batida bem conhecida de todos: “Dozing Green”, com seus riffs de guitarras perfeitos. Na “Inconvenient Ideal”, já estava ficando desesperado porque sentia o fim do show, fiquei admirando a concentração e seriedade do Kyo, a técnica do Kaoru, o carisma do Toshiya e a energia do Shinya. Infelizmente o fim se aproximou com a maravilhosa “Gaika, Chinmoku ga Nemuru Koro”, foi lindo ver o sempre na dele Kyo, agradecendo e mandando beijo para nós e a chuva de palhetas dos três.

Terminando o show, foi que caí na real, pois tudo parecia um sonho. Nessa hora, a única coisa que consegui fazer foi sentar no chão sozinho e cair no choro, que era uma mistura de alegria, tristeza pelo fim, e por tanta coisa que passou pela minha cabeça que nem lembro direito. Só ouvia vozes conhecidas, pessoas me abraçando... Quando levantei, percebi que não era o único que estava em prantos, um monte de pessoas abraçadas e gritando o quanto foi foda o show.

Ao final de tudo, um temporal daqueles, muitos fazendo o mesmo que eu: correr feito um maluco na chuva, com aquela sensação de alma lavada.

E para matar a saudade, as fotos que tirei estão no meu Flickr.


Publicação original de 11/11/2009. 5 imagens desta publicação não sobreviveram à migração de 2013.

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