Magia e criaturas mágicas são a combinação mais óbvia e mais fácil de fazer qualquer pessoa feliz. Eu descobri isso enquanto jogava o game que vou analisar e indicar hoje. Apesar de estar em Early Access, ele já consegue mostrar para o que veio: combates com magia, exploração e colecionismo de criaturas fofas!
Escolhido, hoje você está convocado a ler esta review sobre Witchspire.

Disclaimer: Como o jogo está em Acesso Antecipado, bugs e outros problemas serão citados se forem muito relevantes ou impactantes dentro da minha experiência. Então leve isso em consideração.
Ele foi desenvolvido e publicado pela Envar Games (Primeiro trabalho) no dia 10 de Junho de 2026 em Acesso Antecipado para PC via Steam.
“Aventure-se por esse mundo aberto repleto de feitiçaria! Aqui você pode domar e enfrentar criaturas e também conjurar um santuário sozinha ou com amigos.”
A Mágica da Aventura
Pense em misturar Hogwarts Legacy, The Legend of Zelda: Breath of the Wild e Palworld. Agora coloque tudo isso junto com uma história e direção artística próprias, além de uma vibe relaxante. Pensou? Se você gosta de tudo ou de boa parte do que usei de exemplo, então vai adorar Witchspire.

Vagar pelo mundo resolvendo puzzles, olhar cada canto do ambiente em busca de brechas para entrar e baús para abrir é sempre muito bom quando feito na medida certa. E tem outra coisa também: a vontade de ter tudo. Todos os familiares, todos os equipamentos, todos os materiais.
Construir sua base no lugar ideal e olhar o horizonte calmo... cara, como isso é bom. E aqui você vai fazer isso pelo menos uma vez, eu garanto! Não tem como você não parar para contemplar os ambientes tranquilizantes enquanto ouve uma OST que traz todo o clima natural desse jogo. Eu duvido!
Bom, se você procura um jogo de sobrevivência em mundo aberto com todos os elementos que já citei, já considere comprar ou pelo menos colocar na sua wishlist da Steam. Vale a pena.
Mas se ainda não te convenci ou você quer mais detalhes sobre o jogo e o que achei dele, então vamos continuar.
A Jornada
Para ser bem sincero, esse tipo de jogo não me pega pela história, e sim pela gameplay. É claro que isso varia de pessoa para pessoa e, pelo que me dispus a ler, existe toda uma trama envolvendo você ser a escolhida de um conclave de bruxas (que você escolhe durante a criação de personagem) para salvar o mundo. É o clichê de sempre, mas há algumas coisas a mais, como bruxas que desapareceram ou acabaram não conseguindo seguir sua própria jornada.

Você encontra vários diários mágicos espalhados pelo mundo detalhando essas pessoas ou contando mais sobre o background desse universo.
Novamente, não me leve a mal. Não é que seja ruim, mas não me chamou tanta atenção, e o próprio gênero também não tem me puxado muito para histórias ultimamente. Porém, você pode acabar se interessando pelas histórias secundárias. Por exemplo, encontrei alguns registros falando sobre uma bruxa e sua familiar Vox, como elas se conheceram e viveram juntas. Mais tarde, encontrei outro registro em que Vox estava sozinha, acompanhada de uma carta de despedida pedindo que, caso alguém a encontrasse, cuidasse dela, pois se a carta estava sendo lida, era porque sua dona não havia conseguido retornar.
Não é Leviossa, é Leviossá... pera.
Falando das mecânicas agora, o combate é simples e fácil de entender: posicione-se, ataque com tudo o que tem e esquive nos momentos certos usando o CTRL, que funciona como uma esquiva/dash, ou simplesmente pulando.

Você tem dois tipos de armas: o Gume Arcano, focado em combate corpo a corpo, e a Varinha, voltada para combate à distância. Cada uma possui ataques com o botão esquerdo do mouse (ataque padrão) e com o botão direito (ataque pesado ou habilidade especial da arma), que consomem mana. A mana regenera passivamente, ao atacar ou ao usar poções.
Além disso, você terá seu familiar atacando ao seu lado. É possível comandá-lo para usar ataques básicos ou duas habilidades especiais, que possuem apenas tempo de recarga entre os usos. Você pode ter três familiares na sua equipe, mas apenas um ficará em campo lutando.
Ele pode ser derrotado e ficará fora de combate até você voltar para a base. Inclusive, você pode configurar o servidor para permadeath, o que significa que precisará capturar um novo familiar caso ele morra.
Eu gostei bastante de como o combate funciona. É claro que ainda precisa de polimento, mas deixar o combate mais livre torna tudo mais dinâmico. Principalmente o fato de poder atacar enquanto pula, algo que sempre me incomoda quando os jogos não permitem. Os familiares também reagem bem, apesar de um ou outro ter dado uma "desligada" na IA de vez em quando.
Falando neles, essas criaturas que você captura têm uma chance de serem obtidas quando derrotadas. Você precisa zerar a vida delas para isso. Existem itens que aumentam essa chance, além de pontos na árvore de habilidades que fornecem bônus permanentes para captura.

Essas mecânicas meio "Pokémon-like" são sempre viciantes. Elas despertam seu lado colecionador e a vontade de conseguir todos os monstros. E eles acertaram muito aqui: todos os bichinhos são legais e/ou fofos visualmente.
(E é claro que passei boa parte do jogo correndo atrás de todos eles.)
O sistema de crafting também é simples. Se você não consegue fabricar algo, provavelmente é porque ainda não desbloqueou aquela receita na árvore de habilidades. Inclusive, essa árvore é apresentada como um mapa estelar, o que ficou muito legal visualmente.
Os pontos são obtidos ao subir de nível ou ao encontrar altares espalhados pelo mundo, valorizando ainda mais a exploração.
E vou te dizer: depois de tantos anos jogando videogame, nunca vi uma forma mais satisfatória de minerar e cortar árvores do que aqui. Você utiliza ferramentas mágicas e desbloqueia versões melhores delas conforme avança na árvore de habilidades.

Com a picareta, você lança várias ferramentas mágicas que ficam atingindo automaticamente a rocha com minério. É musicalmente prazeroso. Já a foice permite cortar várias árvores em linha reta.
Foi uma solução muito inteligente para evitar que o jogador fique preso em tarefas repetitivas de coleta.
A construção de bases também é muito boa, precisando apenas de mais opções de formatos e peças. Mas tenho certeza de que isso será expandido nas próximas atualizações.

Já a exploração ganha uma camada extra através dos Orbes de Voo. Ao atingir determinados objetivos do mapa, você libera o uso da vassoura para voar.
E é muito boa a sensação de revisitar áreas que você já conhecia, agora sobrevoando tudo. Além de divertido, facilita bastante encontrar segredos escondidos.
O sistema de quests, por outro lado, é um ponto mais fraco. Basicamente você explora, entra em alguns portais que levam para arenas de combate e, ao concluir esses desafios, recebe uma chave que faz parte da missão principal.
O Lugar Encantado
Esse jogo praticamente implora para ser jogado com os gráficos no máximo. É tudo muito bonito e com uma vibe cozy que, às vezes, faz você simplesmente parar para observar a paisagem.

O vento balançando as árvores, as cachoeiras, o som da água, as montanhas ao longe... é tudo muito relaxante. O próprio ambiente parece dizer: "apesar do perigo, vá com calma".
É claro que ainda existe pouca variedade de biomas. A maior parte é composta por campos verdejantes e montanhas. Mais adiante existe uma região desértica com um oásis, que talvez seja o lugar mais bonito do jogo até agora.
Mas acredito que eles ainda vão adicionar mais regiões, como áreas geladas ou zonas completamente consumidas pelo fogo. Já existem pequenos indícios disso aqui e ali.

A trilha sonora também é outro grande acerto. Cada região possui músicas que combinam perfeitamente com a atmosfera. Em momentos de exploração, parece até que estou ouvindo um lo-fi jogável. Já nos combates, entram músicas mais intensas e emocionantes que funcionam muito bem.
As dublagens são boas também, sem nenhum destaque absurdo, mas cumprem seu papel. Já os efeitos sonoros, como citei anteriormente, são excelentes.
Reparos!
Sobre bugs, eu presenciei alguns. A maioria não afetou diretamente minha gameplay, como monstros surgindo no ar mesmo sendo criaturas terrestres, minérios aparecendo quase dentro das montanhas ou inimigos entrando na água e caindo em precipícios.

Porém, também tive situações mais problemáticas. O jogo fechou sozinho algumas vezes e, durante teletransportes entre bases, meu personagem acabou surgindo dentro do chão. Em uma dessas ocasiões, caí no vazio e precisei usar o comando de unstuck para retornar.
Ao construir bases, também aconteceram problemas semelhantes.
Mas vale lembrar: eu estava jogando uma versão 0.1.1 em Early Access. A equipe está ouvindo a comunidade e trabalhando ativamente em correções.
Conclusão

Eu passei muito tempo jogando, e ele nem é tão longo assim. Mas é tão gostoso simplesmente andar pelas florestas ouvindo os sons da natureza ou ficar na sua base apreciando o barulho das cachoeiras próximas que isso praticamente dobrou meu tempo de jogo.
Tenho cerca de 35 horas registradas e boa parte delas foi apenas explorando, voando por aí e aproveitando o mundo.
Vou continuar acompanhando o jogo porque ele promete muito e, com atualizações constantes, pode facilmente se tornar meu jogo favorito para relaxar.
Claramente recomendo para quem não tem problemas com Acesso Antecipado. Mas, se esse for o seu caso, coloque na wishlist da Steam e espere a versão final. Acredito que você não vai se arrepender.