Eai turma! Bão?
Rodrigo Las Noches aqui e é o seguinte:

Mundos de fantasia são o jeito mais fácil e mais comum de se criar um jogo. A variedade de possibilidades é quase infinita, e outro elemento que faz parte desse tipo de narrativa são as raças fantásticas: elfos, gigantes, constructos, goblins, orcs, imortais. Todos esses já ganharam seu protagonismo em algum filme, série, anime ou game, mas uma que raramente tem algum tipo de destaque são os anões.

A raça pequena, poderosa e inteligente quase nunca tem os holofotes voltados para ela. Pensando agora, sem pesquisar, eu não lembro de uma obra em que eles sejam protagonistas, o que é uma pena, afinal eles são conhecidos pela sua grande força, engenhosidade e astúcia.

Mas o jogo de hoje trouxe esse protagonismo para essa raça amada por muitos e nos mostra que, apesar de quase cair no esquecimento, podemos virar o nosso destino ao nosso favor se continuarmos lutando.

Peguem seus machados, seu kit de forja e juntem aliados para a análise de Regions of Ruin: Runegate.

Essa análise contém alguns spoilers bem pontuais sobre o jogo. Os pontos importantes de história não serão revelados, visando não estragar sua experiência.

“Embarque em uma aventura RPG estilo hack-and-slash, na qual você tenta encontrar refúgio para uma civilização de anões perdida. Explore terras diferentes, ajude os necessitados, reúna recursos e lute contra goblins e monstros enquanto reconstrói lentamente um lar para seu povo.”

Um jogo desvolvido pela Gameclaw Studios, distribuido pela Raw Fury (Blue Prince e Post Trauma) e lançado no dia 14 de Abril de 2026

 

O Recomeço

Apostando na simplicidade e beleza nos detalhes, Regions of Ruin, que vou chamar de Runegate, traz uma pixel art bem interessante de se ver. A composição e a gameplay seguem o mesmo caminho, com um combate simples de ação que, de longe, pode parecer que não vai trazer desafios, mas conforme você avança na campanha, entende que não é bem assim.

Na verdade, se você julgar o jogo apenas pela simplicidade, não vai aproveitar o que ele pode oferecer de verdade.

Ele é um jogo bem dinâmico. Tem lutas numerosas, um pouco de estratégia envolvida, gerenciamento de recursos, melhorias, um pacote completo de RPG de ação em mapas que, apesar de pequenos, são bem bonitos em sua maioria. Claro que alguns lugares são menos importantes que outros.

Nosso protagonista, como um bom anão, é rígido, mas de bom coração, corajoso e com senso de humor. Ele tem seu objetivo, mas não deixa de ajudar outros, seja da mesma raça ou de outra. Isso faz dele um personagem bem interessante de controlar. É uma jornada sobre recomeçar e lutar pelos seus.

Explorando o Novo Mundo

A história começa com você e o que sobrou do seu clã tentando resistir aos peles-verdes, os goblins, que não vão parar até acabar com todos. Após resistirem mais um pouco, surge uma esperança: um antigo portal rúnico que ninguém sabe como funciona, mas que acaba sendo ativado durante a exploração na caverna onde estão abrigados.

As defesas improvisadas não duram muito, e mesmo com a incerteza do que pode acontecer, vocês entram no portal, chegando a um mundo diferente, com ruínas antigas de uma civilização que agora será seu novo lar.

Com análise e intuição anã, vocês descobrem uma forma de usar o portal para explorar outros locais, coletar recursos e encontrar outros sobreviventes da sua raça. Agora, mais determinado do que nunca, você parte para ajudar seu povo a reconstruir um lar.

Essa é só a introdução. O restante da história se desenrola através de quests, diálogos com NPCs e documentos espalhados pelo mundo. Prepare-se, porque tem bastante texto.

Infelizmente, a versão que joguei estava parcialmente traduzida, o que dificultou um pouco o entendimento completo, mas dá pra perceber que a ameaça vai além de inimigos comuns. Ainda assim, a história mistura momentos mais pesados com bom humor. Inclusive, tem uma sidequest que recompensa o jogador com um meme clássico, daqueles que todo mundo já caiu pelo menos uma vez.

Nenhum NPC me marcou tanto. Existe um sistema de party com até três aliados, mas poucos realmente se destacam.

 

O ritmo da campanha depende de como você joga. Se explorar tudo, a progressão fica mais fácil, mas também pode se tornar repetitiva do meio para frente. Isso me levou a cerca de 22 horas para finalizar o jogo.

A pixel art é simples, mas bem trabalhada em cenários. Iluminação e composição ajudam bastante na imersão.

A trilha sonora é boa, com destaque para as músicas de combate. Porém, há problemas técnicos com efeitos sonoros se sobrepondo em situações com muitos inimigos.

Nada é Impossível para um Anão

Você pode correr, pular, usar dash, entrar em stealth, defender com escudo, mirar, observar o ambiente, trocar entre quatro armas, usar ataques leves e pesados, poções e distrações. O problema é que são muitos comandos, principalmente no controle.

Por padrão, não havia botão para usar poção, tive que configurar manualmente, o que gerou confusão em momentos críticos.

Outro ponto estranho é o sistema de dano. Com pouca vida perdida, o personagem já entra em estado crítico, com efeitos visuais e sonoros exagerados, o que não combina muito com a resistência de um anão.

O sistema de loot segue o estilo clássico, com raridades e gerenciamento de inventário em espaços limitados. As armas são bem variadas e cada uma tem sua função, incentivando o uso estratégico.

O combate é simples, mas a variedade de inimigos ajuda a manter o jogo interessante.

Os puzzles são fáceis, mas cumprem seu papel de não quebrar o ritmo.

A base é um dos destaques. Você pode expandi-la, recrutar trabalhadores e construir estruturas. Porém, acabei maximizando tudo cedo demais, o que fez perder um pouco do propósito no restante do jogo.

Mesmo assim, ver a base crescendo é bem satisfatório.

 

Conclusão

Se você procura um RPG de ação com pixel art, sistemas interessantes e foco em loot, esse jogo é uma boa escolha.

Ele é simples, mas divertido. Se você não se incomoda com repetição, vai aproveitar ainda mais.

Existe um jogo anterior chamado Regions of Ruin, mas este pode ser jogado de forma independente (esqueci de mencionar antes mas ta ai).

Muito obrigado por ler até aqui. Não se esqueça de adicionar na wishlist para apoiar o jogo na Steam.

Até mais!
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