Eai Turma, beleza?
Rodrigo Las Noches aqui e é o seguinte:
Imagine que uma cópia da Lua surge no céu e, em algum momento, você se torna prisioneiro e é destinado a viver dentro dessa megaestrutura chamada Luna, a cópia da Lua, recuperando tecnologias antigas enquanto sobrevive a horrores enlouquecedores em uma mistura de bullet hell com Doom. Imaginou? Então acorda, codinome “Leitor”, porque hoje você vai mergulhar na análise de um game que eu amei jogar.
Vamos ao trabalho com Luna Abyss.

Ele foi desenvolvido pela Kwalee Labs (um braço da Kwalee e é o primeiro projeto deles) e distribuído pela própria Kwalee (Grime e Ground Zero), lançado no dia 21 de maio de 2026 para PC (via Steam), Xbox Series S/X, Xbox no PC, Xbox Cloud Gaming (com Game Pass) e Playstation 5.
“Luna Abyss é um jogo de história, ação e aventura para um jogador, com plataforma fluida e estilo bullet hell. Siga a jornada de Fawkes, que não pode escapar de Luna e precisa lidar com uma profecia críptica e sua condenação à prisão.”
Dias Restantes de Sentença: 1680 - Recepção do Abismo
Como disse na intro, se você é fã de Doom e sentiu falta de algo parecido, fique feliz, pois aqui você vai ter uma sensação bem próxima de estar jogando: a movimentação meio deslizante e muito veloz, armas exageradas e o poder de destroçar criaturas amedrontadoras. Luna Abyss te dá tudo isso e ainda traz sua própria identidade, como ambientação, estética, personagens marcantes e o bullet hell, mas esse último ainda lembra um pouco Doom, só que The Dark Ages.

Mergulhar em ambientes escuros e, algumas vezes, claustrofóbicos, vendo rastros do que algum dia foi um lugar populoso, agora manchado por uma praga que transforma você em um monstro que age por instinto. Os ambientes desse jogo trazem sentimentos carregados de melancolia e desesperança, como se você estivesse em seus últimos momentos de vida.
Aqui estamos junto de uma prisioneira que não pode mais usar seu nome, então ganha seu codinome: Fawkes, em busca de pagar sua penitência realizando trabalhos e reduzindo seus dias presa em Luna para poder voltar ao seu lugar, por mais que quem esteja na Terra não a queira de volta. E quem te supervisiona é sua carcereira Aylin, uma… seja lá o que ela é, até que muito simpática, mas que segue ordens à risca de seu superior.
Quanto mais você afunda, mais desse mundo você descobre, mais percebe que todos escondem algo e mais entende que talvez você seja apenas mais uma peça em um jogo de xeque-mate.
Dias Restantes de Sentença: 1450 - O Mundo de Angústia
Você está em Stonewell, em um “instituto de pesquisa” que, na real, é claramente uma cela, e foi condenada a mais de 9 mil dias de prisão por algo que fez na Terra. Nem você sabe bem o motivo, mas não importa: agora você está aqui e pronta para vestir seu Bastião e fazer seu trabalho de Sentinela, sobrevivendo ao Flagelo, um tipo de corrupção que começou a deteriorar Luna, e aos Brutadores, monstros produto do Flagelo sobre a alma de um Bastião.

Esse mundo apresenta muitos conceitos interessantes e não dá para colocar tudo aqui, mas saiba que são camadas e mais camadas, algo até metalinguístico. Os Bastiões são carcaças, corpos feitos para serem pilotados com a alma de seu portador, como uma roupa ou armadura, e os Sentinelas os usam para realizar vários tipos de trabalho em nome do Pai de Todos, a grande mente por trás da F.A.T.E., a organização responsável por tudo… ou será que existe alguém ainda maior?
Isso é outro ponto forte do jogo: apesar das inspirações, a história não é simples nem totalmente linear. Você vai se deparar com vários personagens que, assim como eles e seus Bastiões, podem parecer uma coisa, mas na verdade são outra.
O mundo aqui é muito rico em enredo. Você pode notar isso por pichações nas paredes, nas estruturas, nos rastros no chão, mas principalmente nos documentos e NPCs. Há documentos no caminho e outros escondidos, trazendo pequenas histórias de pessoas que não sobreviveram àquele lugar. Os relatos são muito interessantes e bem construídos.
Os NPCs são bem carismáticos, apesar do tom do mundo não parecer permitir isso. São bem aprofundados e você consegue entendê-los com poucos diálogos. Um ótimo trabalho de roteiro aqui. Garanto que você vai gostar, principalmente da Ellie, Everett e do Orion.
O jeito que o jogo mistura texto e visual para contar sua história é muito bem feito.
Dias Restantes de Sentença: 1110 - A Luta Contra o Flagelo
Você começa podendo correr, pular, agachar, deslizar, atirar e executar inimigos, e vai habilitando mais possibilidades conforme avança: pulo duplo, dash, gancho, escudo temporário etc. A sensação de gameplay é muito boa: você se move e desvia enquanto administra distância e quantidade de inimigos na área. É muito satisfatório.

São 4 armas, cada uma com sua função. Diferente de Doom, onde você tende a focar em uma arma mesmo tendo várias para escolher, aqui a limitação faz com que você use todas. A munição é infinita, mas o limite é o superaquecimento. Quando isso acontece, você troca de arma e isso torna o combate muito dinâmico.
O que me leva talvez a um dos raros pontos ruins desse jogo: os poucos combates. Eu queria mais. Senti que tinha um arsenal da hora e queria ainda mais oportunidades de usar. O jogo apresenta uma boa quantidade de batalhas, mas eu queria ainda mais.
Fora isso, há boas seções de plataforma, com pulos, timing e uso das armas para abrir caminhos. Não são difíceis, mas são satisfatórias.
Mas eu presenciei, do nada, telas de carregamento. Não sei se o jogo não tinha carregado o mapa todo ou sei lá, mas algumas vezes, pelo menos uma vez por mapa, eu tinha uma pausa brusca com um “CARREGANDO…” na minha frente. Nunca pensei que veria isso em jogos atuais, inclusive. Talvez seja corrigido com o tempo, mas quebrava um pouquinho meu ritmo. O bom é que só acontecia quando eu estava apenas andando por aí, e não em combate ou no meio de um pulo preciso.
O jogo conta com coletáveis e alguns upgrades que exigem atenção ao mapa e desvios do caminho principal para serem encontrados, seja para pegar mais documentos e entender mais da lore, quebrar cristais de Fluxo para aumentar sua vida máxima ou achar melhorias para as armas. Achei a quantidade bem boa e isso te encoraja a tentar pulos mais ousados para encontrar coisas no mapa.
Dias Restantes de Sentença: 690 - Ambiente Lamuriante
Antes dos elogios, vamos à última crítica a esse jogo: ele é escuro demais.

Juro, eu nem tenho daqueles monitores em que o preto fica extremamente fechado, mas parecia. Eu tento não mexer nas configurações para ter a experiência padrão do jogo, no máximo colocar as legendas em PT-BR, mas aqui eu tive que aumentar o brilho para enxergar muitas coisas e, mesmo assim, ainda estava muito escuro. Eu sei que a ideia é transmitir a sensação de um abismo, um lugar abandonado e corrompido, mas está escuro demais e dificultou me guiar pelo mapa até em momentos em que a intenção parecia não ser essa.
Bom, tirando isso, todo o resto é muito bonito. Sério, é muito bem feito. Lugares que parecem lixões abandonados, fábricas esquecidas, trilhos e até lugares que pareciam ser pontos de muito movimento e agora são apenas restos do que foram um dia, com preto, branco e vermelho sendo as principais cores aqui. Tudo aplicado de um jeito muito bonito. Mesmo quando você tem pouca variação de objetos, eles conseguem fazer algo bom o suficiente para você não ligar para a repetição.
E há lugares abertos também, como a Pradaria Lamuriante, em que você sai daqueles becos e vielas escuras e úmidas para um lugar com luz do “dia”, bem iluminado e com vegetação. Mesmo assim, não fica tão fora do tom do universo que o jogo apresenta e funciona muito bem.
O design dos personagens é outro ponto forte aqui, principalmente dos NPCs. Em seus Bastiões, eles criaram uma estética única que combina com a história e, quando você chega perto do final do jogo, entende o motivo de eles parecerem daquele jeito. Um exemplo é o Orion, que parece uma mulher no corpo de uma aranha, com pernas femininas como patas… é uma parada bem bizarra, mas a voz é de um homem, isso porque a alma ali é de um homem. Então você se pergunta: “Mas por que uma mulher assim como Bastião?”. Aí o jogo indiretamente te responde na campanha e você fala: “Cara, faz sentido, dahora!”.
Falando da trilha sonora, tanto a de combate quanto a de ambiente e a dos momentos-chave são muito boas. Sério, muito boas mesmo. Vai desde algo mais épico, com muita tensão e ambientação dark, até batidas mais intensas para trazer mais ação aos combates. E as atuações são boas, funcionam muito bem para a trama.
Dias Restantes de Sentença: 170 - Conclusão

Eu fiquei impressionado com a qualidade do jogo. Muito bom e bem na pegada do estilo que muita gente facilmente vai gostar. Quem não gosta de Doom, né? Mas ele é a sua própria parada. Eu só faço essa comparação porque é o primeiro jogo que veio à minha cabeça quando penso nas características básicas de gameplay de Luna Abyss.
O universo dele é muito intrigante, pode ser facilmente expandido e algumas perguntas surgem no final do jogo, podendo render conteúdos adicionais e sequências. Facilmente jogaria um segundo jogo.
Se você já jogou com o Doom Slayer e gostou, aqui você vai ter uma experiência tão boa quanto com a Fawkes: gameplay muito boa, ambientes lindos e cheios de personalidade, uma trilha sonora muito boa e personagens muito bons.
Facilmente recomendo Luna Abyss.
E é isso, Leitor. Obrigado por ler e espero que isso tenha despertado sua vontade de colocar Luna Abyss na sua wishlist da Steam.