Fala turma, bão?!
Rodrigo Las Noches aqui e é o seguinte:

Nascer em um mundo abstrato, bizarro e com um único objetivo… consumir. O jogo de hoje eleva a arte a um patamar acima, mostra que o abstrato e o surreal podem ser belos e brutais, e que você está ali para consumi-la. Um game que me segurou por quase 60 horas de gameplay e que, mesmo assim, me deixou com pontos de interrogação, a ponto de querer mais para entender esse mundo.

Sejam bem-vindos, ovinhos, ao review de Grime 2.

O jogo foi desenvolvido pela Clover Bite (Grime) e distribuído pela Kwalee (Ground Zero) para PC via Steam, PlayStation 5 e Xbox Series X/S no dia 31 de março de 2026.

“Assuma o poder de roubar formas em GRIME II, um metroidvania de ação e aventura surreal. Lance tentáculos feitos de mãos para absorver inimigos e invocar moldes, enquanto explora um mundo bizarro e vibrante, obcecado por arte.”

Liberte-se, entenda o seu interior

Quem não gosta de um metroidvania, né? Posso dizer facilmente que é meu subgênero favorito, e Grime 2 traz isso muito bem, ainda com o elemento soulslike incluso, resultando em dois subgêneros que conversam muito bem.

Outra característica do primeiro jogo, e que veio ainda mais forte aqui, é o surrealismo na composição visual. O primeiro tinha uma pegada mais brutalista e visceral, com massas, pedras e carne. Aqui ainda existem esses elementos, mas o que predomina são tinta, cores e mãos. Muitas mãos. Tudo bem estranho e instigante.

E você é apenas um “ovinho”. Não literal, é claro, mas um ser que acabou de ser gerado por uma entidade com um propósito: consumir tudo. O visual do Sem Forma, que não tem um nome específico, mas funciona como uma espécie, é muito interessante. Eu já gostava do protagonista do primeiro, com a cabeça sendo um buraco negro, e no final você descobre que isso tinha um propósito maior. Aqui, no segundo, o visual é mais contido, mas ao mesmo tempo mais amedrontador e estiloso. Personagem de capuz sempre funciona. E, novamente, tudo tem um propósito maior no final.

Visual estranho, mas atraente. Esse é um dos pontos fortes da franquia.

Se você procura exploração com visuais fora do convencional e ao mesmo tempo muito estilosos, esse é o jogo que você quer ter na sua biblioteca.

O mundo lá fora é seu banquete

A entidade que lhe concedeu a vida diz que você deve apenas aproveitar o que existe lá fora, como um predador jogado em um quintal cheio de presas. O mundo é seu, um banquete para saciar sua fome, e você não deve deixar ninguém te influenciar a pensar o contrário.

Assim, você é jogado nesse mundo sem saber quem ou o que é, encarregado de descobrir se seu propósito é seguir o que seu criador sugeriu ou trilhar seu próprio caminho com base no que aprende ao longo da jornada, mesmo que depois descubra que seu “instinto” não te dá tanta liberdade assim.

A história é menos interpretativa que a do primeiro, mas ainda carrega esse ar enigmático. Ela te guia com mais clareza, tem mais forma, os NPCs têm propósitos mais definidos, mas o jogo não abandona o abstrato e o estranho, apenas os integra melhor.

A temática de arte é bem evidente. Modelagem, pintura, escultura… tudo é muito bem representado. Parece até uma resposta às críticas do primeiro jogo, que era mais cinzento e simplório. Aqui, tudo é arte.

Os NPCs são mais marcantes. Você consegue lembrar deles, como Os Irmãos, que vivem se elogiando, ou a Ver, que parece egoísta à primeira vista, mas não é bem assim. Conforme você avança, percebe o impacto da sua presença nos diálogos.

Em alguns momentos, você pode escolher respostas mais “bestiais”, tratando os outros apenas como alimento, ou agir de forma mais empática. Mas, no fim, você continua sendo uma força da natureza que consome para evoluir.

É difícil falar da história porque ela é feita para ser sentida. Cada jogador pode interpretar de um jeito. Ainda assim, algumas coisas ficam confusas, até para quem terminou recentemente.

O final é interessante. Tem ligação com o primeiro jogo, mas ao mesmo tempo não. Vale a pena descobrir por conta própria, embora eu ainda prefira o final do primeiro.

Consuma tudo em seu caminho

Como todo metroidvania, a progressão vem com habilidades que liberam novos caminhos. E aqui temos muitas delas. São 16 habilidades, adquiridas em lutas contra bosses ou explorando o mapa.

Pode parecer exagero, mas várias são passivas, enquanto outras afetam diretamente a exploração, como pulo mais alto e dash no ar.

Outro sistema importante são os moldes. Você pode comprá-los ou adquiri-los ao consumir inimigos. Existem moldes de habilidades e moldes de inimigos. Os primeiros têm uso limitado até o próximo checkpoint. Os segundos são temporários, mas se tornam permanentes após certo número de usos. Eles consomem tinta, que funciona como uma espécie de mana.

Você pode equipar até três ao mesmo tempo, criando combinações bem interessantes.

Também temos a árvore de crescimento, onde você investe pontos adquiridos ao derrotar inimigos específicos. Esses pontos melhoram detalhes das suas habilidades. Além disso, há atributos que aumentam vida e dano, semelhantes às “almas” de Dark Souls, mas sem punição total ao morrer.

Os equipamentos são variados. Armaduras são divididas em três partes e dão bônus de conjunto. As armas têm estilos diferentes, variando entre ataques leves, pesados, aéreos e especiais, além de velocidades distintas.

A cura segue o estilo soulslike, sendo limitada. Aqui, você usa o Fôlego para recuperar vida, podendo melhorar esse sistema ao longo do jogo.

A personalização é impressionante. Cada jogador pode ter uma experiência bem diferente.

A movimentação é excelente, e o combate exige precisão, timing e domínio de esquiva e parry, mas sem ser frustrante. Você aprende com os erros.

Tudo que você vê é seu alimento

Visualmente, o jogo é incrível. A estética mistura massa e tinta de forma artística e perturbadora. Mesmo sendo um jogo 3D com visão lateral, ele trabalha muito bem a profundidade.

Os cenários são lindos, e muitas áreas dariam ótimos wallpapers.

Os inimigos são propositalmente estranhos, quase inacabados, enquanto os bosses têm designs mais marcantes.

A trilha sonora merece destaque. É intensa, emocional e combina perfeitamente com o clima do jogo, mesmo que não tenha tantas faixas quanto poderia.

Conclusão

Fiquei muito feliz com esse lançamento. O primeiro jogo já tinha me marcado, e esse conseguiu melhorar muita coisa sem perder sua essência, o que é raro.

Estou ansioso por mais conteúdo, talvez uma DLC que explore melhor alguns pontos, especialmente relacionados ao ultimo boss e o final.

Esse jogo me prendeu completamente, e talvez eu tenha sido influenciado por esse mundo, porque agora só quero consumir mais dessa arte.

Muito obrigado por ler até aqui, ovinho. Agora vá e consuma tudo ao seu bel prazer, comece colocando Grime 2 na sua whishlist da Steam.

Você gosta de metroidvania? E soulslike? Acha que essa combinação funciona bem? Já jogou algum jogo da franquia Grime?

Até a próxima, ovinho.
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Comentários
1 comentários
Makoto Bakura4 meses atrás
Não sou fã de soulslike, gosto de jogos que não me matem o tempo todo, por isso sempre coloco no Easy =D

Mas confesso que fiquei bem curioso com esse... Acho que vou tentar pegar o Grime 1 numa promoção pra testar! =D