A Santa Monica Studio acabou com a especulação e anunciou no State of Play de junho God of War Laufey, o próximo capítulo principal da saga. A novidade pesada: o protagonista não é Kratos. Quem assume o controle agora é Laufey, ou Faye — guerreira lendária dos Jötnar, esposa de Kratos e mãe de Atreus — interpretada por Deborah Ann Woll (Demolidor, O Justiceiro), que reprisa o papel que ela já havia emprestado em Ragnarök.

A premissa quebra a lógica que conhecemos: a morte de Faye, ponto de partida de toda a era nórdica, agora vira um novo começo. Ela acorda inesperadamente após o próprio funeral em um reino chamado Everywhen — ou Todo-Tempo, na tradução oficial adotada pela PlayStation Store brasileira —, o pós-vida dos deuses, e descobre que os planos que ela mesma traçou para proteger Kratos e Atreus estão ameaçados.

Um reino acima dos Nove Reinos

O Everywhen (Todo-Tempo) é apresentado pela Santa Monica como o local onde toda a magia nasce e retorna — uma dimensão transcendente acima dos reinos que a franquia já explorou. E o detalhe que muda tudo: ali convivem (sem muita harmonia) divindades de várias mitologias diferentes, não só da nórdica.

A revelação já apresentou duas dessas divindades:

  • Sekhmet, da mitologia egípcia. Filha de Rá, a deusa-leoa é tradicionalmente associada à guerra, ao sol, às doenças e à cura — também conhecida como "Olho de Rá" e "Senhora da Vingança". Uma das figuras mais temidas do panteão egípcio, normalmente representada como mulher com cabeça de leoa.
  • Begtse, do budismo tibetano. Originalmente um deus da guerra das tradições pré-budistas da Mongólia, foi absorvido como um dharmapala (deidade protetora irada) do panteão tibetano. Aparece nas iconografias com pele vermelha, três olhos injetados de sangue, uma espada na mão direita e um coração humano na esquerda. Senhor da guerra.

E a Santa Monica já avisou: "ambas decididamente não muito amigáveis quando encontram um novo rosto."

Curiosidade de localização: o PlayStation Blog BR manteve "Everywhen" no anúncio oficial, mas a PlayStation Store brasileira já registrou o nome traduzido como Todo-Tempo. Por enquanto, os dois termos circulam — vamos seguir acompanhando qual prevalece quando o jogo chegar mais perto do lançamento.

Apresentando Faye

"Ela, assim como Kratos, pode bater forte e aguentar pancadas também."

Santa Monica Studio

Deborah Ann Woll, em entrevista de bastidores, comentou o salto do personagem: em Ragnarök, Faye era basicamente uma memória dentro do Kratos, ajudando ele na jornada. Em Laufey, ela vira personagem completa, original, num jogo próprio. "Sonho realizado", definiu.

A atriz resume o arco da personagem com uma imagem boa: "vemos esses momentos em que cada obstáculo que cruza o caminho dela, mesmo estando entre ela e o que ela quer, ela endireita a espinha, pega a espada e faz o que precisa pra chegar do outro lado."

O trio do Todo-Tempo

Faye não viaja sozinha. Logo após despertar, ela encontra dois companheiros que formam o núcleo do jogo:

  • Phranque (Jack Quaid, de The Boys) — um cubo cósmico curioso e protetor, descrito pelo próprio ator como alguém que "vai fazer o que for preciso para proteger seus amigos e as criaturas do Everywhen". É o primeiro trabalho de Quaid em games.
  • Rue (Perlina Lau) — uma fita encantada presa à espada lendária que Faye empunha. Ela aponta os perigos, mas "quando entra em modo de luta, é simplesmente badass". Perlina destaca o contraste cuidadosa/feroz como traço central do personagem.

A direção do jogo está com Ariel Lawrence, com Cory Barlog (diretor do God of War de 2018) como chief creative do estúdio.

Combate: o DNA grego volta

Esse talvez seja o ponto mais interessante pra fã antigo. A Santa Monica descreve o combate de Faye como uma fusão entre a fluidez da era grega clássica e o peso e a construção de mundo da era nórdica.

Deborah resumiu bem: o Kratos é heavy hitter, força bruta. A Faye é "girando, chicoteando, dando flips, no ar". Uma frase pronta que fica: "há muitas formas de ser uma guerreira."

Faye se move com facilidade entre chão e ar sem interromper a ação — algo que a equipe descreve como "hiper-responsividade". A espada lendária guardada por Rue é a arma principal, e o ritmo do combate é definido por velocidade, controle e fúria.

A Mão Dourada dos Jötnar

Como protetora máxima dos Gigantes de Jötunheim, Faye carrega o título de Mão Dourada dos Jötnar — uma referência a poderes mágicos antigos, incluindo a capacidade de manipular almas.

No Todo-Tempo, esses poderes ficam amplificados. Faye pode usar a palma dourada para arrancar literalmente as almas dos inimigos, atacá-las diretamente, lançá-las contra outros adversários e abrir combos criativos. É a mecânica nova que a Santa Monica está vendendo como diferencial do gameplay.

Quando chega?

God of War Laufey está em desenvolvimento exclusivo para PlayStation 5, sem data de lançamento confirmada — a página oficial na PlayStation Store já está no ar com status "Anunciado" e o jogo pode ser adicionado à lista de desejos. A Santa Monica prometeu mais detalhes sobre o Todo-Tempo conforme o lançamento se aproxima.

Pelo que foi mostrado, o estúdio está fazendo algo que não fazia desde 2018: tomando risco criativo grande dentro da franquia. Trocar de protagonista, abrir o universo pra um cruzamento de mitologias e resgatar a fluidez da era grega no combate é mais ousado do que parece à primeira vista. Resta ver se a entrega chega ao patamar dos dois últimos.

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