Uma das coisas mais fascinantes de fazer parte de uma banda de um estilo tão exótico é a diversidade de reações que isso provoca a pessoas que o desconhecem totalmente, e nesse Sábado pude ter uma grata experiência disso no recital da Escola de Música na qual estudo.

Meu professor Charles escolheu que eu cantasse Omoide Aruki, do Psycho le Cému, uma das minhas bandas favoritas. Esse gostou de j-music desde a 1ª vez que mostrei a ele um CD com o repertório da banda à época, mais uns extras: A música que ele mais gostava era Raison Dètre, do DeG. Ele diz que os japoneses êm uma musicalidade e um feeling imensos, e começa a viajar naquele papo de músico que se eu coloco aqui, dá um livro. O outro professor, o Eliezer, gostou particularmente de Satsuki, do Kagrra. Detalhe: Ambos são evangélicos, evidência de que evangélico não é sinônimo de bitolado.

Beleza. Chego no recital com os amigos (Hitoki e Jedah inclusos), estão minha mãe e minha avó. As pessoas começam a cantar mpb, e minha avó, que é fã, logo me perguntou o que eu ia cantar. Diante da minha resposta, ela se mostrou um tanto... Contrariada, por razões óbvias. Aí começou o festival Gospel (Sabem como é, a maioria dos alunos da maior parte das escolas de música particulares por aí são de igreja). Próximo ao fim do recital, minha vez. Os professores falaram um pouco sobre meu background, falaram da ob'SEX'i[on] e muito bem da música japonesa diante de um público aparentemente estranhado com aquela "quebra de protocolo". Então, pra descontrair um pouco, ele pediu que eu cantasse o "funk do Zodíaco", adaptação nossa de Pegasus Fantasy. Me vi obrigado a incluir meus caros guitarrista e baixista, que foram extremamente constrangidos (Para meu deleite XD) em tamanha pagação de mico, e assim o fizemos. Foi um sucesso (Apesar de eu ter ciência da intenção deles de se vingarem XD), com palmas mil. Depois disso, falei sobre e cantei Omoide Aruki. Uns observaram atenciosos, outros comentavam, e ainda outros visivelmente ainda estranhavam enquanto eu cantava. Ao fim, mais aplausos animados: Todos gostaram. Ainda tive a surpresa de ser abraçado pela minha avó, que sempre fez pouco caso do neto que tocava em banda de música japonesa, altamente orgulhosa, quando fui sentar ("Eu não sabia que você falava japonês. Como aprendeu?" "Querendo saber o que eu canto!"). Um colega do curso, que estava sentado à minha frente, me pediu pra passar pra ele o nome da banda a fim de que ele baixasse depois. Então cantaram mais umas duas pessoas e o recital terminou. Fomos embora rapidamente, por pressa.

Hoje, fui à escola de música: O Recital teve uma repercussão e tanto! Não tive idéia, porém, do que ou do quanto se falou do rapaz que cantou em japonês. E mais, estou empregado! De qualquer forma, porém, tenho a sensação de missão cumprida. A j-music espalhou as suas asas através de mim (E por que não do Jedah e do Hitoki, com quem passarei a agir com extrema cautela doravante XD) ali.

Eu sei que escrevi um bocado, mas eu precisava compartilhar dessa alegria. Fazer parte da história da difusão de um estilo musical é definitivamente gratificante a nível espiritual e pessoal (Vejam bem, não estou contando APENAS com o recital pra fazer tal afirmação!^^'). Quero participar disso enquanto me for possível, e gostaria muito que todos do meio agissem de maneira positiva quanto a isso, o que infelizmente não acontece. O que me resta, então, é fazer a minha parte.

Obrigado pela atenção.
Até o próximo post!
(E parabéns a quem teve a paciência de ler até o fim!^^')
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