Machineman quando estreou nas telinhas, já mostrava que existia algo diferente em sua identidade. Lançado em 1984, e posteriormente exibido na saudada tv manchete, o tokusatsu estrelado por um herói cibernético conquistou espaço entre os fãs da época por fugir do padrão tradicional das séries de ação japonesas. Enquanto muitos heróis apostavam em um clima mais militar como por exemplo Changeman, Machineman carregava um ar leve, urbano e quase cinematográfico...pior que eu nunca lembro o nome da bola de baseball que ajudava ele?(☉。☉)!

Mas uma coisa interessa é que boa parte dessa personalidade da série vinha de sua trilha sonora. E por trás das músicas da série estava o grande Yuji Ohno, um dos nomes mais importantes da história da música para anime e televisão japonesa.

Conhecido mundialmente por criar a identidade sonora da franquia Lupin III, Ohno transformou jazz, groove e sofisticação em assinatura musical. Em Machineman, ele fez algo raro dentro do tokusatsu: trouxe uma trilha cheia de personalidade, com clima de jazz fusion, melodias elegantes de forma que ao acompanhar as cenas, a música ajudava a humanizar o herói, e talvez seja exatamente por isso que, mesmo décadas depois, Machineman ainda seja lembrado como um cult especial entre fãs do gênero.

Infelizmente, o mundo da cultura pop japonesa perdeu recentemente essa lenda da música. Yuji Ohno faleceu aos 84 anos, neste mês de maio de 2026, deixando uma enorme comoção entre fãs de anime, tokusatsu e jazz ao redor do mundo.
A repercussão foi imediata, nas redes sociais, fãs relembrando principalmente os temas inesquecíveis de Lupin III com seu estilo sofisticado de trilha sonora e a maneira única como ele transformava isso em identidade emocional.

Para muitos admiradores, não existe Lupin III sem Yuji Ohno. Seu trabalho foi tão marcante que ultrapassou o anime e influenciou gerações inteiras de compositores, diretores e criadores japoneses, e essa influência vai muito além do que muita gente imagina.
Diversos autores, músicos e criadores da cultura geek japonesa cresceram ouvindo suas músicas direta ou indiretamente. O jazz elegante presente em animes modernos, jogos, cenas de perseguição estilizadas e até produções urbanas contemporâneas carregam ecos do trabalho que Yuji Ohno ajudou a consolidar desde os anos 70.
No fim, Yuji Ohno deixa um legado raro, o de um artista capaz de transformar trilhas sonoras em memória afetiva coletiva e talvez a despedida perfeita para alguém como ele pudesse vir do próprio Lupin “Um grande homem não desaparece… ele apenas deixa sua música ecoando pelo mundo.”
Essa matéria me fez lembrar da trilha sonora de Yu Yu Hakusho, e você?