Fala pessoal, Bão?
Rodrigo Las Noches aqui e é o seguinte:

Desde o lançamento de Genshin Impact, muitos outros jogos tentaram surfar na mesma onda e alcançar o mesmo sucesso, porém só a miHoYo (desenvolvedora de Genshin) consegue repetir tal proeza. Mas convenhamos que Genshin Impact surgiu como uma forma “gratuita” e alternativa de Zelda: Breath of the Wild, mas com alguns elementos para compensar o fato de ser grátis: o gacha de personagens e itens, personagens muito carismáticos, atualizações constantes, uma história profunda e cheia de espaço para teorias... Enfim, fez muito sucesso, mas é inegável que ele veio como resposta a Zelda — e funcionou muito bem.

Desde então, muitos jogos vêm tentando replicar isso usando outros títulos como base, mas sempre acabam esquecidos ou encerrados. Duet Night Abyss, infelizmente, pode não ser diferente.

– O que é

Desenvolvido pela Pan Studio, que lançou apenas um jogo chamado A Third Day — um título cristão com foco em humor e sátira (e, do nada, pularam para um jogo totalmente diferente, né?) — e publicado pela Hero Studios, que também não tem nada de muito relevante em seu histórico.

Duet Night Abyss é um Action RPG de exploração no estilo anime, lançado em 28 de outubro de 2025. O jogo se passa em Atlasia, uma terra de fantasia onde magia e maquinário coexistem. Ele utiliza uma estrutura com dois protagonistas de origens sociais contrastantes, cujas narrativas entrelaçadas avançam por meio de exploração e combate. Pelo caminho, os jogadores encontram os “Demônios das Cem Faces” e tentam descobrir a verdade por trás de um destino conturbado, buscando pôr fim à “Espiral do Sofrimento”.

A estrutura de gameplay mistura Genshin Impact com Warframe. De Genshin, você tem um protagonista pré-definido com variação feminina ou masculina, geralmente com poucas ou nenhuma memória do passado. Conforme a aventura avança, você faz amizade com vários personagens — muitos deles jogáveis, obtidos por um sistema de gacha. É possível explorar o mapa, encontrar baús comuns, minigames e puzzles que liberam recompensas melhores. O combate é simples e dinâmico. Há também uma figura carismática para acompanhar o protagonista mais calado — sempre fofa e atuando como mascote da franquia. E, por fim, a história avança lentamente, misturando tramas secundárias dos personagens jogáveis com o enredo principal.

– A Sonata do Plágio

E Warframe? Aí é que está: tirando o lado “Genshin”, o restante é o sistema 1:1 de Warframe! Desde o movimento e o combate até detalhes como o layout das salas e puzzles para abrir portas.


Movimentação e combate


Na exploração você pode correr, dar pulo duplo, usar dash e escalar paredes — até aí, normal. Mas então vêm as partes copiadas de Warframe: correr e se apoiar na parede por certo período, o famoso “salto bala” (um salto lançado em alta velocidade em determinada direção). Todos esses movimentos são exatamente iguais aos da Digital Extremes.

No combate é ainda mais evidente. Você possui arma branca e arma de fogo; armas (e personagens) têm encaixes para Demon Wedges, que oferecem bônus e aumentam atributos — exatamente como os Mods de Warframe. Há Demon Wedges que alteram como o combo é executado, igual ao jogo original. As habilidades únicas dos personagens também lembram muito Warframe, como o protagonista, que lança vários cortes projetados da espada, atingindo vários inimigos — igual ao Warframe Excalibur.


Mapas e Trials


O problema piora nos mapas, principalmente os de missão. Nas Comissões — missões para farmar recursos específicos — você entra em mapas projetados para aquele tipo de tarefa. Se você jogou Warframe o suficiente, consegue se orientar sem nunca ter pisado ali antes, porque são literalmente os mesmos mapas com outra skin. Algumas portas e mecanismos começam missões com puzzles simples. Em Warframe, isso aparece como trancas que você deve ativar/desativar; na cópia, muitas vezes não faz nem sentido aquilo existir.

Os trials são pequenos desafios para obter mais recursos, que vão desde correr do ponto A ao B no menor tempo possível até derrotar inimigos em ordem específica. Em Warframe, isso serve como teste de ascensão para provar à Lotus que você é digno daquele nível. Em Duet, é só para coletar recursos e completar o mapa — todos copiados e até com paleta de cores muito semelhante.

Esses são apenas alguns exemplos entre vários. É inacreditável — e quase ninguém comenta sobre isso.

– A Melodia do Vazio Próprio

Existe algo nesse jogo que seja realmente dele, 100% original? Não sei. São tantas mecânicas, sons, mapas e sistemas reaproveitados que se torna difícil acreditar em qualquer traço de originalidade. Talvez a Snow, a mascote que se autoproclama “Rei Demônio da Luz”, mas no fim ela não difere tanto assim da Paimon. Talvez seja mais engraçadinha e menos irritante — ela é fofa e é o ponto mais forte do jogo.

Outro possível ponto seria o sistema de obtenção de personagens e equipamentos. Segundo o material promocional, aqui você pode adquiri-los sem gastar dinheiro: basta grindar Secret Letters e torcer para dropar o melhor prêmio. Mas mesmo isso é uma cópia piorada. Em Warframe, você usa chaves em missões para conseguir partes de frames e equipamentos, depois forja tudo ou vende para outros jogadores por platina (a moeda premium). O mercado de Warframe é um dos melhores entre os MMOs.

Em Duet Night Abyss, você apenas grindando Secret Letters e depende da sorte. O problema é que, no jogo que ele copia, dá para aprimorar as chaves para melhorar a chance de drop — aqui não. Para conseguir um equipamento simples, gastei 30 Secret Letters tentando dropar uma espada, o que levou horas em missões pouco divertidas. E ainda existe a opção de pagar para rolar gachas, apesar de o marketing prometer que “você só gastará com skins”. Ou seja: o jogo te força indiretamente a gastar, disfarçando a intenção.

– Requiem do Esquecível

O histórico da desenvolvedora e da publisher já mostra o que a tecnologia pode fazer quando o objetivo é apenas replicar o que fez sucesso para tirar algum lucro. É vergonhoso alguém ter coragem de reskinar um jogo, misturar com elementos de outro e dizer “este é meu jogo”. Não é inspiração — é cópia literal.

Quem nunca jogou Warframe ou Genshin pode não notar de primeira, especialmente Warframe, que é mais nichado. Mas esse jogo não vai durar muito se não tomar uma atitude e começar a se diferenciar.

Jogos gacha vêm perdendo popularidade enquanto MMOs tradicionais voltam a crescer, deixando menos espaço para o genérico. Se você não faz algo memorável, divertido e com personalidade, seu jogo simplesmente morre. A sorte de Duet Night Abyss é que Warframe é excelente — usar algo bom ajuda a prender o jogador.

Eu ainda joguei por muito tempo (duas semanas), porque amo Warframe. É o jogo com mais horas minhas na Steam. O que me prendeu foi o combate e o completismo herdados de lá — e a Snow, talvez uma cópia da Paimon… Ou seja, nenhum mérito do próprio jogo.

– Conclusão

Não consigo recomendar esse jogo, de verdade. Talvez sirva para quem não gosta das armaduras de Warframe, não gosta dos mapas longos de Genshin e ainda quer aproveitar alguns elementos desses jogos — aí você pode até tentar baixá-lo.

Ele poderia ter seguido o caminho da inspiração e, junto com o marketing adequado, teria atraído os jogadores cansados do sistema abusivo dos gachas tradicionais. Mas preferiu o caminho mais fácil e menos honroso.

Duet Night Abyss é um jogo que copiou e fez igual, sem sequer tentar esconder.

 

E é isso pessoal, espero que tenham gostado, cometa ai se você já jogou esse ou os outros jogos já citados e você já se cansou de gachas?
Obrigado por ler!

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