A Crunchyroll está procurando um novo executivo para liderar sua estratégia global de combate à pirataria de anime. A plataforma de streaming abriu uma vaga para o cargo de Vice President, Content Protection & Anti-Piracy, posição responsável por definir e comandar as ações da empresa para proteger seu catálogo contra a distribuição ilegal.
Segundo a descrição da vaga, o profissional terá a missão de estabelecer a visão de longo prazo, o modelo operacional, o roadmap tecnológico e as parcerias estratégicas da área. A proposta é antecipar ameaças e criar uma estrutura capaz de acompanhar o crescimento do negócio, indo muito além do simples monitoramento e denúncia de conteúdos pirateados.
Entre os requisitos estão experiência com ferramentas como YouTube Content ID, Meta Rights Manager e Google Trusted Copyright Removal Program (TCRP). O executivo também deverá supervisionar iniciativas de enforcement que utilizem inteligência artificial e manter relações com plataformas digitais, empresas de hospedagem, registradores de domínios, provedores de CDN, processadoras de pagamentos e organizações da indústria.
A movimentação ocorre em um cenário no qual o catálogo da Crunchyroll, uma das principais distribuidoras e licenciadoras de anime fora da Ásia, está entre os mais afetados pela pirataria. A empresa parece estar buscando uma abordagem mais estruturada e estratégica para lidar com o problema, em vez de depender apenas de ações pontuais contra sites e conteúdos ilegais.
A iniciativa também acompanha uma ofensiva mais ampla da indústria japonesa de entretenimento. A CODA (Content Overseas Distribution Association), uma das principais organizações antipirataria do Japão, firmou recentemente um Memorandum of Understanding (MoU) com a IP House, organização internacional voltada à proteção de propriedade intelectual.
As duas entidades também colaboraram na chamada Operação Animes, realizada no Brasil, que resultou no fechamento de dezenas de sites de distribuição ilegal de conteúdo.
Uma das propostas defendidas pela IP House é facilitar a adoção de leis que permitam o bloqueio de sites estrangeiros. A medida pode permitir que detentores de direitos obtenham rapidamente ordens judiciais para impedir o acesso a plataformas ilegais hospedadas fora do país, mas também gera preocupações sobre possíveis bloqueios indevidos.
Um dos principais problemas está no compartilhamento de endereços IP. Como um mesmo endereço pode hospedar diferentes serviços e sites, bloqueios podem acabar afetando plataformas legítimas. Casos desse tipo já ocorreram na Europa, onde sites legais foram atingidos como dano colateral de medidas antipirataria.
Também existem questionamentos sobre a precisão de processos de bloqueio acelerado e sobre como determinar se um site realmente é operado no exterior. Nos Estados Unidos, diferentes projetos de lei relacionados ao bloqueio de sites estrangeiros estão atualmente em tramitação.
No Japão, o Ministério da Economia, Comércio e Indústria (METI) também estabeleceu um plano de cinco anos para ampliar a presença internacional do conteúdo japonês. A iniciativa estabelece como meta alcançar 20 trilhões de ienes em vendas anuais de conteúdo japonês no exterior até 2033.
Entre as medidas previstas está justamente o fortalecimento do combate à pirataria, incluindo o trabalho de missões diplomáticas no exterior, formação de profissionais especializados e maior cooperação com agências responsáveis pelo enforcement de direitos autorais.